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Harry Potter e as Relíquias da Morte: Parte 2

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Especial David Fincher: Zodíaco

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quinta-feira, 31 de março de 2011

Onde Vivem os Monstros

Where the Wild Things Are, 2009 / Dirigido por Spike Com Max Records, Pepita Emmerichs, Catherine Keener, Paul Dano, Catherine O'Hara, James Gandolfini, Forest Withaker, Lawren Ambrose e Mark Ruffalo.


(5/5)

"Havia alguns edifícios muito altos que podiam andar. O mais alto deles é mordido por um vampiro que perde os dentes após o ataque e chora. Outros vampiros perguntam o motivo do choro e ele explica que perdeu seus dentes, e não eram de leite. Então os vampiros o deixam porque não poderia ser mais um vampiro".

Complexo demais para crianças – às vezes até mesmo para adultos –, Where The Wild Things Are mostra o poder da imaginação como nunca visto antes, sendo que, antes, a experiência foi “Alice no País das Maravilhas”, que encantou o público ao mesmo tempo em que perturbou algumas crianças com seu ritmo frenético e desolador.

Where The Wild Things Are tem a mesma fórmula, mas cativa milhões de vezes mais que “Alice no País das Maravilhas”. Sem pressa, o filme mostra a vida de Max, um menino de nove anos, infeliz e solitário, mas com uma imaginação fértil, algo que está ficando cada vez mais raro com o mundo tecnológico de hoje (lembrando que diretores de filmes como Gamer, Trasformers 2 e G. I. Joe já tiveram infância). Naturalmente os conflitos do pequeno Max são postos na tela: falta de atenção por parte dos próximos, que, aparentando compreender o filho, não fazem nenhum esforço para ajudá-lo. A falta de atenção, a exclusão, geram o isolamento, que faz com que Max tenha uma imaginação mais fértil que o normal – ou até mesmo normal –, fazendo com que ele crie histórias e mundos incríveis.

Talvez o momento em que Max conta a história do vampiro e do prédio para sua mãe ocupada seja a parte mais humana e tocante do filme – o filme por inteiro é humano, algo raramente visto em filmes hoje em dia. Essa história, apesar de triste e desoladora ao extremo, não toca a sua mãe como deveria vindo de uma CRIANÇA. Isso não abala ao certo Max, pois está acostumado com essa reação vinda de seus próximos e não tem consciência de que a história que contara é muito além do que uma criança “normal” costuma a contar.

Depois de tentar chamar a atenção de sua mãe que trouxe um aparente novo namorado para casa e estava em meio a um encontro, Max foge para uma floresta sem querer olhar para trás e encontra, na margem de um rio, um barquinho de vela, onde sobe a bordo e parte pelo rio até o mar. As expressões de Max são o ponto máximo do personagem. Max transmite hesitações em quase todos os momentos em que tem de tomar uma decisão, mostrando insegurança e a pouca experiência que tem de se relacionar, principalmente quando a decisão envolve não só ele, mas outras pessoas.

Depois do mar, Max encontra uma ilha onde deixa o barco e caminha pela floresta, em fim encontrando os “Monstros”. Os monstros são na verdade todas as personalidades de Max, todos os seus sentimentos, principalmente Alexander (dublado por Paul Dano, de Little Miss Sunshine), que é o sentimento mais próximo de Max. Alexander é pequeno e procura atenção a todo o momento e é ignorado pelos demais.

