segunda-feira, 27 de junho de 2011

Biografia: Tennessee Williams

No aniversário de Tennessee Williams, o Ornitorrinco Cinéfilo prepara um especial com sua contribuição ao cinema americano


Dono de um invejável currículo na literatura, no teatro e no cinema, Tennessee Williams pode ser considerado hoje um dos dramaturgos mais aclamados e bem sucedidos do século XX. É um dos poucos a terem realizado a façanha de ter levado para casa dois prêmios Pulitzer, um Tony e duas indicações ao Oscar. Também foi eternizado pela crítica como um dos autores mais influentes de sua geração e o de maior relevância numa época marcada por censuras e barreiras. Seus textos afiados, marcados por diálogos inteligentes e por duplos sentidos, elevaram a dramaturgia americana a um nível de refinamento e força acima do esperado e, graças a eles, que hoje podemos contar com uma liberdade de expressão tão necessária no terreno das artes cênicas.

Nascido Thomas Lanier Williams em 26 de março de 1911 na cidade de Columbus, no Mississippi, ele nunca teve uma relação fácil com seus familiares. Seu pai, Cornelius, era um ex integrante do exército alcoólatra, que descontava na família toda sua raiva com a vida, em especial com Tennessee, além de ser suspeito de tentar abusar sexualmente de sua filha. Sua mãe tinha transtornos sérios de personalidade e sua amada irmã, Rose, com que mais tinha apego, era portadora de esquizofrenia, sofrendo uma lobotomia ainda muito nova, o que acabou deixando-a incapacitada. Depois de crescido, tímido e reprimido, ele acabou se descobrindo homossexual quando foi obrigado a servir no exército, na mesma medida que foi descobrindo uma vontade incontrolável de escrever histórias, que geralmente se focavam em dramas familiares similares aos seus. A partir de então foi seguindo seu próprio caminho até ganhar reconhecimento com suas peças e se tornar quem nós conhecemos hoje.

Casa da família Williams, em Columbus
Apesar de bem resumida, essa pequena introdução sobre a vida de Tennessee é o suficiente para entendermos os fatores que influenciaram todas as suas obras. Temas como alcoolismo, doenças mentais, relações familiares, abusos sexuais, traumas emocionais e homossexualismo estão sempre presentes em seus textos, todos inspirados em sua própria trajetória de vida. Também muito recorrente nas peças do dramaturgo são personagens femininas fortes, que geralmente representam seu alter ego, e personagens masculinos bem moldados num estilo "machão" (fortes, brutos, sensuais e fechados), como um tipo de representação daquilo que o atraía fisicamente (certa vez ele confessou a seu amigo Gore Vidal, um escritor conceituado, que jamais poderia escrever uma peça sem um personagem pelo qual sentisse desejo). Usando esses dois tipos mais básicos como base na hora de criar suas tramas, ele apenas incluía o âmbito familiar para dar um toque teatral para a obra, não sem antes encher seus trabalhos de simbolismos críticos na hora de amenizar o conteúdo escandaloso que geralmente acompanhava as premissas.

Tendo em mente o estilo único do dramaturgo, podemos então entender o impacto de seus textos quando adaptados para o cinema americano ultra moralista das décadas de 1950 e 1960. Analisar brevemente cada uma dessas obras é uma forma que a equipe do blog encontrou de homenagear esse grande nome. Comecemos então na ordem cronológica dos principais filmes lançados com o roteiro baseado em alguma obra de Tennessee Williams. O primeiro deles, e o melhor de todos, é Uma Rua Chamada Pecado (A Streetcar Named Desire, 1951).

