Harry Potter e as Relíquias da Morte: Parte 2 (crítica II)

Para Victor Bruno, a última parte da saga de Harry Potter não é nada demais, nem nada de menos. Apenas o suficiente

Harry Potter e as Relíquias da Morte: Parte 2

A saga de Harry, Hermione e Ron chega ao fim e Douglas Braga não gosta nada da sua conclusão

Especial David Fincher: A Rede Social

Na última parte do Especial, relembre o que Victor Bruno escreveu sobre A Rede Social, mais recente filme de David Fincher

Especial David Fincher: O Curioso Caso de Benjamin Button

Victor Bruno faz uma análise de O Curioso Caso de Benjamin Button, no penúltimo filme comentado neste especial

Especial David Fincher: Zodíaco

O nosso especial sobre David Fincher continua com Douglas Braga falando sobre Zodíaco, mais um thriller investigativo do norte-americano

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Reservoir Dogs XXX

Eis que, enquanto o público espera Tarantino decidir-se entre a prequela de Bastardos Inglórios (Inglourious Basterds, 2009), a sequência de Kill Bill (Kill Bill Vol. 2, 2004) ou um filme com a Lady Gaga, surge um "remake" baseado em Cães de Aluguel. Mas não é qualquer remake: é um remake pornô.

A produtora Exquizite Films, que já havia anunciado o projeto ano passado (segundo o site Vírgula), agora lança o trailer, no AVN deste ano. Assista-o na janelaa baixo.



Agora, o nome do diretor: General Stone. Alguém aí se lembra do Coronel de Boogie Nights?

Por Victor Bruno

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Oscar 2011 - ao Vivo

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Os (25) eleitos

Por algum motivo que, pessoalmente, não consigo explicar, listas exercem um fascínio no mundo do cinema. Cria-se listas sobre tudo: melhores filmes, melhores falas, melhores roteiros, melhores fotógrafos, melhores atores e atrizes, melhores cenas, melhores beijos, melhores uma-paulada-de-coisas. Deve ser do universo cinematográfico. Desde que o Cinema é cinema, tem-se este hábito.

Isto não é de todo ruim. Dá um senso de organização. Existem pessoas que repudiam. Eu? Não. Não gosto, não gosto de fazer, mas não recrimino. Além deste senso de organização, listas possuem outra função: competência. Listas dão um ar de competência. De rivalidade. Imagine você se só existisse uma rede de supermercado (imagine se fosse – Deus nos livre – o Pão de Açúcar). Como seria isto? Sem a concorrência, o supermercado pararia de prestar atenção na qualidade do serviço, ou no cliente (isso se algum dia eles prestaram atenção no cliente). Afinal, seria apenas um supermercado – querendo ou não, você tem que ir lá.

O mesmo funciona com listas. O problema é: nunca elas soam agradáveis. É aquela velha história – não dá para agradar a todos. O que realmente é uma pena. Só que surge um problema maior. Bem maior. A falta de coerência. Quando olho para uma lista como esta, divulgada no meio desta semana pela Entertainment Weekly, sinto vontade de chorar.

Estão listados abaixo os 25 melhores diretores em atividade, segundo a EW.

  1. David Fincher
  2. Christopher Nolan
  3. Steven Spielberg
  4. Martin Scorsese
  5. Darren Aronofsky
  6. Joel and Ethan Coen
  7. Quentin Tarantino
  8. Terrence Malick
  9. Clint Eastwood
  10. Pedro Almodovar
  11. Paul Thomas Anderson
  12. Guillermo Del Toro
  13. Roman Polanski
  14. Danny Boyle
  15. Kathryn Bigelow
  16. David O. Russell
  17. David Lynch
  18. James Cameron
  19. Peter Jackson
  20. Edgar Wright
  21. Spike Lee
  22. J.J. Abrams
  23. Brad Bird
  24. Mike Leigh
  25. Wes Anderson

A única pergunta que faço é a seguinte: o que esses caras fumam? A real impressão é que eles pegaram uns indicados do Oscar aqui, uns pop ali (Edgar Wright, sério?) e socaram tudo numa lista aleatoriamente.

