Harry Potter e as Relíquias da Morte: Parte 2 (crítica II)

Para Victor Bruno, a última parte da saga de Harry Potter não é nada demais, nem nada de menos. Apenas o suficiente

Harry Potter e as Relíquias da Morte: Parte 2

A saga de Harry, Hermione e Ron chega ao fim e Douglas Braga não gosta nada da sua conclusão

Especial David Fincher: A Rede Social

Na última parte do Especial, relembre o que Victor Bruno escreveu sobre A Rede Social, mais recente filme de David Fincher

Especial David Fincher: O Curioso Caso de Benjamin Button

Victor Bruno faz uma análise de O Curioso Caso de Benjamin Button, no penúltimo filme comentado neste especial

Especial David Fincher: Zodíaco

O nosso especial sobre David Fincher continua com Douglas Braga falando sobre Zodíaco, mais um thriller investigativo do norte-americano

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Roteiros - Os Infiltrados

Tendo recebido excelentes críticas e com uma bilheteria ressonante, o filme Os Infiltrados (2006), de Martin Scorsese, foi o retorno do diretor ao tema em que é melhor: máfia.

Dessa vez a história se passa em Boston, falando sobre irlandeses. O criminoso Frank Costello (Jack Nicholson) implanta um dos seus comparsas, Colin Sullivan (Matt Damon), dentro do departamento de polícia, enquanto a polícia põe um agente infiltrado, Billy Costingan (Leonardo DiCaprio).

Com certeza é o primeiro após 4 filmes de Scorsese que teve uma reação de maioria positiva da crítica e do público. Eu não acho que esses quatro filmes (sendo eles Kundun, Vivendo no Limite, Gangues de Nova York e O Aviador) sejam ruim, aliás, acho Vivendo no Limite um excelente filme. Talvez a crítica não pense o mesmo, rebaixando-o à um simples "Taxi Drive revistado", sendo que o filme tem uma profundidade única (não posso dizer o mesmo sobre Kundun, apesar de uma ótima premissa).

Parece que as pessoas gostam mesmo de ver Scorsese mexendo no sangue, chegando a comparar esse filme com Cassino, Os Bons Companheiros e Cabo do Medo. É bom? É. É uma obra prima? Não, mas arranha. É profundo? Claro. Segundo o próprio Scorsese, o final desse filme não é nada, pois vai haver um novo chefão.

Leia o roteiro de William Monahan aqui.

Por Victor Bruno

sábado, 29 de maio de 2010

Jukebox - Barry Lyndon

Como postado no prólogo do jukebox, Stanley Kubrick é o segundo melhor diretor "jukebox", perdendo só para Martin Scorsese. A maior prova do seu poderio musical é justamente nesse Barry Lyndon. Uma trilha sonora sensacional. Utilizando-se dos trabalhos de compositores como Bach, Handel, Vivaldi e Mozart, o filme trás uma harmonia sensacional para os ouvidos.

Músicas

"PIANO TRIO IN E-FLAT, OP 100 (second movement)"
Composed by Franz Schubert
Piano: Anthony Goldstone
cello: Moray Welsh
violin: Ralph Holmes

"GERMAN DANCE No.1 IN C-MAJOR"
Composed by Franz Schubert

"CELLO CONCERTO IN E-MINOR (3rd. movement)"
Composed by Antonio Vivaldi
Conducted by Rudolf Baumgartner (Festival Strings, Lucerne)
Cello: Pierre Fournier
Recorded on Deutsche Grammophon

"CONCERTO FOR 2 HARPSICHORDS AND ORCHESTRA IN C-MINOR (adagio)"
Composed by Johann Sebastian Bach
Harpsichords: Karl Richter and Hedwig Bilgram
The Munich-Bach Orchestra

"THE BARBER OF SEVILLE (cavatina)"
Composed by Giovanni Paisiello

"IDOMENEO (march)"
Composed by Wolfgang Amadeus Mozart

"HOHENFRIEDBERGER MARCH"
Composed by Frederick The Great

"TIN WHISTLES"
Composed by Sean O'Riada
Tin Whistles: Paddy Moloney and Sean Potts

"WOMEN OF IRELAND"
Composed by Sean O'Riada
Performed by The Chieftains

"Women of Ireland"
Composed by Sean O'Riada
Harp: Derek Bell

"PIPER'S MAGGOT JIG"
Traditional

"THE SEA MAIDEN"
Traditional
Performed by The Chieftains

"BRITISH GRENADIERS (fife and drum)"
Traditional

"LILLIBURLERO (fife and drums)"
Traditional
Arranged and conducted by Leslie Pearson

"Sarabande"
Written by Georg Friedrich Händel
From the Suite for Harpsichord No. 4 in d minor, HWV 437
Arranged for orchestra

Por Victor Bruno

Adeus... Dennis Hopper

Morreu agora a pouco um dos grandes ícones da contracultura de Hollywood. Dennis Hopper faleceu hoje vítima de um câncer de próstata em estado terminal.

O ator era conhecido por estrelar e dirigir o clássico Sem Destino (1969) ao lado de Peter Fonda. Além disso, Hopper atuou como o fotojornalista americano em Apocalypse Now (1979).

O câncer que vitimou Hopper foi descoberto ainda neste ano, mas já em estado irrevessível.

Dennis Lee Hopper (1939 - 2010)

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Galeria - Akira Kurosawa






Por Victor Bruno

quarta-feira, 26 de maio de 2010

"Oscar" who?

Agora antes que me estrangulem, vejam aqui o que acontece quando o filme é feito com liberdade criativa.

Se um dia eu conseguir adaptar O Evangelho Segundo Jesus Cristo e isso acontecer o sentido da minha existência estará completo.

Por Victor Bruno

Mas o que há conosco?

Eu escrevo este artigo dedicando uma homenagem a minha amiga Helena Bebiano. A postagem dela, mostrando um artigo escrito por Luiz Felipe Pondré no orkut me deu a coragem que faltava para escrever esse texto.

O artigo de Pondré diz que futuramente Glauber Rocha será a lata de lixo do cinema nacional, mas isso, claro, se nossos futuros cineastas mudarem o pensamento. O problema (agora é Victor quem fala) é que só existem dois tipos de filmes aqui no país: comédias que mais parecem filmes feitos para a TV e filmes de "ação" que insistem em filmar a pobreza de forma elegante (Diogo Mainardi fez uma excelente crítica a isso em seu livro O Polígono das Secas). Na verdade não são apenas brasileiros que caem nesse erro, mas vou me conter apenas no nosso cinema.

De verdade a 7ª Arte no Brasil vive da Globo Filmes, o que explica perfeitamente a falta de qualidade. Criticar a edição de um filme feito fora é muito difícil (a não ser que a película seja um American Pie da vida), mas no Brasil os erros são gritantes, assim como na fotografia. Não, não venham me dizer que estou sendo tendencioso ou fazendo alarde. As técnicas são as mesmas, da fotografia a edição. A câmera sempre está em hand-held, como se todos fossem discípulos do Lars Von Trier. Dizem que é para o público se sentir dentro da história. Eu digo que é uma mentira, eles é que não têm dinheiro para comprar uma Steadicam. Dá para fazer uma com 25 reais. Existem até mesmo vídeos na Internet com tutoriais. É preguiça dos produtores e dos diretores.

