Harry Potter e as Relíquias da Morte: Parte 2 (crítica II)

Para Victor Bruno, a última parte da saga de Harry Potter não é nada demais, nem nada de menos. Apenas o suficiente

Harry Potter e as Relíquias da Morte: Parte 2

A saga de Harry, Hermione e Ron chega ao fim e Douglas Braga não gosta nada da sua conclusão

Especial David Fincher: A Rede Social

Na última parte do Especial, relembre o que Victor Bruno escreveu sobre A Rede Social, mais recente filme de David Fincher

Especial David Fincher: O Curioso Caso de Benjamin Button

Victor Bruno faz uma análise de O Curioso Caso de Benjamin Button, no penúltimo filme comentado neste especial

Especial David Fincher: Zodíaco

O nosso especial sobre David Fincher continua com Douglas Braga falando sobre Zodíaco, mais um thriller investigativo do norte-americano

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Hugo ganha trailer

Primeiro filme de Martin Scorsese em 3D ganha um belo trailer


Como já havíamos noticiado neste espaço, era apenas uma questão de tempo para que Hugo, novo filme de Martin Scorsese, ganhasse um trailer. E estávamos corretos.

Chegou a internet o primeiro trailer desta aventura baseada no best seller de Brian Selznick. Contando com cerca de dois minutos e meio, o trailer dá muitas impressões do que podemos esperar de Scorsese nesse filme. É uma obra direcionada para a família – tanto que a data de lançamento, no Dia de Ação de Graças, foi estrategicamente selecionada para que as famílias em festividade venham ao cinema prestigiar o filme.

Regada a uma excitante trilha sonora – incluindo a pop “King and Queens”, do 30 Second to Mars –, o trailer de Hugo mostra a personagem-título (interpretada por Asa Butterfield, de O Menino do Pijama Listrado) fugindo de um atrapalhado Sacha Baron Cohen (Brüno, Borat), conhecendo a personagem de Chloe Moretz e recebendo um segredo de Jude Law. Segue o trailer:

Por Victor Bruno
15/07/11
Scorsese em 3D, você aprova? Gostou do trailer? Comente!

quinta-feira, 14 de julho de 2011

O Curioso Caso de Benjamin Button

The Curious Case of Benjamin Button, 2008 / Dirigido por David Fincher
Com Brad Pitt, Cate Blanchett, Taraji P. Henson, Mahershalalhasbaz Ali, Jason Flemyng, Julia Ormond, Jared Harris e Fiona Hale

4/5

Por contrato, David Fincher, para fazer seu Zodíaco (Zodiac, 2007), teria de fazer um filme de cunho mais comercial – para compensar os dividendos que a Warner Bros. e a Paramount Pictures fatalmente teriam com o grande projeto autoral que Zodíaco é. O projeto já tinha nome e roteiro: O Curioso Caso de Benjamin Button.

Havia anos que Hollywood queria adaptar para as telas a fantástica história de um homem que nasce velho e rejuvenesce ao longo dos anos, mas nunca chegava a um ponto certo. O roteiro já havia sido escrito e reescrito diversas vezes – inclusive por gente como Charlie Kaufman (Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças, Quero Ser John Malkovich). Os estúdios, “sem nenhuma razão particular”, como diria Forrest Gump, abandonavam o projeto.

O fato, é que David Fincher não era (ou é) o diretor mais indicado para um projeto como Benjamin Button. Fincher não é exatamente conhecido por dirigir projetos sentimentais. Ele não tem o toque – mas dizer que ele é um diretor frio seria um erro, basta assistir Clube da Luta (Fight Club, 1999) para comprovar o quão “quente” Fincher pode ser.

Mas só que Benjamin Button, em suas raízes, é um projeto de natureza sentimental. Não água com açúcar, mas sensível. Uma aura sensível que é carregada por seu personagem-título, numa interpretação igualmente sensível de Brad Pitt, durante toda sua saga. E Fincher é um diretor cerebral, com personagens que se guiam pela razão, e não pelo instinto. Button, ao contrário de Sommersets, Graysmiths e Zuckerbergs, tem um fortíssimo senso de sobrevivência e proteção. Button, talvez, se aproxime de Meg Altman (de O Quarto do Pânico), ou de David Mills (interpretado pelo mesmo Brad Pitt deste filme, em Seven). Tanto Altman como Mills guardam a o mesmo instinto de sobrevivência de Button – ainda que Mills seja um sujeito agressivo, de gatilho inquieto.

