Harry Potter e as Relíquias da Morte: Parte 2 (crítica II)

Para Victor Bruno, a última parte da saga de Harry Potter não é nada demais, nem nada de menos. Apenas o suficiente

Harry Potter e as Relíquias da Morte: Parte 2

A saga de Harry, Hermione e Ron chega ao fim e Douglas Braga não gosta nada da sua conclusão

Especial David Fincher: A Rede Social

Na última parte do Especial, relembre o que Victor Bruno escreveu sobre A Rede Social, mais recente filme de David Fincher

Especial David Fincher: O Curioso Caso de Benjamin Button

Victor Bruno faz uma análise de O Curioso Caso de Benjamin Button, no penúltimo filme comentado neste especial

Especial David Fincher: Zodíaco

O nosso especial sobre David Fincher continua com Douglas Braga falando sobre Zodíaco, mais um thriller investigativo do norte-americano

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Toca dos Cinéfilos, uma comunidade que vale a pena


A Internet está cheia de porcarias (vai ver este blog é uma). O orkut também (por ser parte da Internet) está cheio de porcarias. Mas, felizmente, volta e meia alguma coisa que presta sai de lá. Por isso eu vou dedicar um post à algo que brilha nesse mar de besteiras que é o orkut.

A comunidade do cara (inssistente e, por vezes irritante, mas um bom adiministrador) conhecido como Donnie . é um belo exemplo de como um tema batido como o cinema pode se sobressair e virar um lar da Sétima Arte. Bem adiministrada e organizada (uma raridade no orkut), é um oáses no meio do inferno de posts que é o orkut. Todo latino-americano sabe disso. Nós somos maioria lá.

Clique aqui para assessar. Divirtam-se.

Ilha do Medo

Ilha do Medo
(Shutter Island, 2010)
Dirigido por Martin Scorsese
Roteiro de Laeta Kalogridis (baseado no livro Paciente 67, de Denis Lehane)
Com Leonardo DiCaprio, Mark Ruffalo, Michele Williams, Ben Kingsley, Max von Sydow

Como diz o pôster brasileiro do filme, a loucura é contagiosa. E com certeza os executivos da Paramount do Brasil se infectaram com essa loucura para tachar o filme de uma maneira tão ordinária. O título orginal do filme Ilha do Medo é Shutter Island. Não sei por que, mas alguém de dentro das paredes do estúdio teve a ridícula idéia de trocar o nome do filme aqui de Paciente 67 para esse título ridículo. Dá a impressão é que esse brilhante suspense psicológico de Martin Scorsese (Touro Indomável, Os Infiltrados) não passa de um filme bobo sobre um serial killer que "aterroriza" uma ilha durante uma festa de adolescentes universitários bêbados fazendo sexo sem culpa. Mas não é nada disso.


Em 1954, Edward "Teddy" Daniels (DiCaprio) e seu parceiro Chuck Aule (Ruffalo) estão investigando o desaparecimento de uma perigosa paciente do Hospital Psiquiátrico Ashecliffe Para Criminosos Insanos, na remota Shutter Island, em Boston. Ao chegar lá, o clima é de mistério, pois aparentemente ninguém parece querer colaborar com os investigadores, nem mesmo os pacientes. Aos poucos Teddy vai sendo consumido pela dúvida e pela loucura (que realmente parece ser contagiosa).

É nesse clima de suspense em que Martin Scorsese cria sua mais recente obra prima. Com certeza. Não entendo por que o filme tem recebido tantas críticas negativas. Por que as pessoas sempre querem que Scorsese faça filmes sobre gângster? Já temos tantos!

Vamos agora para os atores. DiCaprio mostra grande desenvoltura e amadurecimento neste trabalho. Infelizmente ele não consegue tirar aquela cara enjoada dele. São tantas caras e bocas que ele faz que é de se perder a conta. Ele espreme os olhos só para se abaixar. Mark Ruffalo também está muito bem como o parceiro de Teddy, Chuck Aule. Pena que ele só tenha mais espaço no fim da projeção.

O eterno Gandhi, Ben Kingsley, dá uma aula de interpretação como o sombrio Dr. Cawley (este nome te lembra alguma coisa?). Ele não força a cara para parecer incomodado e interpreta seus diálogos com perfeição. Não me surpreenderia em vê-lo indicado para o Oscar de Coadjuvante. Max von Sydow e Michelle Williams estão competentes também como o Dr. Naehring e a esposa morta de Teddy, Dolores.