O cinema brasileiro está sendo tão difícil de se assitir não só pelas estórias fracas e batidas, mas sim pelo envolvimento político que ferra com nossa produção. Por que O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias foi para a pré-seleção do Oscar e não..., OK, Tropa de Elite não é um filme para Oscar. É uma versão inferior de Conflitos Internos (aliás o cinema asiático é show). Em Tropa de Elite não há nada que já não tenhamos visto na safra pós-Cidade de Deus. Camera em hand-held, narração em off e freeze frames. (Aliás, se o freeze frame é bem utilizado no filme de Fernando Meirelles, tornou-se banal depois, nitidamente copiado dos filmes de Scorsese, sem contar que o roteirista é o Bráulio Mantovani, o mesmo que escreveu Cidade de Deus.)

Aliás, creio que Cidade de Deus é o único filme brasileiro conhecido lá fora. Vai ver é até sinônimo:

"- You know something about the Brazilian cinema?

- No, but I saw City of God."

É muito difícil que o universo do cinema nacional hoje mude. Comandado por uma empresa que preza os filmecos de "comédia" feitos pela própria emissora (sabem de quem estou falando, não?) e pelos imitadores de Cidade de Deus (que por sua vez é uma imitação de luxo). Não vejo espaço para iniciantes ou pessoas com criatividade no Brasil. Aliás a criatividade não tem espaço neste lado da linha vermelha.

Agora se alguém ler este texto e disser "Não existe um paraíso para o cinema na America Latina" eu digo "Olhe para o país que conhecemos como 'Hermanos'."

Por favor, deixem a nossa criatividade entrar.

Por Victor Bruno

Grandes Cenas - Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças


Clementine está saindo do apartamento de Joel chateada com o que acabou de escutar da fita que ele gravou para a entrevista do seu procedimento de apagamento de memória. Joel está assustado com a situação e não sabe o que fazer.

Quando Clem está saindo do corredor Joel surge no fundo da cena.

- Espere! - Ele diz.

- O que? - Clementine responde.

- Não sei, só quero que você espere um pouco...!

Um silêncio assombroso toma de conta do lugar, fazendo a cena parecer tensa e insegura.

- OK? - Diz Clem.

- Mesmo - Joel responde.

- Olha, eu não sou um conceito, eu sou só uma garota ferrada procurando paz de espírito. Não sou perfeita.

- Não vejo nada que não gosto em você.

- Mas vai ver! E eu vou me sentir entediada e presa, pois é isso o que acontece comigo.

Um momento.

- Tudo bem.

Clementine fica estática.

- Sério?

Eles começam a rir e a chorar ao mesmo tempo.

***

O filme deveria ter terminado aí, sem aquela cena na praia. Um corte para o preto seria mais eficaz e deixaria aquela impressãode "O que?!" no ar. Mas isso não tira o brilhantismo (sem trocadilhos) do filme.

Por Victor Bruno

terça-feira, 25 de maio de 2010

Roteiros - Napoleão

Stanley Kubrick sempre teve uma paixão quase sem limites por Napoleão Bonaparte. Segundo ele, era incompreensível como um gênio militar de rara inteligência como o imperador francês pudesse ser derrotado.

Para saciar sua dúvida e enrriquecer em cultura o diretor americano leu, re-leu, vasculhou, esquadrinhou quadros para elaborar a mais rica biografia, e o filme definitivo do gênero épico.

Após sua morte em 1999, um sortudo grupo de jornalistas e fotógrafos teve acesso ao gabinete onde o cineasta e roteirista trabalhava. O assistente do diretor (possívelmente o lendário Jan Harlan) afirmou aos visitantes que aquele era o maior acervo sobre Napoleão, com praticamente todos os livros escritos sobre o general (não, eu não roubei isso da Wikipédia, já tinha essa informação antes, mas concordo que está estranhamente parecido com o texto da "enciclopédia livre").

Hoje disponibilizo o roteiro escrito por Stanley Kubrick aqui, em PDF.

Recentemente a Taschen Books publicou um livro chamado Stanley Kubrick's Napoleon: The Greatest Movie Never Made (Napolão de Stanley Kubrick: O Maior Filme Nunca Feito, e sim, aquilo é a capa do livro). O livro faz um retrato milimétrico da obsessão de Kubrick sobre a vida de Napoleão. O cineasta chegou a fazer uma cronologia por data de cada dia na vida do general. Por exemplo: "1796 - 9 de março: Napoleão casa-se com Josefina...". Sem dúvida a Taschen fez um excelente trabalho, tão megalomaníaco como Kubrick. O livro teve uma tiragem de precisas 1000 cópias (admito que procurei o pdf do livro para mim, mas infelizmente não encontrei nada).

Por Victor Bruno

domingo, 23 de maio de 2010

2001: Uma Odisséia no Espaço


2001: Uma Odisséia no Espaço

2001: A Space Odyssey
Dirigido por Stanley Kubrick
Roteiro de Stanley Kubrick & Arthur C. Clarke
Com Daniel Richter, William Sylvester, Keir Dullea, Gary Lockwood























































































Você entendeu? O que eu quis dizer nos parágrafos acima? Qual é a semiótica do que quis dizer? Eu quis falar que você fica sem palavras quando termina de assistir esta bela obra do cineasta mais genial de todos os tempos? Ou será que eu quis dizer que o filme não diz nada de nada nos seus 141 minutos? Ou será que eu disse que o filme é fechado as interpretações? Ou será que eu disse que o buraco entre a ficha técnica e esse parágrafo é o mesmo buraco aberto para as críticas, interpretações e teorias sobre esta dose cavalar de intelectualidade e genialidade? Por que o intuito de Kubrick e o co-roteirista Arthur C. Clarke é nos metralhar com milhões de perguntas de forma que não poderíamos responder? E por que eu não escrevi uma crítica e sim um parágrafo em que todas as frases terminam com uma interrogação? Será que é por que eu quis seguir o modelo de Kubrick e desafiar as normas de uma crítica normal? Será que existem respostas para 2001? Eu não sei, e como o agnosticismo estríto, você também não sabe. Ou será que não?

Nota: 5 estrelas em 5

Por Victor Bruno

sábado, 22 de maio de 2010

Dias de Paraíso


Dias de Paraíso
Days of Heaven, 1978
Dirigido por Terrence Malick
Escrito por Terrence Malick
Com Richard Gere, Brooke Adams, Sam Shepard, Linda Manz

Assistir qualquer filme de Terrence Malick (Além da Linha Vermelha, O Novo Mundo) e não sair com a sensação de completa anestesia é completamente impossível. Mesmo tendo gostado ou não. Conheço nenhum outro cineasta que consiga filmar a natureza de forma tão perfeita. Ao lado de Barry Lyndon, de Stanley Kubrick seus filmes merecem milhares de snap shots se assistidos num computador (de fato a primeira foto que ilustra esta crítica é o papel de parede do meu computador) .

Aliás, como dito na minha crítica de The Thin Red Line, Malick é um filósofo que ministra aulas em forma de filmes. Ele consegue pegar o homem e mostra-lo como pode ser louco e completamente indiferente as suas ações (Terra de Ninguém). Aliás, Badlands é um filme completamente afastado da sua filosofia.