E é aí onde Fincher se perde. Com um personagem principal tão longínquo da sua grife habitual, o diretor fatalmente se perde com o roteiro melodramático escrito por Eric Roth (Forrest Gump, Munique), a partir do conto de F. Scott Fitzgerald. Roth – caminhando no sentido oposto do que fez em Gump – constrói toda uma aura nostálgica, o que, de certa maneira move a trama, mas que Fincher não sabe lidar – não por incompetência, mas por simples falta de experiência. Tomemos, por exemplo, as cenas de amor protagonizadas por Daisy (Cate Blanchett) e Button. Fincher, quando seus personagens começam a fazer amor, procura desesperadamente dar um fim na cena, ou desviar o olhar para objetos que tirem o casal do nosso campo de visão, o que o obriga a fazer coisas ridículas como mover a câmera para cima e nos fazer olhar para um lustre, terminando a cena, dessa forma, de uma forma deselegante e apressada. Não estou dizendo que deveríamos olhar para Button e Daisy fazendo sexo, mas há outras formas de terminar as cenas assim. Richard Linklater em Eu e Orson Welles (Me and Orson Welles, 2009), por exemplo, terminava suas cenas de amor de modo elegante e criativo, criando o chamado “espaço das entrelinhas”.

Mas claro, não quero dizer que Fincher faz um trabalho incompetente. Seria uma grossa mentira. Eu digo que ele é uma escolha não muito indicada, mas jamais um erro. Sim, Fincher estabelece uma atmosfera nostálgica de forma soberba. O diretor consegue, com uma eficiência realmente impressionante, nos dar uma maravilhosa noção de tempo espaço – o que é fundamental para a eficiência do filme, já que esta é uma estória que cobre quase um século na vida das personagens.

Para usar de exemplo, tomemos a sala da casa onde Button cresce. O local, além de residência de Queenie (Taraji P. Henson), mãe de Benjamin, e de Tizzy (Mahershalalhashbaz Ali), par romântico de Henson; é um asilo de velhos. Veja que, logo no início da narrativa, o design de produção de Donald Graham Burt e, principalmente, as roupas desenhadas por Jacqueline West (uma das melhores em atividade, em minha opinião), transformam o local numa espécie de clube saído diretamente da Era Vitoriana, o que é de uma importância fundamental, já que ali estão dejetos que o povo não quer mais, de uma época ultrapassada (lembrando que nós estamos, nesta parte da narrativa, em 1918). À medida que o tempo passa, os móveis e o vestuário daquela gente (que já não são mais as mesmas pessoas) evoluem ainda mais, e mesmo que já estejamos nos anos 30 (na narrativa), agora que eles chegaram em 1918. Tempo neste caso, é uma questão de sobrevivência para o filme. Temos que sentir a sua passagem. E Fincher se sai com bastante êxito. Um êxito que infelizmente não obteve em seu filme anterior, o espetacular Zodíaco, citado no início desse texto. Aliás, mesmo George Stevens em Assim Caminha a Humanidade (Giant, 1956) não conseguiu mostrar a passagem do tempo com a mesma sutileza de O Curioso Caso de Benjamin Button.

Além destes exemplos, Fincher consegue demonstrar sutileza e bastante precisão em suas decisões na hora de contar a saga de Button. Além de contar com uma trilha sonora bastante sensível de Alexandre Desplat (A Árvore da Vida, Harry Potter e as Relíquias da Morte Partes I e II), a fotografia de Claudio Miranda é soberba. Observe que bem no início da narrativa, no início mesmo, para acentuar o aspecto nostálgico do filme, Miranda emprega uma paleta de cores saturada, optando quase sempre por um amarelo dourado, como aquele visto na trilogia O Poderoso Chefão. Para as cenas que se situam no presente (no caso, 2005, minutos antes do furacão Katrina), Miranda e Fincher adotam uma paleta de cores bem frias, afogando a cena num azul tão gelado quanto aquele branco visto nas cenas que se passam na Rússia. Referências visuais a função das personagens também são de igual importância. Por exemplo, note que quase sempre Daisy está com algum acessório vermelho em sua roupa, representando o amor que sente (e que recebe) por Button.