Williams (à esquerda) e Kazan
O próprio Williams assinou a adaptação e o roteiro para esse filme de Elia Kazan, que já havia feito sucesso na Broadway nas mãos do diretor. O dramaturgo e o diretor tinham uma grande sintonia artística e conseguiram repetir o sucesso nas telonas, mesmo tendo de ajustar alguns detalhes em função da censura (não que eles tenham alterado drasticamente a trama, apenas "maquiaram" melhor os elementos mais "intensos"). Marlon Brando, inclusive, foi descoberto nessa época ao ganhar o papel de Stanley Kowalski na peça, e foi contratado para repetir a performance no cinema, o que lhe valeu sua primeira indicação ao Oscar. A trama gira em torno de Blanche DuBois (Vivien Leigh), uma mulher de meia idade que vai passar uma temporada na casa de sua irmã Stella (Kim Hunter) e de seu cunhado Stanley. Emocinalmente frágil e repleta de segredos ocultos em sua imagem glamorosa, Blanche é uma representação da decadência da aristocracia sulista, que vai de contra o caráter agressivo e brutal de Stanley, um tipo de personagem que encarna em suas características tudo o que envolve o desejo sexual feminino, incluindo suas contradições. Numa mistura selvagem de tensão sexual com tensão familiar, o embate desses dois personagens se revela um exemplo típico do que agradava Tennessee: uma personagem feminina abalada e traumatizada, que fica à mercê de um homem irracional, mas que ainda assim emite um tipo de atração incontrolável nela. Aproveitando a deixa, Kazan guiou seus atores principais de modo que incluíssem em suas performances um berrante contraste entre o jeito tradicional de atuar em Hollywood (Vivien Leigh abusa dos gestos exagerados, da maneira de se mover teatralizada e do tom melodramático tão comum e artificial nas produções da Velha Hollywood, como forma de mostrar que aquilo estava tão decadente quanto sua personagem) com uma maneira nova de transmitir emoções (Marlon Brando rompe barreiras e dá realismo ao seu personagem, mudando para sempre a tradição cênica do cinema americano e jogando longe aquele estilo mais caricato e forçado dos personagens masculinos da época). O filme foi um sucesso e rendeu à Williams uma indicação ao Oscar de Roteiro, além de inúmeras outras indicações (Vivien Leigh, Kim Hunter e Karl Malden saíram da cerimônia com certa estatueta dourada nas mãos).

Depois foi a vez de uma das peças mais fracassadas de Williams ganhar vida no cinema. A Rosa Tatuada (The Rose Tatoo, 1955) é um filme feito com a intenção de reinventar uma história que já não tinha dado certo nos palcos. Williams mais uma vez se responsabilizou com o roteiro e o resultado foi incrível, embora tenha caído totalmente no esquecimento. A história é sobre Serafina (Anna Magnani), uma costureira viúva que, enquanto conserta a camisa do caminhoneiro Álvaro (Burt Lancaster), vai mantendo uma conversa cada vez mais intensa com seu cliente, que alcançará proporções inimagináveis. Mais ameno e longe dos costumeiros dramas profundos do autor, essa história se faz valer por sua sutileza e inteligência, pois vai ganhando uma importância gradual, apenas na base de diálogos. O talento apurado dele em escrever falas nunca foi tão bem exibido quanto nessa obra, ofuscando totalmente a direção iniciente e trôpega de Daniel Mann. Mais uma vez o Oscar reconheceu o valor da história e premiou a atriz principal (que soube muito bem aproveitar sua personagem bem contruída), além de outras categorias secundárias também terem levado a estatueta (inclusive foi indicado a Melhor Filme, embora não tenha vencido).