Após finalmente terminar de assistir todos os seus quatro filmes, eu posso dizer que Terrence Malick é um verdadeiro misantropo. Vive isolado, não dá entrevistas e nunca filma mais de dois filmes na mesma década. (Na verdade eu ia escrever "Raramente faz um filme na mesma década", mas raro mesmo é ele fazer um filme.)

Uma das caracteristicas de um misantropo é seu ódio pelo ser humano. Não, ódio não, mas um certo rancor (OK, é exatamente a mesma coisa). Na visão de Malick, o homem e suas máquinas, sua violência, ou sua própria presença estraga a perfeição da natureza, natureza esta que nos olhos de Malick é uma santidade, algo com vida própria que mexe com nossos sentidos, podendo ser perfeitamente escrita com "N" maiúsculo.

Se a natureza mexe com os nossos sentidos, não poderíamos ser responsáveis pelos nossos atos. Talvez nem mesma mexa com os sentidos, mas tem vida própria. E nossas ações que ferem podem ser crimes hediondos. Uma morte na natureza, observado na ótica de Terrence Malick é a coisa mais solitária que pode existir, e assistindo este Dias de Paraíso ele pode estar completamente certo.


O filme tem a seguinte sinopse: Bill (Gere), após ter arrumado uma briga com o chefe da fábrica onde trabalhava e ter ferido-o, tem de fugir com sua irmã menor Abby (Adams). Eles saem de Chicago, e vão de trem para o Texas. Bill leva junto sua namorada Linda (Muniz). Após a viagem Bill consegue um emprego como ensacador de trigo numa fazenda. É a época da colheita. Na fazenda, o agricultor que administra a fazenda (Shepard) se apaixona por Linda. Sabendo que ele está morrendo, Bill encoraja sua namorada a se casar com o Agricultor, para que quando ele morrer os dois possam ficar ricos. Está formado o painel para uma tragédia.

Nas mãos de qualquer outro diretor, Dias de Paraíso seria somente mais um filme sobre um triângulo amoroso. Nas mãos de Malick é um retrato extremamente bem-feito sobre o amor e o homem na natureza.

Eu não considerava-o um cineasta cru. Principalmente depois dos 20 primeiros minutos do filme. A obra é um orgasmo virtual. Um banquete para os olhos. Assim como sabiamente o pôster da obra diz, "Your eyes... your ears... your senses... will be overwhelmed" (ou seja, "Seus olhos... seus ouvidos... seus sentidos... serão completamente esmagados"), filmada belamente por Nestor Almendros (Contos de Nova York) nas horas mágicas (embora o cinegrafista Haskell Wexler clame o crédito de fotógrafo), o filme nos trás uma beleza estética inigualável. Malick é cru por que mesmo tendo como suporte a beleza da natureza, ele faz questão de mostrar a natureza humana e suas ações.

Richard Gere faz um excelente Bill, um homem que possui boa índole, protege a irmã custe o que custar, mas mesmo assim ambicioso. A bela Brooke Adams faz uma Abby eficiente. Completando o elenco, Sam Shepard faz um bom Agricultor. Já a não tão bela Linda Muniz faz uma Linda morna, apesar de ser uma das personagens chave da trama, por tanto deveria ter feito um papel melhor.

Uma das sacadas mais geniais do filme, além da bela fotografia é o fato da obra ser narrada por uma criança, portanto estamos desprovidos de maldade, contendo apenas sua ingenuidade. Como uma criança atravessa uma crise que desmancha os alicerces da sua ingenuidade? Ela é capaz de atravessar isso sem se ferir? Acho que o último take do filme é bem simbólico (atenção: spoiler): Abby caminhando com uma amiga fumando um cigarro com seus 16 anos (apesar dela fumar em toda a projeção, mas nunca tragando um inteiro como nesta última tomada).


Aliás a trama é cheia de simbolismos: quando ela começa as cenas são filmadas no sol nascente, simbolizando o início de uma época. Quando as atribulações começam a casa do patrão está com uma nuvem nublada gigantesca. Quando o está findando o sol está se pondo.

Numa certa altura do filme Abby diz: "Não existe e nunca existiu ninguém perfeito. Todos temos uma parte de anjo e outra de um demônio dentro de nós." Acho isso simbólico, principalmente dentro do contexto do filme. Bill, apesar de boa índole é capaz de matar, ou de dar um golpe só para ganhar dinheiro. Linda, apesar de ser cobiçada por dois homens não é tão bonita (eu pelo menos não acho ela bonita). E o filme, apesar de todas as suas perfeições, tem pecados. Sua trama demora muito para começar e muitos dos fatos narrados no filme parecem perdidos no tempo. Mas acho que não havia outra maneira de filma-lo. Então ele consegue ser um perfeito imperfeito.

Certamente Terrence Malick precisava de mais 20 anos para esmagar nossos sentidos novamente.

Nota: 4 estrelas em 5

Por Victor Bruno

P.S.: É realmente uma pena os DVDs da Criterion Collection não serem legendados em português. Imagem e som totalmente remasterizados, comentário em áudio com o editor Billy Weber, o desenhista de produção Jack Fisk, a desenhista de figurinos Patricia Norris e o diretor de elenco Diane Crittenden, entrevista em áudio com Richard Gere, entrevistas em vídeo com Bailey, Sam Shepard e o co-diretor de fotografia Haskell Wexler, mais um livro com um ensaio do crítico Adrian Martin e um capítulo da autobiografia do diretor de fotografia Nestor Almendros. Na edição em Blu-Ray o áudio é em DTS Master. Temos de engolir essa.

Jukebox - Tudo Acontece em Elizabethtown


Não é surpresa para ninguém que os filmes de Cameron Crowe nos apresentam excelentes trilhas sonoras não-originais, mas nesse Tudo Acontece em Elizabethtown ele certamente se supera. Se a trilha não é perfeita ela certamente chega perto da excelente soundtrack de Quase Famosos.

Fazem parte da trilha sonora cantores do calibre de The Temptations, Elton Jones, James Brown, U2, e muitos outros. Aliás, é do The Temptations a música que toca no celular de Drew (I can turn a grey sky blue...). A música se chama I Can Get Next You.