Entretanto, o fundamental em O Curioso Caso... nem são as escolhas de Fincher, ainda que saltem os olhos, mas sim a enorme galeria de rostos que povoam a história. Desde o primeiro momento de projeção, as personagens, por mais breves que sejam, exercem uma função absolutamente importante: O histórico de vida de Benjamin. Seja pela mãe Caroline (Joeana Sayler) que nunca conheceu, ou seja por Tizzy, que não exerce função nenhuma na trama, essa enorme galeria de personagens marcam como Button é um homem que nada contra a corrente. É um outsider, e sempre será. Aliás, até penso que a imagem de uma sofrida Caroline dando a luz a Button seja uma metáfora para a futura existência sofrida de Button. Um sujeito fora de lugar.

E quem não é?

Por Victor Bruno
15/07/2011

Quentin Tarantino em The Angel, the Brute and the Wise

 Diretor, que também está trabalhando, em um Western atuará em filme dirigido por Franco Nero

Para os fãs, não entrem em pânico, Django Unchained não foi cancelado. E, ainda para os fãs, alegrem-se: Tarantino atuará em um filme. E de Western.

Apesar dos rumores iniciais apontarem que Django Unchained contaria com a presença do famoso ator italiano Franco Nero, tudo não passou de uma confusão. Provavelmente proposital: Franco Nero tornou-se famoso por interpretar um cowboy no estilo Clint Eastwood, caladão e rápido no gatilho chamado Django. Logo, quando saíram rumores que Tarantino trabalharia com Nero, todos pensaram que Nero atuaria em Django Unchained – e provavelmente ressuscitando Django.

Mas acontece que é exatamente o oposto que acontecerá aqui: Tarantino será dirigido por Nero. O filme tem até título – The Angel, the Brute and the Wise.

Nero, em entrevista ao Box Office Magazine, assim como reportou o /Film, disse que não tem papel no novo filme dirigido por Quentin Tarantino, mas entrou em detalhes sobre The Angel..., incluindo explicações sobre como convenceu Tarantino para atuar em seu filme:

“Eu disse, ‘Quentin, nós iremos fazer um Western. Será uma homenagem a Sergio Leone e John Huston, o diretor que me descobriu. Gostaria de fazer um cameo?’ E ele disse ‘Sim! O que tenho que fazer?’ Eu disse ‘Na verdade, existem três bandidos, e eu tenho que matar todos.’ Então ele disse ‘Oh, ótimo, então eu venho com Robert Rodriguez e meus amigos para interpretá-los, seria ótimo! Mas como você vai me matar?’ Eu disse: ‘Vou te contar: É com uma escopeta, e dentro, ao invés de balas, existem moedas de ouro.’ Ele falou: ‘Adorei.’”

Nero também afirmou que além de Tarantino – que também financia este filme – gente como Treat Williams, Keith Carradine e “muitos outros” também estão cotados para o projeto. “Americanos estão querendo fazer o filme, então estamos tentando produzi-lo fora da Itália”, conclui Nero.

Por Victor Bruno
14/07/11

Gosta de Tarantino? Acha-o bom ator? Admira o trabalho de Franco Nero? Comente!

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Zodíaco

Zodiac, 2007/ Dirigido por David Fincher
Com Jake Gyllenhalal, Mark Ruffalo, Robert Downey Jr., Brian Cox, Phlip Baker Hall, Elias Koteas, Anthony Edwards e  John Carrol Lynch

(3/5)

Em fins da década de 1960, uma série de assassiantos aterrorizaram a região da Califórnia, dos EUA. O suposto assassino enviou diversas cartas para a polícia e para a imprensa, contendo informações sobre os crimes e criptogramas, supostamente contendo pistas sobre sua identidade. Tais cartas eram assinadas com o nome "Zodíaco".  O assassino do Zodíaco, como ficou conhecido, continuou agindo na década de 1970, matando mais de 30 pessoas, mas nunca foi pego pela polícia. Embora mais de 2.500 tenham sido consideradas suspeitas, nunca se leantou provas suficientes contra nenhuma delas, e o caso continua aberto até os dias de hoje.