A segunda parceria nos cinemas entre Tennessee e Kazan se deu logo em seguida com o até hoje inexplicável Boneca de Carne (Baby Doll, 1956). Desta vez guiado por um personagem masculino, o filme não apresenta as características mais marcantes no estilo de Williams, embora haja uma personagem feminina essencial, um tipo de coadjuvante de luxo. Baby Doll Meighan (Carroll Baker) é a tal personagem, que é usada como um objeto num jogo de conflitos de negócios entre seu marido Archie (Karl Malden) e o falido Silva Vacarro (Eli Wallach). Sem conseguir definir ao certo o objetivo dessa história, Kazan se perde no texto denso e difícil de Williams, de modo que a trama parece nunca decolar. Temas distintos como adultério e conflitos empresariais se chocam e nenhum consegue assumir a liderança, de forma que o roteiro bem cosntruído acaba sendo prejudicado. Baby Doll, que era para ser uma personagem folgosa e dúbia, acabou virando um tipo de vadia a ser usada como mero objeto sexual, fugindo da intenção inicial do autor da peça. Isso não foi problema para Tennessee, que recebeu mais uma vez o prestígio de ser indicado ao Oscar por esse trabalho. Mesmo que a obra tenha sido nomeada em outras categorias, não levou nenhuma e não é exatamene do tipo memorável. 
Em 1958 foi lançado então um dos filmes mais famosos baseados em uma peça de Williams, embora seja também aquele que o dramaturgo mais destestou. Ao contrário dos outros filmes já mencionados, neste o dramaturgo não participou na composição do roteiro, que ficou a cargo de James Poe e Richard Brooks, que também é o diretor. Gata em Teto de Zinco Quente (Cat on a Hot Tin Roof, 1958) é hoje uma das obras mais importantes e mais aclamadas pelos críticos de cinema. Talvez isso se dê, mesmo com a desaprovação de Tennessee, pelo fato de ser uma das tramas que mais imprimem o jeito dele em criar situações baseadas em dramas familiares. Depois de um começo exagerado e excessivamente teatral, a obra vai ganhando uma densidade assustadora e os personagens vão sendo desvendados de uma tal maneira que o final se torna um verdadeiro palco para um inesquecível clímax. A trama aborda a vida do casal Maggie (Elizabeth Taylor) e Brick Pollitt (Paul Newman), que passam por uma crise conjugal cujo o motivo é um verdadeiro mistério para o público. O que sabemos é que Brick evita Maggie e sente repulsa por ela, que, por sua vez, sente um enorme desejo sexual pelo marido, mas não é correspondida. Para piorar, tudo isso ocorre durante o dia da comemoração do aniversário do pai de Brick, o patriarca que está prestes a morrer e que deixará sua fortuna para um de seus dois filhos. Aos poucos esse drama vai dando espaço para um verdadeiro suspense em volta do passado de todos ali e temas como homossexualismo ganham um tipo de atenção discreta, porém decisiva. Mais uma vez podemos ver um personagem masculino durão e alcoólatra, uma protagonista sexy e dúbia, a suspeita de um personagem ser gay e um drama familiar pesado: tudo o que Tennessee mais amava escrever. Gata em Teto de Zinco Quente também marca a primeira vez de Elizabeth Taylor numa produção baseada numa peça de Williams, que depois repetiria a dose inúmeras vezes, sendo a atriz que mais protagonizou as personagens centrais escritas por ele no cinema. O filme foi indicado a seis Oscar, inclusive de Melhor Filme e Melhor Atriz.

Um dos menos conhecidos e também mais dispensáveis de todos talvez tenha sido este seguinte, Vidas em Fuga (The Fugitive Kind, 1959). Marlon Brando repete aqui a parceria com Tennessee, que também assina o roteiro, e o grande Sidney Lumet se encarrega da direção. Brando vive Valentine Xavier, um músico itinerante, que pela primeira vez decide se instalar fixamente numa pequena cidade próxima a New Orleans. Neste lugar ele se envolverá com uma mulher casada e tentará esquecer de seu passado nebuloso. Agora guiada por um homem, essa história talvez seja a mais diferente de Williams na composição dos personagens, já que nenhuma mulher da trama tenha força o suficiente para competir com Brando. Por outro lado, é a história que mais representa o estilo do escritor na hora de escolher seus cenários. Tennessee nunca gostou muito de escolher a elite na hora de montar seus textos, e sim lugares mais pobres, como New Orleans, repletos de casebres decadentes e gente humilde vivendo conflitos por detrás dessas construções aparentemente inofensivas. A pobreza, o som de jazz (estilo musical que sofria preconceito na época por ser mais tocado pela população negra), a fumaça, os bares, as ruelas, a típica periferia era um tipo de simbolismo em volta da situação miserável, mas não menos empolgante e pulsante, de seus personagens. Dentro desse tipo de território suas histórias fluiam melhor e seus resultados eram mais satisfatórios.