Os ‘monstros’ são: Carol, o mais complexo de todos os personagens, com momentos de extrema alegria e outros de alegria misturada com raiva, como um ataque depressivo, como quando Max os encontra pela primeira vez, onde Carol está destruindo as casas de todos os monstros aparentemente alegre e Max não entende ao certo se o que está acontecendo é certo ou errado; Douglas é o melhor amigo de Carol, com certeza o melhor amigo de todos. Por vezes o mais inteligente e maduro, mas que não demonstra liderança, pois é sábio e sabe que uma liderança muito certa no meio daqueles seres tão diferentes seria algo impossível; Ira é o mais velho e o que toma conta de todos, como um pai, sendo que a mãe é Judith, uma fêmea com uma personalidade estranha, que varia, assim como Carol, mas que quer toda a atenção para si e não pensa em conseqüências; Alexander, pode-se dizer, é Max, o ignorado, frágil, o mais baixinho e o que necessita de mais atenção; O Touro é aparentemente um peso morto, apenas um membro mudo da família de monstros que não interfere em nada, mas sempre está presente, é amigo e faz tudo o que o mandam fazer; por fim, KW é a mocinha, que tem uma relação complicada com Carol e há pouco tinha deixado o grupo, cansada das variações repentinas de emoções de Carol (o diretor foi inteligente em manter esse relacionamento escondido, sem dar muitas pistas, sem deixar claro ao expectador o que realmente está acontecendo, fazendo-nos sentir tudo como se fôssemos um estranho – ou seja, como se fôssemos o Max).

Max então, aparece para os monstros que ameaçam devorá-lo, mas não o fazem, pois Max diz que tem grandes poderes e que é temido por povos longínquos como o povo dos Vikings. Sendo assim, os monstros tornam Max um rei. A partir desse ponto, o filme é extremamente cativante, mostrando a relação entre os monstros de extremo companheirismo, uma sensação de família raramente transmitida no cinema, talvez nunca mostrada como nesse filme. Amizade, aconchego, aproximidade. Mas tudo isso numa espécie de aquário de vidro fino, onde o menor erro pode ocasionar uma guerra entre essa família, principalmente vinda de Carol. Jonze passa as mais puras sensações e fantasias de uma criança de forma única e reflexiva.

Quanto ao visual, é mágico! Spike Jonze filma todo o filme com a câmera na mão, dando uma sensação de realidade impressionante, como se participássemos dele, desde as brincadeiras até as intrigas. Nós vivemos o filme! E Spike Jonze (diretor de Being John Malkovich e Adaptation) cria o mundo de Max com extrema precisão e realismo que é difícil não se emocionar, junto à bela trilha sonora, paisagens e claro, os monstros.

Por Pedro Ruback

quarta-feira, 30 de março de 2011

Screenshot quiz #1

Bem vindos ao Screenshot Quiz, o primeiro jogo do Ornitorrinco Cinéfilo! O jogo é extremamente simples, mas bem interessante. A cada semana postarei um screenshot de algum filme – ou um detalhe de uma cena, ou um objeto relacionado a algum filme – e você, leitor, deverá tentar acertar de qual filme veio essa imagem, postando sua resposta nos comentários, aqui em baixo. Como no Universo nada se cria, tudo se transforma, essa ideia surgiu depois que vi um jogo parecido no excelente blog Museu do Cinema.

Aí em cima está o primeiro screenshot! Está fácil!

Por Victor Bruno

terça-feira, 29 de março de 2011

Novo pôster para A Árvore da Vida

Ao que parece, Terrence Malick (Além da Linha Vermelha, Dias de Paraíso) descobriu a importância do marketing na divulgação de um filme. Dito isso, eis o novo pôster para o seu velho-novo filme: A Árvore da Vida (The Tree of Life). “Velho-novo filme”? Sim, o neologismo pode ser perfeitamente aplicado, já que está sendo preparado desde o ano de 2007.

A Árvore da Vida também chega com mais novidades no que diz respeito a sua divulgação. O filme também ganhou um site (que pode ser acessado clicando aqui) e um Tumblr (aqui). O filme estreia em 27 de maio, nos Estados Unidos, e em 1o de julho aqui no Brasil.

Clique aqui para ver o pôster.