E modéstia à parte, eu acho que estou certo. Por que esta lista chega a ser constrangedora.

Por Victor Bruno

Coletânea Oscar 2011

Hoje deve ser o dia mais esperado do ano. Não, não é o dia das mães nem o aniversário do Ornitorrinco Cinéfilo. É dia de Oscar. O dia em que cinéfilos e não-cinéfilos estão sentados diante da TV assistindo a nata de Hollywood entrar no Kodak Theater para a receberem o prêmio de cinema mais popular (e polêmico) do mundo.

O Ornitorrinco Cinéfilo – sim, nós –, resolvemos lançar a coletânea de críticas escritas para os filmes indicados ao Oscar de Melhor Filme do Ano. Dos dez filmes, criticamos oito. Infelizmente deixamos pendentes O Vencedor, A Origem e O Discurso do Rei.

Cisne Negro
Minhas Mães e Meu Pai
127 Horas
A Rede Social
Toy Story 3

Bravura Indômita
Inverno da Alma

Da Redação

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Control

Control 2007 / Dirigido por Anton Corbijn
Com Sam Riley, Samantha Morton, Alexandra Maria Lara, Joe Anderson, James Anthony Pearson, Harry Treadaway, Craig Parkinson e Toby Kebbell



(3/5)

Falar sobre coisas populares sempre é difícil. Se fazem um filme sobre um livreco que arrebata multidões enfurecidas de fãs malucas, este filme tem que ser fiel ao extremo. “Por que não colocaram a parte que blá, blá, blá?” Falar sobre Joy Division deve ser quase a mesma coisa. Mesmo que não tenham milhares de fãs-clubes – e mesmo que pouquíssima gente saiba o que diabos seja Joy Divison, esta banda deixou sua marca no asfalto da história da música, e deve, por mais difícil que pareça ser (ou admitir), ser respeitada. Afinal, o Joy Division teve um dos líderes/vocalistas mais emblemáticos da História: Ian Curtis (Sam Riley). De todo modo, existem os fãs, que vão assistir ao filme querendo ampliar seus conhecimentos sobre a banda – ou apenas ver a imagem do seu ídolo numa tela de cinema. De todo modo, é fogo cruzado.

Ian Curtis – qualquer um que tenha o mínimo de conhecimento sobre o Joy Division deve saber isso – teve uma vida atribulada. Um sujeito de personalidade retraída, valores distorcidos pelos seus fluxos de consciência, um rebelde sem causa. Morreu jovem, aos 23 anos, assim como 90% dos líderes destas personalidades (Sid Vicious, alguém?). Teve seu coração e mente divididos entre três amores: Debbie (Samantha Morton), sua esposa; Annik (Alexandra Maria Lara), sua amante belga; e a música, personificada no Joy Division, banda que formou com os seus amigos de bar em Manchester (originalmente chamada de Warsaw). O diretor holandês Anton Cobijn tem que encaixar este quebra-cabeça (que, acreditem, é caótico) num filme de pouco mais de duas horas. Cobijn aqui é uma espécie de Peter Jackson – assim como o nerd neozelandês é fã de Tolkien, o holandês Cobijn é fã de Curtis. E não se esqueçam dos fãs do Joy.

Filmado totalmente em preto e branco, Cobijn tenta montar uma atmosfera depressiva, funcionando como uma espécie de espelho para a personalidade de Ian Curtis. O diretor emprega enquadramentos simétricos e chapados, tirando assim qualquer tipo de visão periférica que a imagem pudesse nos oferecer. Novamente, nota-se que o filme quer retratar fielmente a visão de mundo que o vocalista do Joy Division tinha: distorcido, negro e sem esperança. Olha-se sempre para a frente, por que o passado já não interessa, e o curso da vida não pode ser modificado. Curtis era um fatalista. Um emprego brilhante que esta “falta de elegância” estética visual adotada por Cubijn (e brilhantemente executada pelo seu fotógrafo Martin Ruhe) pode ser visto quando Ian, já apaixonado por Annik, diz para Deborah “Acho que não te amo mais”. Observe como Ruhe e Cubijn deixam o background da cena totalmente fora de foco, e a câmera não nos permite ver toda a rua.

