Where the Wild Things Are, 2009 / Dirigido por Spike Com Max Records, Pepita Emmerichs, Catherine Keener, Paul Dano, Catherine O'Hara, James Gandolfini, Forest Withaker, Lawren Ambrose e Mark Ruffalo.(5/5)


Para Victor Bruno, a última parte da saga de Harry Potter não é nada demais, nem nada de menos. Apenas o suficiente
A saga de Harry, Hermione e Ron chega ao fim e Douglas Braga não gosta nada da sua conclusão
Na última parte do Especial, relembre o que Victor Bruno escreveu sobre A Rede Social, mais recente filme de David Fincher
Victor Bruno faz uma análise de O Curioso Caso de Benjamin Button, no penúltimo filme comentado neste especial
O nosso especial sobre David Fincher continua com Douglas Braga falando sobre Zodíaco, mais um thriller investigativo do norte-americano
Where the Wild Things Are, 2009 / Dirigido por Spike Com Max Records, Pepita Emmerichs, Catherine Keener, Paul Dano, Catherine O'Hara, James Gandolfini, Forest Withaker, Lawren Ambrose e Mark Ruffalo.

Bem vindos ao Screenshot Quiz, o primeiro jogo do Ornitorrinco Cinéfilo! O jogo é extremamente simples, mas bem interessante. A cada semana postarei um screenshot de algum filme – ou um detalhe de uma cena, ou um objeto relacionado a algum filme – e você, leitor, deverá tentar acertar de qual filme veio essa imagem, postando sua resposta nos comentários, aqui em baixo. Como no Universo nada se cria, tudo se transforma, essa ideia surgiu depois que vi um jogo parecido no excelente blog Museu do Cinema. Aí em cima está o primeiro screenshot! Está fácil!
Por Victor Bruno
Ao que parece, Terrence Malick (Além da Linha Vermelha, Dias de Paraíso) descobriu a importância do marketing na divulgação de um filme. Dito isso, eis o novo pôster para o seu velho-novo filme: A Árvore da Vida (The Tree of Life). “Velho-novo filme”? Sim, o neologismo pode ser perfeitamente aplicado, já que está sendo preparado desde o ano de 2007.
A Árvore da Vida também chega com mais novidades no que diz respeito a sua divulgação. O filme também ganhou um site (que pode ser acessado clicando aqui) e um Tumblr (aqui). O filme estreia em 27 de maio, nos Estados Unidos, e em 1o de julho aqui no Brasil.
Clique aqui para ver o pôster.
Da Redação
Não é que eu não tenha ligado para a morte de Elizabeth Taylor. Apenas admiro-a demais para publicar coisas como “vá em paz”, ou homenagens, ou linhas do tempo sobre sua carreira. Simplesmente acho mais interessante achar curiosidades ou depoimentos de quem conviveu com ela, para então repassar para você, leitor. (Até por que você pode encontrar linhas do tempo melhores e mais bem elaboradas do que qualquer uma que eu me propusesse a fazer em sites como o Cineplayers, Cinema em Cena e/ou no The New York Times.)
Mas este post não procura explicar nenhuma suposta “falta de interesse” minha na morte de Liz Taylor. Eu venho postar um vídeo que encontrei na Internet. Um tributo de Paul Newman (Um Golpe de Mestre, Gata em Teto de Zinco Quente) à Elizabeth Taylor, que foi exibido no TCM há alguns anos atrás.
Nunca me esquecerei. Acho que para todos os cinéfilos, este deve ser um momento histórico, quiçá sagrado – o seu primeiro Kubrick. Assistir pela primeira vez um filme de Stanley Kubrick deve ser como perder a virgindade. OK, eu estou exagerando. Assistir a um Kubrick é mais emocionante. Mas isso não importa agora. Gostando ou não, o primeiro Kubrick é algo inesquecível, aterrador. Martin Scorsese diz que assistir a um filme de Stanley Kubrick é como subir numa montanha, olhar a paisagem. Inevitavelmente você exclamará “Nossa, que vista!”. Scorsese, para variar, está corretíssimo.