Da Redação

sábado, 26 de março de 2011

Newman/Taylor

Não é que eu não tenha ligado para a morte de Elizabeth Taylor. Apenas admiro-a demais para publicar coisas como “vá em paz”, ou homenagens, ou linhas do tempo sobre sua carreira. Simplesmente acho mais interessante achar curiosidades ou depoimentos de quem conviveu com ela, para então repassar para você, leitor. (Até por que você pode encontrar linhas do tempo melhores e mais bem elaboradas do que qualquer uma que eu me propusesse a fazer em sites como o Cineplayers, Cinema em Cena e/ou no The New York Times.)

Mas este post não procura explicar nenhuma suposta “falta de interesse” minha na morte de Liz Taylor. Eu venho postar um vídeo que encontrei na Internet. Um tributo de Paul Newman (Um Golpe de Mestre, Gata em Teto de Zinco Quente) à Elizabeth Taylor, que foi exibido no TCM há alguns anos atrás.




Por Victor Bruno

quinta-feira, 24 de março de 2011

Galeria - Wim Wenders





Por Victor Bruno

terça-feira, 22 de março de 2011

Minha vida com Stanley Kubrick

Nunca me esquecerei. Acho que para todos os cinéfilos, este deve ser um momento histórico, quiçá sagrado – o seu primeiro Kubrick. Assistir pela primeira vez um filme de Stanley Kubrick deve ser como perder a virgindade. OK, eu estou exagerando. Assistir a um Kubrick é mais emocionante. Mas isso não importa agora. Gostando ou não, o primeiro Kubrick é algo inesquecível, aterrador. Martin Scorsese diz que assistir a um filme de Stanley Kubrick é como subir numa montanha, olhar a paisagem. Inevitavelmente você exclamará “Nossa, que vista!”. Scorsese, para variar, está corretíssimo.

Eu não exclamei “Nossa, que vista!” quando assisti meu primeiro Kubrick. Devia ter uns sete, oito anos quando isso aconteceu. Era uma noite de sábado, no início da década passada. 2002, 2003... eu sei lá. Só sei que o filme que estava passando era Nascido Para Matar (Full Metal Jacket, 1987). Se eu fosse quem sou hoje (um cinéfilo patológico) naquela época, teria dito que aquilo era anormal. “Stanley Kubrick na TV aberta?!”. Provavelmente não teria assistido, já que o filme – naturalmente – passaria dublado. E passou. Mas é como eu disse há alguns dias atrás, no Twitter: Kubrick é Kubrick até debaixo d'água, assim como Linda de Um Pistoleiro Chamado Papaco é mulher até debaixo d'água.

O filme estava dentro do “Festival Stanley Kubrick”, no Cine Belas-Artes (a sessão de Cinema, não o finado cinema Cine Belas-Artes). Na semana seguinte passariam O Iluminado (The Shining, 1982). A chamada daquele maldito filme já me apavorava. Sério, pouco menos de 30 segundos, basicamente o narrador dizendo “Um dos filmes de terror mais aclamados de todos os tempos. Do diretor Stanley Kubrick: O Iluminado”.

De todo modo, eu estava fascinado. Se estou bem lembrado, naquela noite assisti até a cena em que Jocker explica por que diabos ele usa um capacete em que se lê “Born to kill” e um botton pacifista. E já naquela época eu havia percebido algo que críticos e espectadores julgavam como certo e como universal: A primeira parte de Nascido Para Matar é infinitamente melhor que a segunda.

Melhor pode até não ser, mas é claramente mais divertida. A primeira é uma tortura psicológica quase interminável. “É como ir para o ringue e enfrentar os punhos de Mike Tyson”, como bem disse o crítico Sérgio Vaz, em um esclarecedor texto sobre o filme publicado em 1988, e que pode ser lido no seu – excelente – site 50 Anos de Filmes (o texto pode ser lido aqui). E você pode me chamar de masoquista, mas se os socos de Tyson forem tão agradáveis quanto assistir a Full Metal Jacket numa inesperada noite de sábado, quero ser esmurrado agora. (E quem sabe ser um Evander Holyfield Júnior e ter um pedaço da minha orelha cortada e mastigada.)

