quarta-feira, 13 de julho de 2011

Zodíaco

Zodiac, 2007/ Dirigido por David Fincher
Com Jake Gyllenhalal, Mark Ruffalo, Robert Downey Jr., Brian Cox, Phlip Baker Hall, Elias Koteas, Anthony Edwards e  John Carrol Lynch

(3/5)

Em fins da década de 1960, uma série de assassiantos aterrorizaram a região da Califórnia, dos EUA. O suposto assassino enviou diversas cartas para a polícia e para a imprensa, contendo informações sobre os crimes e criptogramas, supostamente contendo pistas sobre sua identidade. Tais cartas eram assinadas com o nome "Zodíaco".  O assassino do Zodíaco, como ficou conhecido, continuou agindo na década de 1970, matando mais de 30 pessoas, mas nunca foi pego pela polícia. Embora mais de 2.500 tenham sido consideradas suspeitas, nunca se leantou provas suficientes contra nenhuma delas, e o caso continua aberto até os dias de hoje.

Uma história desse porte e com tanto potencial cinemtográfico poderia render uma obra-prima. Entretanto, o diretor David Fincher falha no que parece ser uma busca de "grandeza", com  o filme apresentando uma metragem absolutamente desnecessária (são 158 minutos, no total), um roteiro deveras confuso,  e montagem problemática, com a segunda metade quase "derrubando" tudo de bom que havia sido construído ao longo da primeira parte de "Zodíaco". . Por outro lado, Fincher conseguiu realizar um filme atmosférico, bem dirigido, com algumas das melhores seqüências já concebidas pelo diretor, e a própria complexidade da trama acaba mantendo o interesse até os créditos finais.

Como já dito acima, o início do filme é primoroso. Toda a primeira seqüência, na qual acompanhamos as primeiras vítimas do Zodíaco, é interessantíssima, com Fincher construindo um clima de tensão em que, embora saibamos que aquela pessoas serão alvos do criminoso, não sabemos exatamente como isso irá acontecer. Aliás, todas as cenas de ataque do serial killer (e Fincher optou por utilizar atores diferentes em cada uma delas, exatamente para despistar o espectator, o que se revelou uma escolha acertada) estão entre as melhores de todo o filme, com um clima de suspense que muitas vezes nem bons filmes do gênero conseguem apresentar. Além disso, o diretor capricha na construção visual do filme, com bonitas tomadas da cidade de São Francisco, somadas a um trabalho impecável de fotografia.

Por outro lado, nesta primeira metade, acompanhamos também como três indivíduos se envolveram com a série de crimes: o cartunista Robert Graysmith (Jake Gyllenhaal), que escreveu um livro sobre o caso, que por sua vez serviu  como fonte para o roteiro do filme; o jornalista Paul Avery (Robert Downey Jr.); e o inspetor David Toschi (Mark Ruffalo, seguro como sempre). Conhecemos as personalidades de cada um e o interesse deles em descobrir a identidade do assassino, ao mesmo tempo em que se sentem todos perdidos e confusos porque, a cada vez que um suspeito parece ser o criminoso, alguma coisa (sejam as impressões digitais, ou a escrita) acabam o descartando.

É uma pena, porém, que na segunda metade, o filme não mantenha o mesmo nível. O roteiro de James Vanderbilt se perde apresentando uma série de informações completamente irrelevantes, com o único propóstio de fazer o espectador se sentir mais confuso do que os próprios personagens. Aliás, falando destes, Robert Downey Jr. praticamente some do filme, que se foca nas investigações pessoais do personagem de Gyllenhaal. E coletando informações de jornais, arquivos e com policiais, ele vai de um lado para o outro, de uma cidade para outra (e a essa altura já estamos praticamente perdidos no tempo, já que o filme salta de ano em ano com extrema rapidez), com novos suspeitos surgindo e outros sendo descartados, tudo apresentando de forma tão depressa que se torna complicado absorver a quantidade de informações salpícadas pelo roteiro. Toda a habilidade que Fincher havia demonstrado em construir cenas atmosféricas e tensas também se "evapora" (um exemplo é a cena do porão que, em vez de tensa, é excessivamente fria, ainda mais em se tratando de um momento-chave da trama).

Aliás, o inspetor Toschi acaba sendo o personagem mais interessante do filme, dedicando grande parte de sua atuação profissional a tentar capturar assassino do Zodíaco. Em deteeminado momento,  ele parece se cansar da sua tarefa, ainda mais depois que é praticamente abandonado pelo seu parceito Bill Armstrong (Anthony Edwards), e a deixa praticamente toda com  o cartnista Robert.  E  a tentativa de dar alguma profundida à vida deste último soa quase risível, com sua família entrando e saindo de cena com cerca de apenas 15 minutos de filme. Quanto à identidade do Zodíaco, o desfecho é absolutamente previsível e sem grande inspiração por parte do diretor.

No fim, "Zodíaco" acaba sendo mais um filme muito bom de David Fincher, com alguns dos momentos mais interessantes de sua carreira como diretor. É uma pena que apresente um desquilíbrio entre os primeiros 80 minutos e toda a metade final, ficando a sensação de que poderia ter sido feito um filme ainda melhor. 

Por Douglas Braga
13/07/11

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