Eu não exclamei “Nossa, que vista!” quando assisti meu primeiro Kubrick. Devia ter uns sete, oito anos quando isso aconteceu. Era uma noite de sábado, no início da década passada. 2002, 2003... eu sei lá. Só sei que o filme que estava passando era Nascido Para Matar (Full Metal Jacket, 1987). Se eu fosse quem sou hoje (um cinéfilo patológico) naquela época, teria dito que aquilo era anormal. “Stanley Kubrick na TV aberta?!”. Provavelmente não teria assistido, já que o filme – naturalmente – passaria dublado. E passou. Mas é como eu disse há alguns dias atrás, no Twitter: Kubrick é Kubrick até debaixo d'água, assim como Linda de Um Pistoleiro Chamado Papaco é mulher até debaixo d'água.
O filme estava dentro do “Festival Stanley Kubrick”, no Cine Belas-Artes (a sessão de Cinema, não o finado cinema Cine Belas-Artes). Na semana seguinte passariam O Iluminado (The Shining, 1982). A chamada daquele maldito filme já me apavorava. Sério, pouco menos de 30 segundos, basicamente o narrador dizendo “Um dos filmes de terror mais aclamados de todos os tempos. Do diretor Stanley Kubrick: O Iluminado”.
De todo modo, eu estava fascinado. Se estou bem lembrado, naquela noite assisti até a cena em que Jocker explica por que diabos ele usa um capacete em que se lê “Born to kill” e um botton pacifista. E já naquela época eu havia percebido algo que críticos e espectadores julgavam como certo e como universal: A primeira parte de Nascido Para Matar é infinitamente melhor que a segunda.
Melhor pode até não ser, mas é claramente mais divertida. A primeira é uma tortura psicológica quase interminável. “É como ir para o ringue e enfrentar os punhos de Mike Tyson”, como bem disse o crítico Sérgio Vaz, em um esclarecedor texto sobre o filme publicado em 1988, e que pode ser lido no seu – excelente – site 50 Anos de Filmes (o texto pode ser lido aqui). E você pode me chamar de masoquista, mas se os socos de Tyson forem tão agradáveis quanto assistir a Full Metal Jacket numa inesperada noite de sábado, quero ser esmurrado agora. (E quem sabe ser um Evander Holyfield Júnior e ter um pedaço da minha orelha cortada e mastigada.)
E foi certo. Final de semana seguinte estava eu na locadora (sim, locadora!), locando este filme. Algumas horas mais tarde eu estava o revendo. Podia não estar entendendo nada, nada dos temas que Kubrick queria tratar. “Dualidade humana”? Pro inferno com “dualidade humana”, senhor! Massacre das mentes dos jovens na guerra? Que se dane isso também! Eu estou vendo o que eles chamam de “obra-prima”.
Eu não sabia quem era Stanley Kubrick. Só consegui compreender o que – e quem – era ele alguns anos mais tarde, quando assisti a 2001 – Uma Odisseia no Espaço. E, como metade dos adolescentes, não gostei. Eu esperava o quê? Sei lá. Um Star Wars da vida. Um filme que tem “Odisseia no Espaço” no título, e começa na Pré-História? Só então vi que este Stanley Kubrick era o mesmo Stanley Kubrick que havia feito Laranja Mecânica, filme que eu havia visto algumas semanas antes, e amado, amado, amado.
Mas é assim. Stanley Kubrick faz parte da minha gênese cinéfila, bem como Carol Reed, Paul Thomas Anderson, Quentin Tarantino e Terrence Malick, também. Mas Kubrick é algo mais nostálgico. Por isso fiz questão de assistir de assistir De Olhos Bem Fechados no SBT, dublado, no último sábado. Você sabe – sábados sempre são sábados.