E foi certo. Final de semana seguinte estava eu na locadora (sim, locadora!), locando este filme. Algumas horas mais tarde eu estava o revendo. Podia não estar entendendo nada, nada dos temas que Kubrick queria tratar. “Dualidade humana”? Pro inferno com “dualidade humana”, senhor! Massacre das mentes dos jovens na guerra? Que se dane isso também! Eu estou vendo o que eles chamam de “obra-prima”.

Eu não sabia quem era Stanley Kubrick. Só consegui compreender o que – e quem – era ele alguns anos mais tarde, quando assisti a 2001 – Uma Odisseia no Espaço. E, como metade dos adolescentes, não gostei. Eu esperava o quê? Sei lá. Um Star Wars da vida. Um filme que tem “Odisseia no Espaço” no título, e começa na Pré-História? Só então vi que este Stanley Kubrick era o mesmo Stanley Kubrick que havia feito Laranja Mecânica, filme que eu havia visto algumas semanas antes, e amado, amado, amado.

Mas é assim. Stanley Kubrick faz parte da minha gênese cinéfila, bem como Carol Reed, Paul Thomas Anderson, Quentin Tarantino e Terrence Malick, também. Mas Kubrick é algo mais nostálgico. Por isso fiz questão de assistir de assistir De Olhos Bem Fechados no SBT, dublado, no último sábado. Você sabe – sábados sempre são sábados.

Por Victor Bruno

segunda-feira, 21 de março de 2011

Rango

Rango, 2011 / Dirigido por Gore Verbinski
Com Johnny Depp, Isla Fischer, Abigail Breslin, Alfred Molina, Ned Beatty, Stephen Root, Bill Nighy e Harry Dean Stanton

(4/5)

O mundo da animação atual parece ser dividido em dois segmentos: os filmes Pixar e os não Pixar. Dentro do filão “não Pixar” existem dois subgrupos: os DreamWorks e o resto. Pois é dentro do “resto” em que nós encontramos pérolas como Rango. Pérolas raríssimas, diga-se de passagem. Contam-se nos dedos quantas vezes nós podemos ver filmes como este serem lançados anualmente. Filmes da qualidade técnica e com a sensibilidade de Rango. De um jeito bem simples, podemos dizer que esta obra de Gore Verbinski (de O Sol de Cada Manhã e da série Piratas do Caribe) é quando a sensibilidade e o primor técnico de O Fantástico Sr. Raposo (The Fantastic Mr. Fox, 2009) se encontram com o humor amalucado de Deu a Louca na Chapeuzinho (Hoodwinkled!, 2005). E esses filmes são excelentes.

Mas é preferível estar do lado de Raposo de Wes Anderson (A Vida Marinha com Steve Zissou, Viagem à Darjeeling) do que do lado de Chapeuzinho de Cory Edward. Raposo, além de ter uma plasticidade incrível (como é habitual na filmografia do seu diretor), realiza um estudo de personagem brilhante, ainda que meio acanhado. Lá o Sr. Raposo do título queria escapar da sua própria natureza. Queria ser uma raposa anti raposa, enquanto Deu a Louca na Chapeuzinho divertia seu público simplesmente fazendo uma subversão do gênero dos contos-de-fada. Não que isso não tenha seus devidos méritos. É interessantíssimo, além de arrancar grandes gargalhadas com seus momentos de comicidade. Só que o filme de Wes Anderson é mais corajoso e elegante. Afinal de contas, quem é o cineasta que faz análises psicológicas de seus personagens num filme cuja mídia é dominada pelas crianças, que estão se lixando para análises psicológicas. Mas é engraçado, por que a Pixar faz isso, e... bem, Toy Story 3.