Foi muita coragem de Scorsese ter deixado a cargo de Laeta Kalogridis um roteiro de um filme tão complexo. Para quem não sabe, Kalogridis escreveu o (in)esquecível Os Desbravadores e foi co-roteirista do multi-reeditado Alexandre, de Oliver Stone. Acho que a pessoa certa para ter escrito o filme (que é uma bizarrice psicológica) chama-se Charlie Kaufman. Não que Kalogridis erre. Seu roteiro é bem amarrado, mas ela ainda tem muito o que aprender.

A fotografia de Robert Richardson (JFK - A Pergunta que Não Quer Calar, Platoon, ambos de Oliver Stone) não apresenta muitas novidades, apenas mescla o seu estilo habitual de cores e luzes com a câmera sempre movimentada de Scorsese. Está competente, como sempre.

Agora a edição... o que é isso?! Thelma Schoonmaker (que edita todos os filmes de Scorsese desde Touro Indomável) mostra por que é a melhor editora viva do cinema norte-americano. Mas infelizmente ela não está à prova de erros. As cenas dos flashbacks e dos pesadelos de Teddy com certeza deveriam ser encurtadas (menos o sensacional flashback final). Faz parecer que o diretor tinha um tempo pré estabelecido pelo estúdio e resolveram adicionar metragem no filme justamente nessas cenas.

O final com certeza você já deve ter visto em filmes anteriores, mas aqui ele com certeza é perfeitamente justificado. Não é motivo você matar o filme inteiro só por que reutiliza um recurso. Os filmes dos Irmãos Coen pegam histórias batidas e sempre saem surpreendentes e foi exatamente isso o que Scorsese fez nessa sua obra-prima. Isso já aconteceu a ele outras vezes, ter sua obra criticada e, mais tarde, voltarem atrás. Espero que os críticos façam isso, pois é imperdoável não admitir que esse filme é um dos melhores e mais engenhosos filmes da carreira deste grande cineasta.

Nota: 4 estrelas em 5.

Cadeira 1 - Martin Scorsese


Como um menino que queria ser padre, crescido em meio a criminalidade, a máfia de Nova York, num dos bairros mais pobres de uma cidade tão seletiva como Nova York, pode se tornar um dos melhores cineastas vivos? Bem, eu não sei, talvez ninguém saiba.

Martin Luciano Scorsese nasceu no bairro do Queens, em Nova York, no dia 17 de Novembro de 1942, filho de Luciano Charles Scorsese e Catherine Scorsese. Asmático, passou a maior parte da sua infância trancado num quarto para evitar o contato com a -- forte -- poluição de Nova York. De lá, o menino Marty só saia para os cinemas, onde tomou usufruiu da boa e velha Época de Ouro do cinema hollywoodiano (imagine o que é ver, na época de lançamento, James Stewart, Vivian Leigh, Kim Novak ou a melhor safra de Hitchcock?).

Foi no meio tempo entre o cinema e o quarto onde ele desenhou storyboards de filmes imaginários. Lá ele aperfeiçoou seu desenho, o que o transformou num bom desenhista, tão bom que Dante Ferreti, desenhista de produção de Cassino e Kundun, diz que os únicos storybards que ele gosta de ver são os do Martin.

Ainda bem que toda essa bagagem cinematográfica só fez bem para ele. São nítidas as referências em seu cinema, com todo seu estilo, e com toda sua beleza. É um colírio para os olhos. Por isso, Martin Scorsese ocupa a cadeira de número 1 nas nossas Cadeiras Especiais e, nos próximos dias, revisaremos suas obras primas (Os Bons Companheiros, Cassino, A Última Tentação de Cristo) e suas obras mais importantes (Depois de Horas, Caminhos Perigosos).

Filmes já comentados:

Cadeiras Especiais

As cadeiras especiais são destinadas à grandes nomes da Sétima Arte, como Stanley Kubrick, Alfred Hitchcok, Charles Chaplin...

Os nomes serão escolhidos pelos leitores do blog, ou quando eu achar conveninente. Tomei a liberdade de escolher o primeiro nome. É Martin Scorsese. Espero que gostem da escolha.

Atualmente os ocupantes das cadeiras são:
  1. Martin Scorsese
  2. Michael Ballhaus
  3. Stanley Kubrick
  4. Saul Bass
  5. Orson Welles

Novo colaborador

Tenho o prazer de anunciar que eu não estou sozinho. Também haverá um parceiro aqui no blog. Pedro Lemgruber será meu comparsa nas críticas dos filmes. Ele é cineasta de curta-metragem, muito talentoso. É um prazer anunciar que ele também está na nossa jornada.