Por Victor Bruno
Rango, 2011 / Dirigido por Gore VerbinskiO mundo da animação atual parece ser dividido em dois segmentos: os filmes Pixar e os não Pixar. Dentro do filão “não Pixar” existem dois subgrupos: os DreamWorks e o resto. Pois é dentro do “resto” em que nós encontramos pérolas como Rango. Pérolas raríssimas, diga-se de passagem. Contam-se nos dedos quantas vezes nós podemos ver filmes como este serem lançados anualmente. Filmes da qualidade técnica e com a sensibilidade de Rango. De um jeito bem simples, podemos dizer que esta obra de Gore Verbinski (de O Sol de Cada Manhã e da série Piratas do Caribe) é quando a sensibilidade e o primor técnico de O Fantástico Sr. Raposo (The Fantastic Mr. Fox, 2009) se encontram com o humor amalucado de Deu a Louca na Chapeuzinho (Hoodwinkled!, 2005). E esses filmes são excelentes.
Mas é preferível estar do lado de Raposo de Wes Anderson (A Vida Marinha com Steve Zissou, Viagem à Darjeeling) do que do lado de Chapeuzinho de Cory Edward. Raposo, além de ter uma plasticidade incrível (como é habitual na filmografia do seu diretor), realiza um estudo de personagem brilhante, ainda que meio acanhado. Lá o Sr. Raposo do título queria escapar da sua própria natureza. Queria ser uma raposa anti raposa, enquanto Deu a Louca na Chapeuzinho divertia seu público simplesmente fazendo uma subversão do gênero dos contos-de-fada. Não que isso não tenha seus devidos méritos. É interessantíssimo, além de arrancar grandes gargalhadas com seus momentos de comicidade. Só que o filme de Wes Anderson é mais corajoso e elegante. Afinal de contas, quem é o cineasta que faz análises psicológicas de seus personagens num filme cuja mídia é dominada pelas crianças, que estão se lixando para análises psicológicas. Mas é engraçado, por que a Pixar faz isso, e... bem, Toy Story 3.
Aqui nós temos algo similar. Com roteiro de John Logan (o mesmo roteirista de O Aviador e do próximo filme de Martin Scorsese, Hugo Cabret), baseando-se numa estória criada por Verbinski, James Ward Byrkit e pelo próprio Logan, o filme segue um camaleão (Johnny Depp) que, após um acidente de carro, perde a proteção da sua caixinha de areia e dos seus dois melhores “amigos” (um peixe mecânico e uma bonequa Barbie sem cabeça e sem roupas) e vai parar na seca e poeirenta cidade de... Poeira. Chegando lá, o camaleão – e o público – conhece uma situação extremamente caótica e miserável. Não há água em Poeira. Os cidadãos estão na mais absoluta seca. O último reduto de água que resta em Poeira é guardado à sete chaves pelo banqueiro da cidade: um enorme galão de água onde existe a marcação de dias que faltam para a água acabar.
Desde cedo o camaleão é avisado que não vai durar muito, seja pelo grupo de corujas mariachis que tocam a trilha sonora do filme (o tema, composto pela banda Los Lobos, é genial!), seja por Priscilla (voz de Abigail Breslin). Não importa, os prognósticos são os piores possíveis. Mas logo a situação muda. Depois de mentir, mentir e mentir mais ainda numa briga no clássico saloon da cidade (qual cidade do Velho Oeste não tem um saloon?), o camaleão, que agora adota o nome-fantasia de Rango, rapidamente transforma-se no herói da cidade, após matar acidentalmente a águia que ameaçava a todos, mocinhos e malvados, na cidade de Poeira. Mas os problemas estão longe de acabar. Portanto, o sinistro Prefeito (Ned Beatty), promove Rango ao cargo de xerife. Tudo bem, certo? Errado. A água da cidade some e o banqueiro é encontrado morto. Rango agora tem que fazer de tudo para sustentar a personagem que criou (afinal, ele nunca foi um pistoleiro na vida, muito menos sabe quem é) e manter a esperança de uma comunidade que já não tem mais em quem, ou o que, acreditar.