Músicas:

"Jesus Was a Crossmaker"
(1971)
Written by Judee Sill
Performed by The Hollies
Courtesy of EMI Records Ltd.
Under license from EMI Film & Television Music


"You Can't Hurry Love"
(2003)
Written by Lisa Milberg, Per Nyström (as Per Nystrom), Ludvig Rylander,
Daniel Värjö (as Daniel Varjo), Victoria Bergsman, Maria Eriksson & Martin Hansson
Performed by The Concretes
Courtesy of Astralwerks
Under license from EMI Film & Television Music


"Shut Us Down"
(2005)
Written by Lindsey Buckingham & Cory Sipper
Performed & Produced by Lindsey Buckingham


"I Can't Get Next to You"
(1964)
Written by Barrett Strong & Norman Whitfield (as Norman J. Whitfield)
Performed by The Temptations
Courtesy of Motown Records
Under license from Universal Music Enterprises


"It'll All Work Out"
(1987)
Written by Tom Petty
Performed by Tom Petty & The Heartbreakers (as Tom Petty and The Heartbreakers)
Courtesy of Geffen Records
Under license from Universal Music Enterprises


"io (This Time Around)"
(2005)
Written by Jim Evens
Performed by Helen Stellar
Courtesy of Helen Stellar


"Big Love"
(1987)
Written by Lindsey Buckingham
Performed by Fleetwood Mac
Courtesy of Warner Bros. Records Inc.
By Arrangement with Warner Music Group Film & TV Licensing


"My Father's Gun"
(1970)
Music by Elton John
Lyrics by Bernie Taupin
Performed by Elton John
Courtesy of Mercury Records Limited
Under license from Universal Music Enterprises


"Same in Any Language"
(2005)
Written by Nancy Wilson & Cameron Crowe
Performed by My Morning Jacket
Produced by Jim James
My Morning Jacket performs courtesy of ATO Records, LLC


"Where to Begin"
(2005)
Written by Jim James
Performed by My Morning Jacket
Produced by John Leckie & Jim James
My Morning Jacket performs courtesy of ATO Records, LLC


"Jack"
(2005)
Written & Performed by Tom Petty


"Come Pick Me Up"
(2000)
Written by Ryan Adams & Van Alston
Performed by Ryan Adams
Courtesy of Bloodshot Records


"Funky Nassau"
(1971)
Written by Tyrone Fitzgerald & Raphael Munnings
Performed by The Beginning of the End
Courtesy of Atlantic Recording Corp.
by arrangement with Warner Music Group Film & TV Licensing


"Learning to Fly"
(1991)
Written by Tom Petty & Jeff Lynne
Performed by Tom Petty
Courtesy of Geffen Records
Under license from Universal Music Enterprises


"Passing By"
(2001)
Written & Performed by Ulrich Schnauss
Courtesy of Domino Records


"Dance Studio Drizzle"
(2005)
Written & Performed by Craig Berkey


"Summerlong"
(2005)
Written by Kathleen Edwards & Colin Cripps (as Colin Cripp)
Performed by Kathleen Edwards
Courtesy of Rounder/Zoe Records
By Arrangement with Ocean Park Music Group


"Promised You a Miracle"
(1982)
Written by Charlie Burchill (as Charles Burchill), Derek Forbes, Jim Kerr (as James Kerr) & Michael McNeil
Performed by Simple Minds
Courtesy of Virgin Records
Under license from EMI Film & Television Music


"First Dance Number"
Written by Georges Auric


"Free Bird"
(1973)
Written by Allen Collins & Ronnie Van Zant
Performed by Ruckus
Produced by Jim James


"Moon River"
(1961)
Music by Henry Mancini
Lyrics by Johnny Mercer


"That's Life"
(1966)
Written by Dean Kay & Kelly Gordon (as Kelly L. Gordon)
Performed by James Brown
Courtesy of Universal Records
Under license from Universal Music Enterprises


"Hard Times"
(1854)
("Hard Times Come Again No More")
Written by Stephen Foster
Arranged by Peter Adams
Performed by Eastmountainsouth
Courtesy of Geffen Records
Under license from Universal Music Enterprises


"Let It Out (Let It All Hang Out)"
(1967)
Written by B.B. Cunningham (as BB Cunningham), Gary McEwen, Jerry Masters & John Hunter
Performed by The Hombres
Courtesy of Universal Records
Under license from Universal Music Enterprises
(p) 1967 Universal Records, a Division of UMG Recordings, Inc.


"Purcell: Rondeau (Abdelazer)"
(1677)
Written by Henry Purcell
Performed by Neville Marriner (as Sir Neville Marriner) & The Academy of St. Martin-in-the-Fields
Courtesy of Universal International Music B.V.
Under license from Universal Music Enterprises


"Sugar Blue"
(2002)
Written & Performed by Jeff Finlin
Courtesy of Bent Wheel Records


"Yeah Man"
(1978)
Written & Performed by Eddie Hinton
Courtesy of Universal Records
Under license from Universal Music Enterprises


"Pride (In the Name of Love)"
(1984)
Written by Adam Clayton, The Edge (as David Evans), Bono (as Paul Hewson),
Larry Mullen Jr. (as Laurence Mullen)
Performed by U2
Courtesy of Island Records Ltd.
Under license from Universal Music Enterprises


"Words"
(2005)
Written & Performed by Ryan Adams
Produced by Tom Schick
Ryan Adams performs courtesy of Lost Highway Records


"Don't I Hold You"
(1999)
Written by Richard Brennan, Peter Harney & Scott Levesque
Performed by Wheat
Courtesy of Aware Records/Columbia Records


"What Are They Doing in Heaven Today?"
Traditional
Arranged by Washington Phillips
Performed by Washington Phillips
Courtesy of Shanachie Entertainment Corp.


"Square One"
(2005)
Written & Performed by Tom Petty


"Same in Any Language"
(2005)
Written by Nancy Wilson and Cameron Crowe
Performed by I Nine
Produced by Rick Beato
I Nine performs courtesy of J Records


"English Girls Approximately"
(2004)
Written & Performed by Ryan Adams
Courtesy of Lost Highway Records
Under license from Universal Music Enterprises


"Moon River"
(1961)
Music by Henry Mancini
Lyrics by Johnny Mercer
Performed by Patty Griffin
Patty Griffin performs courtesy of ATO Records, LLC

Por Victor Bruno

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Why so far away, Kaufman?

Corte sua cabeleira e você vira o Bruce Willis

Charlie Kaufman é um dos (se não for o) roteiristas mais geniais dos últimos 15 ou vinte anos. Seus roteiros engenhosos retratam "mais que perfeitamente" a real condição humana.

Do homem espremido pela sociedade e sua aflição por querer ser o que não é ao homem e a solidão, Kaufman traça linhas que quebram as barreiras da psicologia e do próprio cinema (quem mais consegue se colocar num filme e não ser arrogante?).

Mas a notícia que li hoje é no mínimo estranha (não no sentido kaufmaniano da palavra, se é que isso existe). Charlie Kaufman, o grande, genial, soberbo Charlie Kaufman vai roteirizar o filme Kung Fu Panda 2 - The Kaboom of Doom. Exatamente, aquele filme do panda lutador estrelado por Jack Black e Dustin Hoffman.

Para minha aflição de fã, Kaufman não escreveu o roteiro original, ele somente vai finalizar o processo de roteirização do filme.

Agora eu penso... "Por que tão distante, Kaufman?" O mesmo gênio que diz em entrevista que odeia filmes felizes, ou em que tudo é superado no final pois é falso e um lixo agora faz um filme de animação para crianças. O mínimo que espero vindo o Kaufman é que tudo dê errado no final da projeção.

Eu, particularmente acho que:

1) Ofereceram uma grana altíssima para o Kaufman

Ou...

2) A sua filha Olive insistiu para o papai doidão participar desse projeto

E particularmente Kaufman é a única coisa que me motiva a assistir Jack Black em preto e branco.

Por Victor Bruno

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Pobrezinho... M. Night Shyamalan

Como consegue rir ainda, M. Night Shyamalhanhalahabarajagabal?