Mas isso – por incrível que pareça – não é surpreendente, Cubijn tem como formação a fotografia documental. Seus enquadramentos simétricos (parecem ser retirados dos filmes do Kubrick, ou, de modo mais radical mais radical, dos filmes de Wes Anderson), soam como se fossem retirados de um photobook. E isso auxilia muito. Este clima austero ajuda demais no estabelecimento do que considero a melhor coisa do filme: a sua linearidade narrativa, e, acima de tudo, no bom andamento da trama. É incrível como Cubijn consegue manter um ritmo consistente durante todo o filme, quase sem nenhuma espécie de rapidez exagerada nas cenas, ou lentidão excessiva. O ritmo do filme é bem uniforme, calmo, corre sem pressa. Cubijn preza por uma montagem limpa, excepcionalmente executada por Andrew Hulme.

Por outro lado o roteiro de Control, escrito por Matt Greenhalgh – que parece ter se especializado em roteirizar filmes sobre ídolos da música, já que ele é o mesmo roteirista de O Garoto de Liverpool (The Nowhere Boy, 2009), filme que aborda os primeiros anos de carreira de John Lennon –, apresenta um excesso de elipses narrativas que tornam-se irritantes. E elas começam cedo na trama. Logo no início, em um instante estamos vendo Ian e Deborah numa árvore. De repente ele surta e pede-a em casamento. No instante seguinte, estamos na igreja. Mais um pouco e eles já estão tendo filhos (!). Isto não é realmente um problema do roteiro, mas exige que o espectador preste um pouco mais de atenção. Às vezes eu pensei, durante o filme, que estas elipses eram preguiça de Greenhalgh para contar a história. Logo descartei. É este o estilo do filme. Mas o que chateia mais nisso é que estes jump cuts constantes interferem exatamente numa das características mais importantes (e interessantes, sendo sincero) do protagonista: seus fluxos de consciência. Ou seja, seus monólogos interiores. O filme é aberto exatamente um destes fluxos, um diálogo entre Ian e Ian sobre a vida. Como ele tenta viver. E desde o princípio nós notamos o seu tom de voz afetado e triste, dois maneirismos que são extremamente bem interpretados por Sam Riley, numa ótima performance.

Riley (o protagonista do novo filme de Walter Salles, On the Road), por sinal, baixa o próprio Ian Curtis. É realmente impressionante vê-lo durante as apresentações da banda, assumindo o mesmo jeitão desengonçado do vocalista do Joy Division. Ou triste, dependendo da situação. Repare como ele se atém sempre ao canto do enquadramento, ou na parte mais escura. Artifício utilizado justamente para mostrar – novamente – o reflexo da sua personalidade. Todavia, apesar destas qualidades, no fundo, no fundo, o Curtis deste Control não parece ser nada além de um garotinho mimado com crises existenciais, uma falha crassa não de Riley, mas do roteirista Greenhalgh. Afinal quem era este rapaz, que, no início, se travestia de David Bowie e tinha uma gangue de fumantes? Sua epilepsia, nunca é bem abordada durante a trama. Quem é Annik, qual sua real função durante a trama, além de ser amante de Ian? São pontos abertos deixados pelo roteiro. Aqui e acolá Ian tem alguns monólogos interiores que revelam algo, mas, no mais, Greenhalgh parece sair catando o que acha mais interessante na vida de Ian Curtis e joga no roteiro. Felizmente os bons diálogos encenados pelas personagens (destaque para o desbocado Rob Gretton, interpretado por Toby Kebbell, de Rock'n'Rolla – A Grande Roubada (Rock'n'Rolla, 2008)) salvam tudo de um provável desastre. Destaque ainda para Samantha Morton, como Deborah, a alma da família Curtis.