Uma história desse porte e com tanto potencial cinemtográfico poderia render uma obra-prima. Entretanto, o diretor David Fincher falha no que parece ser uma busca de "grandeza", com  o filme apresentando uma metragem absolutamente desnecessária (são 158 minutos, no total), um roteiro deveras confuso,  e montagem problemática, com a segunda metade quase "derrubando" tudo de bom que havia sido construído ao longo da primeira parte de "Zodíaco". . Por outro lado, Fincher conseguiu realizar um filme atmosférico, bem dirigido, com algumas das melhores seqüências já concebidas pelo diretor, e a própria complexidade da trama acaba mantendo o interesse até os créditos finais.

Como já dito acima, o início do filme é primoroso. Toda a primeira seqüência, na qual acompanhamos as primeiras vítimas do Zodíaco, é interessantíssima, com Fincher construindo um clima de tensão em que, embora saibamos que aquela pessoas serão alvos do criminoso, não sabemos exatamente como isso irá acontecer. Aliás, todas as cenas de ataque do serial killer (e Fincher optou por utilizar atores diferentes em cada uma delas, exatamente para despistar o espectator, o que se revelou uma escolha acertada) estão entre as melhores de todo o filme, com um clima de suspense que muitas vezes nem bons filmes do gênero conseguem apresentar. Além disso, o diretor capricha na construção visual do filme, com bonitas tomadas da cidade de São Francisco, somadas a um trabalho impecável de fotografia.

Por outro lado, nesta primeira metade, acompanhamos também como três indivíduos se envolveram com a série de crimes: o cartunista Robert Graysmith (Jake Gyllenhaal), que escreveu um livro sobre o caso, que por sua vez serviu  como fonte para o roteiro do filme; o jornalista Paul Avery (Robert Downey Jr.); e o inspetor David Toschi (Mark Ruffalo, seguro como sempre). Conhecemos as personalidades de cada um e o interesse deles em descobrir a identidade do assassino, ao mesmo tempo em que se sentem todos perdidos e confusos porque, a cada vez que um suspeito parece ser o criminoso, alguma coisa (sejam as impressões digitais, ou a escrita) acabam o descartando.

É uma pena, porém, que na segunda metade, o filme não mantenha o mesmo nível. O roteiro de James Vanderbilt se perde apresentando uma série de informações completamente irrelevantes, com o único propóstio de fazer o espectador se sentir mais confuso do que os próprios personagens. Aliás, falando destes, Robert Downey Jr. praticamente some do filme, que se foca nas investigações pessoais do personagem de Gyllenhaal. E coletando informações de jornais, arquivos e com policiais, ele vai de um lado para o outro, de uma cidade para outra (e a essa altura já estamos praticamente perdidos no tempo, já que o filme salta de ano em ano com extrema rapidez), com novos suspeitos surgindo e outros sendo descartados, tudo apresentando de forma tão depressa que se torna complicado absorver a quantidade de informações salpícadas pelo roteiro. Toda a habilidade que Fincher havia demonstrado em construir cenas atmosféricas e tensas também se "evapora" (um exemplo é a cena do porão que, em vez de tensa, é excessivamente fria, ainda mais em se tratando de um momento-chave da trama).

Aliás, o inspetor Toschi acaba sendo o personagem mais interessante do filme, dedicando grande parte de sua atuação profissional a tentar capturar assassino do Zodíaco. Em deteeminado momento,  ele parece se cansar da sua tarefa, ainda mais depois que é praticamente abandonado pelo seu parceito Bill Armstrong (Anthony Edwards), e a deixa praticamente toda com  o cartnista Robert.  E  a tentativa de dar alguma profundida à vida deste último soa quase risível, com sua família entrando e saindo de cena com cerca de apenas 15 minutos de filme. Quanto à identidade do Zodíaco, o desfecho é absolutamente previsível e sem grande inspiração por parte do diretor.

No fim, "Zodíaco" acaba sendo mais um filme muito bom de David Fincher, com alguns dos momentos mais interessantes de sua carreira como diretor. É uma pena que apresente um desquilíbrio entre os primeiros 80 minutos e toda a metade final, ficando a sensação de que poderia ter sido feito um filme ainda melhor. 