É M. Night Shyamalan, mas se pronuncia Shahmalawn, algo como Shar-ma-lau em bom e errôneo português.

Em algum momento entre Corpo Fechado e Sinais a cúpula dos grandes críticos norte-americanos, por algum motivo desconhecido, disse "Vamos tentar matar esse cara", mas... por que? O que Shyamalan fez de errado? Em que ele desapontou? Seus dois primeiros filmes são geniais! Se O Sexto Sentido carrega uma carga de suspense bem construida e que é transmitida sem erros para o espectador (ou fui eu que estava de olhos fechados e não vi quando os erros aconteceram), Inquebrável (a tradução mais correta de Unbreakable para o nosso português seria essa) carrega uma carga dramática quase insuportável. (E esse sim é um filme com erros comuns.)

Aliás, pegando um gancho do último parágrafo... são nesses erros comuns que a crítica parte para a baixaria com M. Night? Por que se for, sinceramente, essa seria mais uma paranóia norte-americana. Com tantos filmes com erros que saltam aos olhos nos Estados Unidos, por que foram se preocupar logo com um dos diretores mais talentosos da última década (reparem, eu disse diretor, não roteirista)? É por que ele é indiano? Estrangeiro? "Descam o cacete no estrangeiro, tem bilhões de onde ele veio!"

É certo que existe um abismo enorme entre a história engenhosa de Corpo Fechado e The Sixth Sense com a simplista história de Sinais. Mas... isso é realmente um motivo convincente para falarmos mal de Shyamalan? Eu acho que não. Apesar dele ter se aventurado em filmes com roteiros mais simples -- chegando a dar a impressão de desinspiração --, ele é um excelente diretor. Conta-se nos dedos quais diretores conseguem utilizar um deep focus tão bom. Seu eventual parceiro Tak Fujimoto estiliza a fotografia em luz e sombra (a lá Vittorio Storaro) de forma brilhante.

Antes que também caiam de pau em cima de mim, quero dizer que não assisti A Dama Na Água, portanto não me critiquem sobre a minha opinião (aliás, duvidosa): não guardo grandes esperanças sobre esta obra. Alexandre Koball, do Cine Players se referiu a este filme como "Uma masturbação fílmica de Shyamalan, apenas para sua vaidade." Se alguém chega ao ponto de dizer isso sobre um filme... bem...

Por fim M. Night, o ex-garoto prodígio da América não-americano, faz O Último Mestre do Ar. Um blockbuster. O tipo daquele filme feito para dar ao diretor o rótulo de Mr. Box Office. A pressão foi grande. E injusta. Mr. Box Office sem conteúdo. Claro, se der certo, e isso vai depender de Roger Ebert e Cia.

Por Victor Bruno

terça-feira, 18 de maio de 2010

Galeria - Vittorio Storaro










Por Victor Bruno

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Roteiros - Scarface



Certamente o filme Scarface, dirigido por Brian De Palma é o filme de gângster mais adorado do mundo. Não foram poucas vezes que escutei a frase "Scarface é melhor que O Poderoso Chefão."

Este fato é perfeitamente exlicável. Ao contrário da saga da família Corleone, Scarface é um filme violento e explosivo. De 10 em 10 minutos acontece alguma troca de tiros. Logo nos 30 primeiros minutos um cara tem braços e pernas cortados por uma motosserra. Não estou dizendo que a história de Tony Montana é ruim, mas apenas digo que prezo mais inteligência e estratégia do que violência impensada.

O roteiro escrito por Oliver Stone baseado no filme homônimo de 1932 foi escrito pouco depois da desintoxicação de Stone do vício da cocaína (na verdade Stone nunca deixou de ser drogado, apenas teve longos intervalos entre uma cheirada e outra), ou seja, muito do filme vem da própria história do roteirista (que mais tarde tornou-se premiado (e duvidoso) diretor).

O roteiro que posto aqui vem em pdf da própria máquina do roteirista, ou seja, vocês poderão ver falhas e ranhuras durante o texto, o que, para mim, torna o download mais elegante.

Deliciem-se: http://www.dailyscript.com/scripts/Scarfacefinal.PDF

Por Victor Bruno

domingo, 16 de maio de 2010

Grandes Cenas - Os Bons Companheiros


Escutamos os primeiros acordes de Then He Me Kissed, de The Crystals. A câmera se afasta de um molho de chaves entregue por Henry Hill (Ray Liotta) à um manobrista. Ele e sua namorada Karen (Lorraine Bracco) atravessam a rua em frente ao restaurante Copacabana. Existe uma fila enorme em frente a porta. Eles atravessam-a e entram pelos fundos. A Steadicam entra junto com os dois. Eles descem uma pequena escadaria e um porteiro abre a porta para os dois. Henry dá uma nota de 100 para ele. Karen pergunta por que estão entrando por ali. Henry responde que é mais rápido que esperar na fila. No corredor pintado de vemelho há um garçom está comendo um sanduíche. Ele cumprimenta Henry. Os dois seguem pelo caminho com a Steadicam seguindo-os. Antes dos dois entrarem na conturbada cozinha do local um casal de garçons estão se beijando. Henry brincando diz "Toda vez que eu entro aqui vocês estão fazendo isso! Toda vez? Vocês não trabalham?" Karen ri. É óbvio que ela está completamente desnorteada com aquele ambiente. Os dois entram na cozinha. Parece um inferno. A maioria dos cozinheiros são de origem asiática. Alguns estão brigando. Podemos ver o maître d' descansando. O casal sai da cozinha e entra direto no salão do restaurante. Um homem de camisa azul -- provavelmente o dono do restaurante -- cumprimenta Henry e pede uma mesa especial em frente ao palco. A mesa é rapidamente é preparada. É o único momento em que a câmera deixa o casal. Rapidamente Henry e Karen se sentam. O dono do restaurante retorna com um garçom mostrando um vinho. Este vinho é uma cortesia de um grupo de homens em outra mesa. Atrás de Henry alguém diz olá. Karen, impressionada com o agito que Henry causou no local pergunta "Qual é o seu trabalho?" Henry responde "Construção." Karen diz "Não é o que as suas mãos sugerem." Henry responde "Sou do sindicato." A apresentação de um comediante inicia-se.

Veja aqui a cena na íntegra com uma breve introdução do diretor Martin Scorsese, do co-roteirista Nicholas Pileggi, da atriz Lorraine Bracco e do diretor de fotografia Michael Ballhaus.

Por Victor Bruno

sábado, 15 de maio de 2010

Além da Linha Vermelha


Além da Linha Vermelha
The Thin Red Line, 1998
Dirigido por Terrence Malick
Roteiro por Terrence Malick (Baseado no livro de James Jones)
Com Sean Penn, Jim Cavizel, Elias Koteas, Nick Nolte, Ben Chaplin

Terra de Ninguém, bom. Cinzas no Paraíso, excelente. Além da Linha Vermelha, perfeito.

Terrence Malick é um filósofo que ministra aulas em forma de filmes. Seu cinema não é para qualquer um. Não é mero entretenimento comercial. Nunca será. Sua câmera calma e lenta, que vasculha o cenário nos proporcionando um esplendor visual maravilhoso é inigualável. Este é o perfeito em seu estilo, a atenção aos detalhes; ou melhor a falta dele. Seu jeito de ser minimalista se encaixa perfeitamente na sua proposta: a ação do homem em meio a natureza.