Aqui vão dois curtas dele, divirtam-se:

http://www.youtube.com/watch?v=ekt3N0WKyiI&feature=related (Insônia)

http://www.youtube.com/watch?v=ApvD1JYmDxU (O Suicída e o Computador)

terça-feira, 6 de abril de 2010

A regra de créditos do roteirista na WGA


Provavelmente as pessoas não prestam atenção mas vou falar de um assunto que qualquer cinéfilo que se preze vai perceber sobre um aspecto importantíssimo: o roteirista.

O roteirista é aquele cara que escreve tudo o que o DiCaprio e o Pitt falam durante 2 horas da sua vida enquanto você assiste um filme. O roteirista é o goleiro do cinema: ninguém presta atenção nele, mas caso o filme vá mal, sempre ele vai ser um culpado. Talvez até o culpado (acha mesmo que num filme do Martin Scorsese vão culpar a direção do Martin ou o roteiro do pobre rapaz que quebrou a cabeça para fazer algo para o deus do cinema?).

E o pior. Todos os componentes de um filme, do operador de Steadicam até o diretor, podem ser creditados do jeito que quiser, mas o roteirista não. Ele segue a regra imposta pela WGA, a Writers Guild of America (Sindicato dos Roteiristas da América, a responsável pela famosa greve dos roteiristas de 2007).

O sistema funciona assim:

  • Written by - Quando o roteiro é original do roteirista. A idéia é sua, você não foi contratado para escrever o texto.
  • Screenplay by - Quando o roteirista é contratado para escrever o roteiro.
  • Adaptation by - Quando o texto é adaptado de uma outra mídia, mas não foi passado para a forma do roteiro.
  • Story by - Quando alguém tem a idéia para um filme, mas o roteiro não foi escrito.
Sem contar que quando mais de uma pessoa escreve o roteiro, existem regras para a separação dos nomes. Vejamos:
  • Quando o roteiro foi escrito por dois ou mais roteiristas e este grupo trabalhou em conjunto em todas as versões do roteiro, os nomes são separados por uma ampersand (&). Ex: A Serious Man: Written by Joel Coen & Ethan Coen.
  • Quando o roteiro foi escrito por dois ou mais roteiristas, mas estes roteiristas não trabalharam juntos nas versões do roteiro, os nomes são separados por um "and". Ex: Batman Forever: Screenplay by Lee Batchler & Janett Scott Batchler and Akiva Goldsman.
Agora, por que diabos escrevi isso? Por um simples motivo, vamos seguir exatamente essa regra quando eu for escrever a ficha técnica do filme. Aqui sempre prezaremos pela excelência (ou tanto quanto possível).

Quando o ornitorrinco-mor se apresenta


Como de praxe, a primeira postagem de um blog deve ser uma apresentação. Você se apresenta, diz quais são suas preferências e do que se tratará o blog. Eu acho uma perda de tempo completa, pois daqui a alguns meses, quando este antro do Cinema arte (ou talvez não tão arte, quem sabe eu comente sobre filmes não tão bons assim) estiver cheio de posts e -- quem sabe -- comentários, provavelmente os visitantes não se darão o trabalho de ler isso aqui.

Enfim, o blog comenta sobre cinema e assuntos relacionados. Quem sabe abriremos espaço para séries de TV em posts especiais, ou... quando eu achar conveniente (eu que mando aqui, entenderam? rs...)

Tenho preparado algumas críticas esse dia. No primeiro final de semana do blog quero fazer a maratona O Poderoso Chefão, afinal, as duas primeiras partes são as minhas favoritas e quero começar com o que gosto, expandindo a magia desse filme pelas ondas da Internet... (filosofando e aprendendo...)

E caso, se eu der sorte, algum aspirante a cineasta -- ou cineasta -- visitar esse lar da Sétima Arte, eu também sou roteirista, quem sabe alguém queira ler meus textos (eu sei que é falta de ética fazer essa propaganda descarada aqui, mas nunca vou experimentar o gosto de ter meu nome num letreiro de filme se não fizer isso aqui).

Enfim, espero que gostem. Se não gostarem, estou aberto à críticas.

Bem-vindos ao Ornitorrinco Cinéfilo. Câmbio e desligo.

Twitter Delicious Facebook Digg Stumbleupon Favorites More