Hepburn no set de De Repente, No Último Verão
De Repente, No Último Verão (Suddenly, Last Summer, 1959) é, com certeza, o filme mais definitivo a respeito da obra de Tennessee Williams. Se alguém quiser um dia entender tudo o que envolve a obra do dramaturgo, encontrará neste filme/peça todos os elementos mais usados por ele, sem excessões. É também nele que podemos encontrar as maiores referências da vida pessoal de Tennessee, já que cada personagem presente representa um membro da família dele. A trama é forte e pesada, carregando em si elementos difíceis que geralmente nunca dividem espaço numa mesma obra. Elizabeth Taylor, mais linda e talentosa do que nunca, encara o difícil papel de Catherine Holly, uma garota que sofre um trauma enorme depois de uma viagem à África, em que vê seu amigo, por quem era secretamente apaixonada, ser devorado por nativos. O tal amigo, na verdade, era gay e flertou com tais nativos, desencadeando assim a tragédia. Agora de volta para casa ela acaba bloqueando esse episódio de sua memória e praticamente enlouquece. Sua rica tia, Violet Venable (Katharine Hepburn), temerosa de que Catherine conte para alguém o ocorrido, contrata o neurologista Dr. Cukrowicz (Montgomery Clift) para realizar na moça uma lobotomia. No entanto, o médico acaba se interessando verdadeiramente pelo passado de Catherine e decide ajudá-la sem o procedimento cirúrgico que certamente a deixaria incapacitada. Temos aqui um conjunto de tudo que fez da vida de Williams ser como era: ele escreveu essa trama logo após uma desilusão amorosa com uma mulher e, por causa disso, se descobriu homossexual. Depois temos a personagem de Catherine, que representa Rose, a irmã de Tennessee, que também era taxada de louca e sofreu uma lobotomia autorizada pelos próprios pais. Violet é um tipo de representação dos pais duros e insensíveis de Williams, que só se preocupavam com as aparências. E, por último, temos o neurologista, que representa a salvação de Caherine, aquele que acredita que ela não é louca e se apaixona por ela. Ele é aquilo que Tennessee gostaria que tivesse acontecido no seu caminho e no de sua irmã. O filme foi indicado em três categorias do Oscar, inclusive Katahrine Hepburn e Elizabeth Taylor competiram pela estatueta de Melhor Atriz.

Agora na década de 1960, um pouco menos moralista e taxativa, as obras menos ousadas de Tennesssee foram adaptadas para o cinema, já que as mais escandalosas já haviam sido. Por causa disso, podemos dizer que foram poucas as que realmente chamaram a atenção. Doce Pássaro da Juventude (Sweet Bird of Youth, 1962) foi a primeira da década, mas não possui a presença de Williams na adaptação do roteiro, que ficou por conta de Richard Brooks, o mesmo de Gata em Teto de Zinco Quente. Seu enredo se foca na vida de Chance Wayne (Paul Newman), um ator fracassado que volta para sua cidade natal para fazer um teste de elenco. Lá ele reencontra sua ex-namorada, Heavenly Finley (Shirley Knight) e seu passado com ela e coma cidade passa a ser revelado aos poucos. Williams também detestou essa adaptação, talvez por achar que Brooks não era um diretor capaz de adaptar suas histórias para o cinema. De fato, aqui os diálogos afiados do texto original não possuem tanta força, os conflitos são tantos que acabam se misturando numa coisa só e perdem assim sua emoção, e o elenco parece deslocado e pouco à vontade, contribuindo para uma total falta de química e sintonia entre eles. Paul Newman se destaca, mas quem levou a estatueta do Oscar foi Ed Begley, que interpreta um político, pai de Heavenly.