Ele já havia explorado a natureza nos seus dois filmes anteriores. Em Terra de Ninguém (1973) ele apenas experimentou o gosto e nos deu uma prévia da natureza, por que ele só nos mostrou do que era capaz em Cinzas no Paraíso (que por algum motivo foi lançado em DVD como Dias no Paraíso, 1978): filmar a natureza de forma bela e em todo o seu esplendor.

Mas Malick só chega ao máximo mesmo neste Além da Linha Vermelha. Tomadas sub-aquáticas, cenas na floresta, em canaviais, o vôo dos pássaros, tudo é fantásticamente filmado. Se o filme não fosse bom, pelo menos poderíamos passar as duas horas e 50 minutos desta obra apenas conferindo seu belo visual, esplendorosamente fotografado por John Toll (O Homem que Fazia Chover, Coração Valente).


Malick nos conta a história da história da Companhia Charlie e sua jornada na infame Batalha de Guadalcanal. Guadalcanal, era importante ponto no Pacífico. Neutralizando o ponto todo o poderio japonês poderia ser fácilmente destruído. A Companhia liderada pelo capitão Staros (Koteas) se embrenha na mata fechada da Ilha para conquista-la, não importa "quantas vidas sejam necessárias".

A partir daí o diretor fala de cada homem dentro da guerra, ou melhor, a guerra dentro de cada homem. Como diz o pôster, cada homem luta sua própria guerra. Ela pode ser mais violenta do que a guerra real. O soldado Bell (Chaplin), por exemplo, era um homem de patente que por causa do seu amor pela esposa foi rebaixado a cabo. Como um homem pode enfrentar a guerra assim?

Malick também faz questão de nos mostrar como a guerra, qualquer guerra, é degradante. A uma certa altura do filme o Sargento Walsh (Penn) diz: "Eu olho para um garoto morrendo e não sinto nada. Eu não sinto mais nada por ninguém" e o Sargento Storn (John C. Reilly) responde "Soa como uma benção."

Muitos críticos criticaram (desculpe a redundância) o filme por mostrar soldados filosofando. Não considero filosofia. Eu creio que num momento de tamanha violência a força é esmagadora ao ponto de nos questionar "Isso é realmente necessário". Toda a força destrutiva da guerra nos faz refletir. Você mata um homem e sente algo? "Eu matei um homem, ninguém pode me tocar por isso." A paz da natureza quebrada pelo homem.


A edição do filme, que a primeira vista pode ser terrívelmente lenta, é perfeita para a propósta da obra. Quem vai esperando assistir um filme de guerra cheio de ação e homens morrendo com os membros sendo arrancados durante duas horas vai achar o filme maçante. É um filme reflexivo. Como li em algumas críticas, não é um filme de guerra e sim sobre a guerra. A guerra dentro de cada um de nós. Se Malick e seus três editores (Leslie Jones, Saar Klein e Billy Weber) fizeram o serviço direito a versão de seis horas do filme (que está indisponível) deve ser tão boa quanto esta original.

Outro ponto importante do filme é a sua excelente trilha sonora de Hans Zimmer, que fiz questão de comprar. Um componente de luxo em um filme perfeito. A música God, Yu Tekem Laef Blong Mi, cantada por um coro malasiano é simplesmente fantástica. Soa como o paraíso.

O filme está recheado de estrelas, muitos fazendo apenas pontas de 5 minutos, como George Clooney. Eu li que isso só tornou o filme ainda mais pretencioso. Pretencioso? Por que algum diretor pagaria um cachê milionário só para ter cinco minutos com George Clooney. Na verdade os atores se ofereceram voluntáriamente para participar do filme. E eles não fazem feio. Como o filme usa e abusa de close-ups, os atores deve estar preparados para encarnar suas personagens o máximo possível. Elias Koteas, Jim Cavizel e todos os outros realmente parecem estar passando por todo aquele sofrimento. Não sei o que Malick fez, mas funcionou direitinho.

Falando sobre a direção, Malick constrói um filme colorido. O belo take com os soldados correndo em meio as explosões quando uma singela borboleta azul aparece torna o filme ainda mais belo. Involuntário ou não, é lindo.

Todo homem luta sua própria guerra. Todo homem tem suas dúvidas, incertezas. Todo conflito que leva homens a matarem outros homens é ridículo e desnecessário. Tudo o que furta a paz é terrível. Só Malick poderia fazer da guerra uma obra de arte filosófica.

Nota: 5 estrelas em 5

Por Victor Bruno

sexta-feira, 14 de maio de 2010

O épico dentro do épico - Spartacus


Eu acho Kirk Douglas um idiota. Sem dúvida alguma. Tudo bem, ele fez filmes bons, disso eu não discordo. Sendo bem sincero eu não conheço muito sua carreira, aliás, nem sei o que a maioria pensa sobre eles. Nunca pensei em caminhar no meio da rua e dizer "Ei, o que você pensa sobre o ator Kirk Douglas?"

De fato os seus dois únicos filmes que eu considero verdadeiros são Glória Feita de Sangue e Spartacus, ambos dirigidos pelo -- na época -- iniciante Stanley Kubrick. O primeiro foi um grande sucesso, gozando de boa crítica e público, aliado ao fato de ter uma produção bem tranquila (claro que não tão tranquila quanto os filmes posteriores de Kubrick, muito menos com a liberdade que ele gostaria).

Se a produção de Glória Feita de Sangue foi uma calmaria, não podemos dizer o mesmo de Spartacus. Após três semanas de produção o experiente diretor Anthony Mann (de Cimarron e El Cid) foi demitido de uma maneira extremamente estranha e sem aviso prévio. Entra em cena o jovem Kubrick, de apenas 32 anos, com a dura missão de dirigir um filme épico, de orçamento astronômico, num local tenso, com um roteiro que contradiz tudo o que ele acreditava, com um roteirista na Lista Negra.

O inferno kubrickiano começa justamente com a sua librerdade criativa. A maior parte das idéias do diretor foram vetadas pelo real diretor do filme: Kirk Douglas. Mais tarde Kubrick disse que dirigiu "um filme moralista idiota." O roteiro de Dalton Trumbo nada mais é do que um melodrama de 3 horas e meia baseado em um livro de Howard Fast. Aliás, este filme não é nada parecido com o extremamente polêmico Lolita, seu filme seguinte.

Kubrick também teve que gastar voz, e muita voz com o diretor de fotografia Russel Merty. Os storyboard de Kubrick eram rasgados, xingados, massacrados. Nas barracas das produções ninguém se surpreenderia se um belo dia Kubrick saltasse em cima do pescoço de Merty e o estrangulasse.

No final Kubrick ainda teve a sua boa amizade com Douglas desmanchada por ummotivo bobo: como Dalton Trumbo estava proibido de assinar qualquer coisa em Hollywood por ser um dos "supostos comunistas" no auge do mccartismo, Kubrick pediu permissão para Douglas para ser creditado como roteirista do filme. Ora, mais essa!, Kubrick, Stanley Kubrick pedindo permissão para alguém?! E mais, ela foi negada, com um sonoro não de Kirk! Mas o que você queria que Stanley fizesse? Ele é o diretor, bolas, não deveria dever nada a seu ninguém. Por esse simples motivo os dois nunca mais se falaram. Mais tarde, Kirk, quando Kubrick fazia sucesso, disse: "Kubrick pode ser um gênio, mas é um idiota." Eu acho que há uma pequena contradição nesta afirmação.