Contando ainda com uma boa trilha sonora, povoada pelo som do punk-rock dos anos 70 na Inglaterra, Control prova-se um ótimo filme de um adolescente-adulto com crises existenciais. É uma espécie de “coming of age”, além de servir como guia para quem quer se adentrar nas matas da música britânica. Claro, não posso me esquecer do tremendo ato de coragem de Deborah Curtis em produzir o filme (ela, viúva de Curtis, é produtora executiva de Control).

Control não é nada além da história do Renato Russo britânico (até o registro de voz do cara é similar). E é assim que deve ser visto. Um bom filme didático sobre música.

Por Victor Bruno

sábado, 19 de fevereiro de 2011

127 Horas

127 Hours, 2010/ Dirigido por Danny Boyle
Com James Franco, Kate Mara, Amber Tamblyn, Clémence Poésy e Treat Williams


1/5

No ano de 2003, o engenheiro e montanhista Aron Ralston ficou com parte do braço preso debaixo de uma rocha quando estava escalando um canyon na região montanhosa de Utah, nos Estados Unidos. Aaron ficou impressionantes 127 horas no local, com pouca água, praticamente sem comida, quase nenhum equipamento e sem ninguém saber que ele estava ali. Após conseguir sobreviver, Aaron escreveu o livro "127 Horas - Uma Empolgante História de Sobrevivência" (título brasileiro), que fez bastante sucesso nos Estados Unidos, e não demorou para que sua história chegasse aos cinemas pelas mãos do premiado diretor Danny Boyle.

Entretanto, como retratar no cinema todo esse drama, em que otempo tem importância fundamental, sem cansar o espectador? Danny Boyle topou o desafio, mas o resultado é um fracasso retumbante. Nem tanto pelo roteiro, que é correto em si, mas pela montagem transloucada, trilha sonora sonora excessiva e, principalmente, a direção equivocada de Boyle.



"127 Horas" já começa mal, e toda sua introdução parece um grande equívoco. Dá-lhe a divisão em três partes de cada cena, a trilha insuportável de A. R. Rahman (que trabalhou com Boyle no fraco "Quem Quer Ser um Milionário?"), e takes longos de Aaron (James Franco) no canyon. Aind anesse início, Aaron encontra duas moças perdidas na região e as ajuda, momento que é alongado pelo diretor simplesmente para poder provocar um certo melodrama em cena outra posterior.

Eis que o acidente acontece, e Aaron fica com o braço preso debaixo da rocha. A partir de então, Boyle utiliza de todos os recusos possíveis para que não sintamos o tempo passar, o que por si só é uma ambiguidade em um filme que trata exatamente do passar do tempo! E lá se vão cortes rápidos, flashbacks inúteis e algumas seqüências pretensamente nojentas (envolvendo urina, por exemplo) que são absolutamente risíveis. O diretor falha em transmitir toda a agonia que aquele homem estava vivendo; se, por um lado, a água acabava, e seu único contato era com um câmera digital, há diversas cenas "engraçadinhas" que praticamente boicotam o filme a todo momento. O grande destaque e ponto alto do filme que ocorre quase no fim (cena com mutilação) é bem executado, mas não é impressionante como as campanhas publicitárias vêm alardeando.



Para interpretar o protagonista, foi escolhido o ator James Franco, uma das estrelas do momento. E sua atuação não justifica a indicação ao Oscar, já que ele realiza um trabalho apenas eficiente e sem maiores destaques. As pretensas cenas "fortes" não exigem tanto do ator, cuj odesempenho é a todo momento ajudado pela montagem rápida. Mas a Academia de Hlloywood parece gostar dele, e além da vaga de apresentador da cerimônia de 2011, Franco acabou recebendo uma indicação um tanto quanto indevida.

É, assim, de se surpreender a quantidade de indicações que "127 Horas" recebeu no Oscar (é, sem dúvidas, o mais fraco dos indicados a melhor filme) e em outras premiações, considerando que é um filmeco completamente mal realizado, em que aonde Danny Boyle atinge praticamente o fundo do poço.