Richard Burton e Sue Lyon
Ninguém menos que John Huston foi o próximo diretor da fila a adaptar uma peça de Williams para o cinema, com o curioso A Noite do Iguana (The Night of the Iguana, 1964). Nele conhecemos o ex-reverendo Lawrence Shannon (Richard Burton), que guia um grupo de mulheres por monumentos religiosos no México. Lá, a adolescente Charlotte (Sue Lyon) insiste em tentar seduzir Shannon, que a repele imediatamente. No entanto, a mulher responsável por Charlotte, Judith (Grayson Hall), acredita que é o reverendo que está tentando seduzir a jovem, ligando imediatamente para que seu irmão juiz venha para o local e tome providências. Ciente disso, Shannon sequestra o ônibus e foge com todas as mulheres ali para uma pousada de sua amiga, Maxine (Ava Gardner). Para complicar ainda mais as tensões entre todos, surge também nessa pousada uma misteriosa mulher que aparenta ser uma vigarista fugitiva, Hanna (Deborah Kerr). A trama é muito complicada, cheia de personagens e parece que muda de objetivo a cada nova situação. O que a princípio parecia um enredo envolvendo um ex-reverendo tentando provar sua inocência diante de uma garota oferecida, acaba se encaminhando para uma sub trama ambientada em uma pousada cheia de gente estranha. Nesse meio tempo temas fortes como lesbianismo e mentira surgem de maneira inesperada. Ou seja, tudo vira um circo de histórias mescladas que não conseguem formar uma trama homogênea, de modo que o filme termina sem mostrar a que veio. Foi indicado em três categorias no Oscar, e levou a de Melhor Figurino em Preto e Branco.

A última participação de Tennessee na adaptação de um roteiro foi em O Homem que Veio de Longe (Boom, 1968), filme estrelado por Elizabeth Taylor e Richard Burton e dirigido por Joseph Losey. Aqui a trama foge bastante do convencional para o dramaturgo. Trata-se da vida de Sissy (Taylor), uma escritora que vive isolada numa ilha do mediterrâneo junto com suas empregadas. Doente e debilitada, ela passa seu tempo entre tomar injeções e montar sua biografia. Mas eis que surge no local o atraente Chris Flanders (Burton), um homem que tem o hábito de visitar mulheres morinbundas. Durante um jantar na casa de Sissy se desencadeará uma louca trama que terá o poder de mudar a vida de todos ali, principalmente com a presença de um vizinho conhecido pelo apelido de A Bruxa de Capri. Temos aqui um exemplar raro de Tennessee flertando com o suspense, numa obra que tem em sua essência a morte como tema principal. Trata-se de um ensaio sobre a forma como homens e mulheres encaram tanto a vida como a morte, e acaba sendo também como um tipo de requiém para Williams, que já não estava mais em forma e começava a rarear seus trabalhos. Interessante notar como ele usa a costumeria enxurrada de diálogos, mas desta vez para ressaltar gêneros diferentes do drama. Infelizmente, a vida de glamour e escândalos entre Elizabeth Taylor e Richard Burton acabou ofuscando o próprio filme, atraindo um público interessado em ver os astros contracenando juntos, mas não necessariamente interessado em compreender a trama.

Depois de O Homem que Veio de Longe, Tennessee Williams nunca mais voltou a aparecer nos créditos dos filmes como roteirista. Algumas obras depois desta, claro, usaram referências dos textos dele, como é o caso do mais recente Tesouro Perdido (The Loss of Teardrop Diamond, 2008), mas o que prevalece até hoje do legado dele são suas peças teatrais sendo reapresentadas constantemente nos mais conceituados palcos do mundo.

Infelizmente são poucos os roteiristas, e até mesmo dramaturgos, que possuem o cacife de Tennessee, principalmente no que diz respeito aos diálogos e a sutileza com que ele abordava seus temas principais, que geralmente eram tão fortes. Com o tempo os filmes foram desvalorizando os diálogos e favorecendo ações, de modo que o que mais podemos ver hoje são filmes de estética perfeita, mas completamente ocos em conteúdo. Uma ficção realmente boa precisa, antes de tudo, de um bom texto sendo proferido por personagens bem construídos (o que é mais ou menos a essência que o teatro procura manter, mas não os filmes). Por isso esse grande dramaturgo faz falta hoje em dia nas telonas, embora não tenha sido necessariamente um cineasta. De fato, são poucos os que participaram tão perifericamente no mundo do cinema e conseguiram marcar tanto como ele. Se no teatro, a grande arte pelo qual ele é lembrado, ele já fez milagres, não é de menos com o cinema, que embora não o tenha mais hoje, agradece sua existência diante de uma tão rica e improtante filmografia. Tennessee Williams morreu no dia 25 de fevereiro de 1983 sob circunstâncias misteriosas, o suficiente para eternizá-lo como lenda.

Por Heitor Romero
27/06/2011

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