Spartacus foi um estrondoso sucesso. Apesar de não gostar do filme, eu agradeço a Kirk por substituir Mann por Kubrick, afinal, este filme foi a porta de entrada de Stanley Kubrick para as grandes produções.

No final, Spartacus é um filme de Kirk Douglas dirigido por Stanley Kubrick.

Por Victor Bruno

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Galeria - Saul Bass







Por Victor Bruno

Cadeira 4 - Saul Bass


Saul Bass (Nova York, 8 de Maio de 1920 - Los Angeles, 25 de Abril de 1996) foi um cineasta e desenhista norte-americano. Seu estilo peculiar de desenhar as sequências de títulos é o que mais me fascina neste ícone do cinema. Na maior parte das suas aberturas a fonte do texto é desenhada à mão, lembrando muito as fontes de revistas em quadrinhos e isso é largamente copiado hoje (vide o pôster de Queime Depois de Ler).

Trabalhou com diversos cineastas, eis alguns deles: Alfred Hitchcock, Martin Scorsese, Otto Preminger (talvez seu trabalho mais conhecido seja justamente para ele, na abertura de O Homem do Braço de Ouro, cuja o pôster ilustra essa postagem), sem contar que fez a abertura de Spartacus, de Stanley Kubrick.

Filmes já comentados:

Por Victor Bruno

terça-feira, 11 de maio de 2010

Monty Python e o Cálice Sagrado


Monty Python e o Cálice Sagrado
Monty Python and the Holy Grail
Dirigido por 40 Lhamas Montanhescas Equatorianas Especialmente Treinadas, 6 Lhamas Vermelhas Venezuelanas, 142 Lhamas Mexicanas, 14 Guanacos do Norte do Chile (um parente próximo da lhama), a Lhama Vermelha de Brixton, 76000 Lhamas de Granja do "Lar da Lhama Feliz" Fazendas, Inc.; Próximo do Paraguai e Terry Gilliam & Terry Jones
Escrito por Graham Chapman & John Cleese & Eric Idle & Terry Gilliam & Terry Jones & Michael Palin
Com Graham Chapman, John Cleese, Eric Idle, Terry Gilliam, Terry Jones, Michael Palin

É simples, o filme é genial. Supera todos os seus problemas, desde orçamento até locações. Que seria problema para muitos diretores, torna-se fonte de humor para o lendário grupo de atores do Monty Python.

Os Python, formados por Graham Chapman, John Cleese, Eric Idle, Terry Gilliam, Terry Jones e Michael Palin, eram um grupo de comediantes que tinham um programa de TV chamado Monty Python Flying Circus . O programa durou 4 temporadas (muito, considerando que na Inglaterra cada temporada tem cerca de 13 episódios e pode durar no mínimo dois anos) e fez um ressonante sucesso.

No intervalo da 3ª para a 4ª temporada os Python resolveram fazer um filme, mesmo com o baixíssimo orçamento disponível (£64.000,00) eles escreveram e filmaram a obra: Monty Python e o Cálice Sagrado.

O filme conta a história do Rei Artur e seus Cavaleiros: Sir Galahad, Sir Lancelot, Sir Robin Não Tão Bravo Quanto Sir Lancelot e o Sir Que Não Aparece Neste Filme. Eles recebem uma missão dada por Deus em pessoa: resgatar o Santo Graal, que está em algum lugar na Inglaterra.


Só pelos nomes das personagens o filme seria engraçado, mas a graça do filme começa justamente com o início da obra. Legendas em pseudo-suíço aparecem com coisas inusitadas (típico humor da trupe) e constantemente somos avisados que os responsáveis pelas legendas foram demitidos. Daí para frente o filme deslancha maravilhosamente: encontramos fazendeiros à favor da democracia, e os famosos Cavaleiros que Dizem Ni (aliás esta cena é uma das mais engraçadas do filme).

Os brasileiros com certezam não gostam deste filme quanto os ingleses, até por conta do humor, essencialmente britânico. Piadas sobre morte e situações escabrosas são recorrentes. Quem tem uma mente mais aberta facilmente vai se deliciar com a cena do resgate do garoto na torre do castelo ou a cena do Cavaleiro Negro.


As interpretações dos Phython são de cair o queixo. Se você se surpreende com Peter Sellers fazendo três papéis distintos em Dr. Fantástico vai cair no chão quando ver Michael Palin se desdobrando em 12 papéis, mas de longe o maior trunfo do filme é o roteiro dos comediantes. Eles fazem piadas sobre esquerdistas, franceses e a própria sociedade britãnica da Idade Média. Eles nem se poupam de si mesmos. Devido a falta de verbas do filme foi impossível alugar cavalos, então eles improvisaram montando em cavalos imaginários, com a sonoplastia feita por cascas de côcos. Também devido a falta de orçamento eles não conseguiram alugar a fachada de um castelo para filmar a cena em Camelot, o que rende uma das melhores piadas do filme:

- Camelot!

- Camelot!

- Camelot!

- Ah, que nada, é só uma maquete.

- Cala a boca!

Dirigido Terry Jones e Terry Gilliam eles conseguem superar até mesmo o problema de alcoolismo de Graham Chapman (que viria ocasionar sua morte anos mais tarde). A cena da Ponte da Morte, filmada no primeiro dia, não foi totalmente filmada com Chapman, que estava sofrendo delírios, devido a abstinência -- eles estavam filmando numa zona isolada na Escócia.

O Cálice Sagrado é -- certamente -- o filme mais esquadrinhado do grupo inglês, sem dúvida. Mesmo sendo menos cáustico que o filme seguinte da trupe, A Vida de Brian, é um excelente filme. Um filme obrigatório para quem gosta de boa comédia. Altamente recomendado, apesar das falhas. Aliás, não é um filme para todos, principalmente nos tempos de American Pie. Ni!

Nota: 5 estrelas em 5

Por Victor Bruno

Jukebox - Os Bons Companheiros


Todo mundo sabe Martin Scorsese é um dos mestres do cinema, mas além filmes incríveis ele os acerta com trilhas sonoras impressionantes. Não poderia ser diferente neste Os Bons Companheiros (1990). Scorsese mostrava sinais de ter um excelente gosto musical desde Caminhos Perigosos (1973), filme que continha músicas do The Rolling Stones, The Ronnetes, The Marvelettes, Eric Clapton, entre outros, como o italiano Giuseppe Di Stefano. Aqui, para construir sua épica jornada por 30 anos de máfia, Scorsese utilizou apenas músicas que poderiam ser escutadas na época do filme, então quem assiste escuta uma torrente de boa música. The Rolling Stones, The Crystals, Eric Clapton, The Who. Resumindo tudo, uma das melhores trilhas sonoras compiladas já feitas.