Por Douglas Braga

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Sobre a importância do diretor, e sua autoridade

Outro dia eu estava conversando com o corredator do blog, Pedro Ruback, quando surgiu a famosa incógnita, talvez a que mais tenha exaltado nervos na história do Cinema: “O diretor é o autor do filme”? Afinal, milhões de teorias e livros já foram escritos acerca deste tema. Aquele pessoal da Cahiers du Cinéma, principalmente François Truffaut, criou a famosa Teoria do Auteur, que afirma categoricamente – “O diretor é o autor do filme”. Logo, se um filme for bom, a culpa é do diretor. Se for mal, idem. Eu concordo. Afinal, nada vai para o filme sem o crivo do diretor. Não um diretor, mas o diretor. Quem você acha que é o autor de Cidadão Kane (Citizen Kane, 1941)? Não é Bernard Herrmann e sua ótima trilha sonora. Também não é Gregg Toland e sua excelente fotografia. O autor de Cidadão Kane é Orson Welles, o diretor. Mas certamente Herrmann e Toland contribuíram bastante para o enriquecimento da estética audiovisual do filme. Welles não era fotógrafo. Muito menos músico. Os detratores da Teoria do Auteur (como a megera Pauline Kael) dizem que o filme é um conjunto de ideias de todas as pessoas que estão envolvidas na obra, desde o sujeito que varre o estúdio para a preparação do set, até o próprio diretor. Ora, não tenho dúvidas quanto a isso. Entretanto estas “ideias” só vão para o filme, sendo captadas em película, se o Sr. Diretor aceitar. Não adianta ficar emburrado, resmungar, chamar o cara de filho-da-mãe arrogante. O diretor é o dono do filme.

Não é arrogância, é uma simples questão de lógica. Veja, Martin Scorsese, em filmes como Os Bons Companheiros (The GoodFellas, 1990), prefere não utilizar trilha sonora composta para o filme. No filme supracitado, ele se utiliza de músicas que tocavam nas rádios na época em que a história acontece. E isto é brilhante! Sinceramente, pense – o que é mais interessante, criar uma cena que contenha o ritmo e som de uma música da época, ou chamar um cara (no caso de Scorsese, Howard Shore) para vir e criar tudo? Me soa muito mais interessante e – sim – autoral. Ali é o crivo (e a autoindulgência de Scorsese) sendo posto em prática. A mesma coisa acontece em Barry Lyndon (Barry Lyndon, 1974), de Stanley Kubrick, onde não há música composta para o filme, o filme foi composto para a música.

Agora, surge aí – o letreiro “Um Filme de...” pode, ou não ser utilizado? É arrogância ou não? A resposta mais óbvia é “Sim, claro, pode ser utilizado”. E esta é a resposta certa. Elementar, meu caro Watson. Se um filme segue o crivo do diretor, se a palavra final é a sua, se tudo gira em função da sua visão única e incomparável, qual o problema? O filme é um conjunto de ideias? Sim. Um filme tem um autor? Sim, e este autor é o diretor. Fim de papo. Arrogância seria se todos dessem uma de M. Night Shyamalan e pusessem, por exemplo, “M. Night Shyamalan's Am I a Dead Man Walking?”. Ou como Michael Cimino fez em O Portal do Paraíso (Heaven's Gate, 1980) e por “Michael Cimino's Heaven's Gate”, e ir além, e se abrir a boca para dizer “Esses caras, diretores de fotografia, como Vilmos Zsisgmond, que se acham mais importante que os diretores. Superiores. Quem se lembra quem fotografou Dr. Fantástico ou Barry Lyndon?” Eu me lembro, Michael. Tanto que por vezes a fotografia de Barry Lyndon é mais citada que o próprio Kubrick. Mas isso não vai servir para me contradizer, já que a ideia de fotografar o filme com luzes naturais, germinou e nasceu na mente do diretor Stanley, sendo soberbamente executada por John Alcott. O filme vive em função do diretor, não o oposto. E ponto final.

Match Point, de Woody Allen.

Por Victor Bruno

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