Aliás, o tema da crença em Rango é uma constante. O roteirista Logan modela a fé de diferentes formas dentro do seu filme. Se a aterrorizada comunidade de Poeira tem na fé e na esperança suas últimas chances de sobrevivência, já que a água parece algo tão distante e inalcançável, o Prefeito utiliza-se da fé para enganar sua comunidade. Numa cena particularmente brilhante do filme, ele diz: “Bem, Sr. Rango, as pessoas têm que acreditar em alguma coisa. Acreditar... acreditar. Acreditar em algo”. E Rango, por sua vez, acredita realmente que é um justiceiro que veio para salvar a pele da gente miserável de Poeira. Afinal, Rango é apenas um camaleão em séria crise de identidade. Uma crise tão séria que, quando indagado por Priscilla sobre quem ele é, Rango gagueja, gagueja... mas não consegue responder.
Mas talvez o que seja mais interessante dentro da obra de Verbinski (diretor extremamente versátil, por quem tenho uma profunda admiração desde que vi o tocante O Sol de Cada Manhã, com Nicholas Cage) sejam as referências cinematográficas inseridas neste filme. Elas começam desde... o próprio Rango. Veja como a camisa de Rango é idêntica a camisa que Raoul Duke (também interpretado por Johnny Depp) em Medo e Delírio (Fear and Loathing in Las Vegas, 1998). Também reparem nos dois caras que dirigem o conversível que atropelam Rango. São os próprios Duke e Gonzo, de Medo e Delírio.
Felizmente o filme não se atém apenas nestas referências ao Cinema. Rango homenageia principalmente ao Western e ao Western spaghetti, gênero que revelou lendas do cinema como Clint Eastwood, Terence Hill, Sergio Leone, Franco Nero e tantos outros. Observe, por exemplo, a cena do duelo entre Jake Cascavel (Bill Nighy) e Rango. Os cortes nos olhos dos atores, assim como Leone fazia, para acentuar a tensão. Além de ser uma referência inteligentíssima, Verbinski realmente acentua a tensão realizando este jogo visual. Repare também como o Prefeito, apesar de estar em sua cadeira de rodas, ainda exala poder por todos os seus poros, tal qual Morton em Era Uma Vez no Oeste (Once Upon a Time in the West, 1968). E, claro, não podemos nos esquecer do Espírito do Oeste, personagem que Rango encontra num sonho, que não é nada mais do que uma versão digital de Clint Eastwood no seu traje de Homem Sem Nome, ou o próprio Jake Cascavel, que guarda enormes semelhanças com Lee Van Cleef em Três Homens em Conflito (Il bono, il bruto, il cattivo, 1966).
Apesar de contar com um visual simplesmente sensacional, desenvolvido pelo master Roger Deakins, que ano passado também desenvolveu o soberbo visual de Como Treinar Seu Dragão (How to Train Your Dragon, 2010), que flerta principalmente com uma paleta de cores pastéis, bem amareladas, para enfatizar a falta de água escandalosa daquela cidade; e de ter uma trilha sonora soberba, composta com Hans Zimmer (me flagrei fazendo batidas ritmadas durante a sequência da “metáfora”), Rango apresenta buracos enormes de desenvolvimento. Qual a função da raposa que chama Feijão (Isla Fischer) de “vaca”? Ou mesmo, por que insistir em colocar um affair amoroso entre Feijão e Rango? Algumas falhas de execução que estragam o resultado final.
Mas, de todo modo, Rango prova-se um filme inteligentíssimo, extremamente esperto. Rango é, para nós, assim como a água é para poeira: uma bênção. Uma pepita de ouro nesses dias de pobreza.
Por Victor Bruno