Músicas

"Rags to Riches"
Written by Jerry Ross and Richard Adler
Performed by Tony Bennett
Courtesy of CBS Records, Music Licensing Department


"Can't We Be Sweehearts"
Written by Morris Levy and Herbert Cox
Performed by The Cleftones
Courtesy of Rhino Records


"Hearts of Stone"
Written by Eddie Ray and Rudy Jackson
Performed by Otis Williams and The Charms
Courtesy of G.M.L., Inc. by Arrangement with Celebrity Licensing Inc.


"Sincerely"
Written by Harvey Fuqua and Alan Freed
Performed by The Moonglows
Courtesy of MCA Records


"Firenze Sogna"
Written by Cesarini
Performed by Giuseppe Di Stefano
Courtesy of London Records, a Division of PolyGram Records, Inc.


"Speedo"
Written by Esther Navarro
Performed by The Cadillacs
Courtesy of Rhino Records


"Parlami d'amore Marilù"
Written by Enrico Neri and Cesare A. Bixio (as C.A. Bixio)
Performed by Giuseppe Di Stefano
Courtesy of London Records, a Division of PolyGram Records, Inc.


"Stardust"
Written by Hoagy Carmichael and Mitchell Parish
Performed by Billy Ward and His Dominoes
Courtesy of Billy Ward c/o Original Sound Entertainment


"This World We Live in"
("Il cielo in una stanza")
Written by Gino Paoli (as Toang), Mogol and Don Raye (as Raye)
Performed by Mina
Courtesy of Shad/Mainstream Records
by Arrangement with Celebrity Licensing Inc.


"Playboy"
Written by Brian Holland, Robert Bateman and William Stevenson
Performed by The Marvelettes
Courtesy of Motown Record Company, L.P.


"It's Not for Me to Say"
Music by Robert Allen
Lyrics by Albert Stillman (as Al Stillman)
Performed by Johnny Mathis
Courtesy of CBS Records, Music Licensing Derpartment


"I Will Follow Him"
("Chariot")
Written by Norman Gimbel, Arthur Altman, J.W. Stole and Paul Mauriat (as Del Roma)
Performed by Betty Curtis
Courtesy of CGD Records


"Then He Kissed Me"
Written by Phil Spector, Ellie Greenwich and Jeff Barry
Performed by The Crystals
Courtesy of Phil Spector Records Inc. by Arrangement with ABKCO Records


"Look in My Eyes"
Written by Richard Barrett
Performed by The Chantels
Courtesy of Rhino Records


"Roses Are Red"
Written by Al Byron and Paul Evans
Produced by Bob Gaudio
Performed by Bobby Vinton
Courtesy of Curb Records


"Life Is But a Dream"
Written by Raul Cita and Hy Weiss
Performed by The Harptones
Courtesy of Old Town Records - Paradise Records, Inc.


"Leader of the Pack"
Written by Shadow Morton (as George Morton), Jeff Barry and Ellie Greenwich
Performed by The Shangri-Las
Courtesy of Sun Entertainment c/o Original Sound Entertainment


"Toot, Toot, Tootsie (Goo' Bye!)"
Written by Dan Russo, Ernie Erdman and Gus Kahn


"Happy Birthday to You"
Written by Mildred J. Hill and Patty S. Hill


"Ain't That a Kick in the Head"
Written by Sammy Cahn and Jimmy Van Heusen
Performed by Dean Martin
Courtesy of Capitol Records by Arrangement with CEMA Special Markets


"He's Sure the Boy I Love"
Written by Barry Mann and Cynthia Weil
Performed by The Crystals
Courtesy of Phil Spector Records Inc. by Arrangement with ABKCO Records


"Atlantis"
Written by Donovan (as Donovan Leitch)
Performed by Donovan
Courtesy of CBS Records, Music Licensing Department


"Pretend You Don't See Her"
Written by Steve Allen
Performed by Jerry Vale
Courtesy of CBS Records, Music Licensing Department


"Remember (Walkin' in the Sand)"
Written by Shadow Morton (as George Morton)
Performed by The Shangri-Las
Courtesy of Sun Entertainment c/o Original Sound Entertainment


"Baby I Love You"
Written by Ronny Shannon
Performed by Aretha Franklin
Courtesy of Atlantic Recording Corporation
by Arrangement with Warner Special Products


"Beyond the Sea"
Written by Jack Lawrence and Charles Trenet
Performed by Bobby Darin
Courtesy of Atlantic Recording Corporation
by Arrangement with Warner Special Products


"The Boulevard of Broken Dreams"
Written by Al Dubin and Harry Warren
Performed by Tony Bennett
Courtesy of CBS Records, Music Licensing Department


"Gimme Shelter"
Written by Mick Jagger and Keith Richards
Performed by The Rolling Stones
By Arrangment with ABKCO Music & Records, Inc.


"Wives and Lovers"
Written by Burt Bacharach and Hal David
Performed by Jack Jones
Courtesy of MCA Records


"Monkey Man"
Written by Mick Jagger and Keith Richards
Performed by The Rolling Stones
By Arrangment with ABKCO Music & Records, Inc.


"Frosty the Snow Man"
Written by Steve Nelson and Jack Rollins
Performed by The Ronettes
Courtesy of Phil Spector Records Inc. by Arrangement with ABKCO Records


"Christmas (Baby Please Come Home)"
Written by Phil Spector, Ellie Greenwich and Jeff Barry
Performed by Darlene Love
Courtesy of Phil Spector Records Inc. by Arrangement with ABKCO Records


"Bells of St. Marys"
Written by Douglas Furber and Emmett Adams
Performed by The Drifters
Courtesy of Atlantic Recording Corporation
by Arrangement with Warner Special Products


"Unchained Melody"
Written by Hy Zaret and Alex North
Performed by Vito and The Salutations
Courtesy of Arista Records


"Danny Boy"
Written by Frederick Edward Weatherly (as Frederick E. Weatherly)


"Sunshine of Your Love"
Written by Jack Bruce, Pete Brown and Eric Clapton
Performed by Cream
Courtesy of PolyGram Special Products, a Division of PolyGram Records, Inc.


"Layla (Piano Exit)"
Written by Eric Clapton and Jim Gordon
Performed by Derek & The Dominos (as Derek and The Dominos)
Courtesy of PolyGram Special Products, a Division of PolyGram Records, Inc.


"Jump into the Fire"
Written by Harry Nilsson
Performed by Harry Nilsson
Courtesy of RCA Records


"Memo from Turner"
Written by Mick Jagger and Keith Richards
Performed by The Rolling Stones
By Arrangment with ABKCO Music & Records, Inc.


"Magic Bus"
Written by Pete Townshend
Performed by The Who
Courtesy of MCA Records


"What Is Life"
Written by George Harrison
Performed by George Harrison
Courtesy of Apple Records
Courtesy of Apple Records by Arrangement with CEMA Special Markets


"Mannish Boy"
Written by Muddy Waters (as McKinley Morganfield), Mel London and Bo Diddley (as Ellas McDaniel)
Performed by Muddy Waters
Courtesy of CBS Records, Music Licensing Department


"My Way"
Written by Claude François, Jacques Revaux and Paul Anka
Produced by Steve Jones
Performed by Sid Vicious
Courtesy of Virgin Records Limited/Glitterbest, Inc.

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