Por Douglas Braga
13/07/11

terça-feira, 12 de julho de 2011

O Quarto do Pânico


Panic Room, 2002/ Dirigido por David Fincher
Com Jodie Foster, Kristen Stewart, Forest Whitaker, Jared Leto


(3/5)

De todos os gêneros pelos quais o diretor David Fincher se aventurou, o que mais saiu beneficiado pela lente do cineasta foi o suspense. Desde os sucesso de público e crítica de Seven - Os Sete Crimes Capitais (Se7en, 1995), as grandes expectativas em volta das novas produções do diretor sempre se focaram em possíveis novos suspenses, mesmo com suas tentavivas no terreno do drama e da fantasia. Tudo isso porque o estilo de filmagem e de direção de Fincher se casa perfeitamente com o que se espera de um bom filme de suspense. O que acontece, portanto, em O Quarto do Pânico não é muito diferente, embora não seja este o melhor exemplar do gênero em sua filmografia.

Visto por muitos como o mais sem graça de Fincher, O Quarto do Pânico não deve ser analisado com a mesma dose de exigência que filmes como Seven e Clube da Luta (Fight Club, 1999) proporcionaram. Isso porque a proposta dessa produção não é muito ambiciosa e se limita a entreter o público com uma trama ágil e bastante genérica, mas não por isso menos interessante. Na verdade, é até bastante inovadora para os padrões de seu cineasta, se levarmos em conta que desde Alien 3 (Alien 3, 1992) que Fincher não apostava em uma mulher como protagonista de seus filmes. Fora isso, nunca antes o diretor se valeu de um único cenário para a construção de sua história, e nem veio a fazer de novo até o momento. Ou seja, foi um risco escolher uma mulher como personagem principal e um único cenário para o desenrolar da idéia, dois elementos que geralmente não atraem o grande público.

Contrariando as expectativas baixas, com uma pequena ajuda do poder de Jodie Foster como atriz rentável, O Quarto do Pânico foi bem nas bilheterias e até hoje é bem recorrente quando o assunto é a filmografia de Fincher, alcançando assim um significado muito maior do que seu próprio conteúdo. A atriz escalada inicialmente para conduzir a trama era Nicole Kidman, mas Fincher sabia que sua protagonista precisava de uma presença mais forte e ágil, que passasse para o público segurança e inteligência. E ninguém melhor que Foster para dar vida a esse tipo de personagem. De fato, é ela que faz deste filme algo um tanto acima da média e relevante no meio de tantas outras produções americanas para o gênero.

A força da atriz é o suficiente para fazer da protagonista Meg Altman um verdadeiro deleite. Mesmo estando numa condição de desvantagem segundo a premissa do enredo, Meg consegue competir com a habilidade dos vilões e em momento algum fica por baixo, garantindo ao filme uma dose de adrenalina e dinâmica muito bem vinda, ao contrário da grande maioria das protagonistas histéricas e de QI duvidoso que geralmente assumem esse posto. Com isso em mente, é muito mais fácil aceitar todo o conjunto da obra quando somos apresentados à rotina de Meg e sua filha Sarah (Kristen Stewart), que se mudam para uma ampla casa em Nova York, privilegiada por um cômodo especial secreto apelidado de Quarto do Pânico, que possui uma segurança avançada para caso de emergências. Mal sabem elas que logo na primeira noite no novo lar um trio de bandidos invadiria o local. Agora refugiadas dentro do tal Quarto do Pânico, elas terão de reunir forças para sobreviver, principalmente ao descobrirem que é lá dentro que se encontra o alvo dos três assaltantes.

É então que a técnica de Fincher entra em ação, ao fazer daquele ambiente pequeno e estranho o elemento que protege as personagens ao mesmo tempo que se mostra o grande responsável por toda aquela situação perigosa. O quarto do pânico as colocou em perigo ao atrair três homens perigosos e altamente qualificados para a casa, mas ao mesmo tempo é a única forma de salvação e proteção delas. Fincher faz do cômodo um personagem, cheio de mistérios e segredos, que instiga curiosidade do espectador ao apresentar uma imagem de segurança e amaeaça. Resta então acompanhar e torcer por Meg, não somente para que ela escapar, mas também para conseguir descobrir o que há de tão precioso dentro do quarto e que atrai tanto a atenção dos três homens.

Sensações como claustrofobia, pânico, desespero, mal estar, falta de ar, e afins preenchem a tela e atingem o espectador, numa duração curta e eficiente que cumpre sua proposta de causar medo. Por outro lado, é um tanto decepcionante ver o rumo tomado por Fincher, que poderia ter tirado dessa premissa algo muito maior e mais significativo. A condução do filme é um tanto previsível, mesmo com uma Jodie Foster inspirada, e a revelação precoce do segredo em volta do quarto do pânico tira metade da graça. O que poderia ter sido um filmaço baseado na descontrução de uma mãe e uma filha em um ambiente inóspito, se torna um thriller que opta por caminhos fáceis e conclusões esperadas. No fim, Fincher errou ao dar prioridade à situação, e não aos personagens. Os personagens ali ganham uma significado de meras marionetes a fazerem exatamente o que era esperado, quando na verdade poderiam ter ganhado uma atenção especial e saído do terreno seguro dos suspenses. Certamente o cineasta percebeu isso e corrigiu mais tarde na hora de produzir Zodíaco (Zodiac, 2007), um suspense que acerta em tudo o que O Quarto do Pânico erra.

Mas isso não tira os méritos da produção, que apesar de menor, ainda assim está acima da média. Mesmo escolhendo alternativas mais básicas, Fincher fez de O Quarto do Pânico um bom suspense, que ganha um tanto mais de prestígio com as presenças de Foster e Whitaker. Mais que isso, é uma prova de que o diretor soube muito bem aproveitar seu enredo e, principalmente, seu cenário. São poucos os que sabem fazer o bom uso de ambientes pequenos e únicos sem deixar tudo tedioso ou pretensioso. Nesse ponto Fincher ganha muitos pontos e graças à isso temos em mãos uma obra que não é perfeita, mas com certeza agrada e proporciona algo além do óbvio.

Por Heitor Romero
11/07/2011

Hugo, de Martin Scorsese, ganha teaser pôster

Trailer do filme supostamente será exibido nas sessões do novo Harry Potter

O site ComingSoon liberou hoje uma imagem que deixará os fãs de Martin Scorsese – entre eles, eu – de pernas para o ar: Um teaser pôster do novo filme de Martin Scorsese, Hugo, foi lançado e está sendo exibido nos cinemas.

Conforme dito pelo /Film, supostamente (atenção: supostamente), o trailer para o aguardado filme de Scorsese sobre um garoto solitário que vive numa estação, chamado Hugo Cabret (Asa Butterfield), de trem em Paris virá nas cópias de Harry Potter 7.2.

O filme – que tem sido descrito como uma mistura de Oliver Twist com O Expresso Polar – é a primeira incursão de Scorsese no universo do 3D, bem como é sua primeira tentativa de aproximação com o universo infantil.

Hugo estréia nos Estados Unidos no dia 23 de novembro.

Por Victor Bruno
12/07/11

Haveria um quarto A Morte do Demônio sendo preparado?

O filme estaria sendo preparado ao mesmo tempo em que Sam Raimi faz Oz: The Great and Powerful


Há anos existem rumores de que um quarto filme e/ou um remake do fantástico A Morte do Demônio (The Evil Dead, 1981), de Sam Raimi, estariam sendo preparados. Aliás, o próprio diretor Raimi fala que adoraria criar um novo filme para a série – que já conta com três.

Conforme o /Film informa, em janeiro, Robert Tapert – produtor de longa data de Raimi –, disse que ainda haveria a possibilidade de ser realizado um remake do filme original. Em abril, ainda segundo o /Film, o que foi confirmado três meses depois por Bruce Campbell, estrela dos três filmes da série A Morte do Demônio.

O que acontece, é que os rumores apontam que realmente haverá um novo A Morte do Demônio, para ser gravado em Michigan, nos Estados Unidos. Entretanto, isso tudo soa ser parte de – das duas, uma – uma grande confusão (afinal, o novo filme de Sam Raimi, Oz: The Great and Powerful, será gravado em Michigan), ou Raimi trabalhará ao mesmo tempo nesse novo A Morte do Demônio e em Oz: The Great and Powerful.

Seja como for, estamos atentos.

Por Victor Bruno
11/07/11

Twitter Delicious Facebook Digg Stumbleupon Favorites More