Aqui nós temos algo similar. Com roteiro de John Logan (o mesmo roteirista de O Aviador e do próximo filme de Martin Scorsese, Hugo Cabret), baseando-se numa estória criada por Verbinski, James Ward Byrkit e pelo próprio Logan, o filme segue um camaleão (Johnny Depp) que, após um acidente de carro, perde a proteção da sua caixinha de areia e dos seus dois melhores “amigos” (um peixe mecânico e uma bonequa Barbie sem cabeça e sem roupas) e vai parar na seca e poeirenta cidade de... Poeira. Chegando lá, o camaleão – e o público – conhece uma situação extremamente caótica e miserável. Não há água em Poeira. Os cidadãos estão na mais absoluta seca. O último reduto de água que resta em Poeira é guardado à sete chaves pelo banqueiro da cidade: um enorme galão de água onde existe a marcação de dias que faltam para a água acabar.

Desde cedo o camaleão é avisado que não vai durar muito, seja pelo grupo de corujas mariachis que tocam a trilha sonora do filme (o tema, composto pela banda Los Lobos, é genial!), seja por Priscilla (voz de Abigail Breslin). Não importa, os prognósticos são os piores possíveis. Mas logo a situação muda. Depois de mentir, mentir e mentir mais ainda numa briga no clássico saloon da cidade (qual cidade do Velho Oeste não tem um saloon?), o camaleão, que agora adota o nome-fantasia de Rango, rapidamente transforma-se no herói da cidade, após matar acidentalmente a águia que ameaçava a todos, mocinhos e malvados, na cidade de Poeira. Mas os problemas estão longe de acabar. Portanto, o sinistro Prefeito (Ned Beatty), promove Rango ao cargo de xerife. Tudo bem, certo? Errado. A água da cidade some e o banqueiro é encontrado morto. Rango agora tem que fazer de tudo para sustentar a personagem que criou (afinal, ele nunca foi um pistoleiro na vida, muito menos sabe quem é) e manter a esperança de uma comunidade que já não tem mais em quem, ou o que, acreditar.

Aliás, o tema da crença em Rango é uma constante. O roteirista Logan modela a fé de diferentes formas dentro do seu filme. Se a aterrorizada comunidade de Poeira tem na fé e na esperança suas últimas chances de sobrevivência, já que a água parece algo tão distante e inalcançável, o Prefeito utiliza-se da fé para enganar sua comunidade. Numa cena particularmente brilhante do filme, ele diz: “Bem, Sr. Rango, as pessoas têm que acreditar em alguma coisa. Acreditar... acreditar. Acreditar em algo”. E Rango, por sua vez, acredita realmente que é um justiceiro que veio para salvar a pele da gente miserável de Poeira. Afinal, Rango é apenas um camaleão em séria crise de identidade. Uma crise tão séria que, quando indagado por Priscilla sobre quem ele é, Rango gagueja, gagueja... mas não consegue responder.

Mas talvez o que seja mais interessante dentro da obra de Verbinski (diretor extremamente versátil, por quem tenho uma profunda admiração desde que vi o tocante O Sol de Cada Manhã, com Nicholas Cage) sejam as referências cinematográficas inseridas neste filme. Elas começam desde... o próprio Rango. Veja como a camisa de Rango é idêntica a camisa que Raoul Duke (também interpretado por Johnny Depp) em Medo e Delírio (Fear and Loathing in Las Vegas, 1998). Também reparem nos dois caras que dirigem o conversível que atropelam Rango. São os próprios Duke e Gonzo, de Medo e Delírio.

Felizmente o filme não se atém apenas nestas referências ao Cinema. Rango homenageia principalmente ao Western e ao Western spaghetti, gênero que revelou lendas do cinema como Clint Eastwood, Terence Hill, Sergio Leone, Franco Nero e tantos outros. Observe, por exemplo, a cena do duelo entre Jake Cascavel (Bill Nighy) e Rango. Os cortes nos olhos dos atores, assim como Leone fazia, para acentuar a tensão. Além de ser uma referência inteligentíssima, Verbinski realmente acentua a tensão realizando este jogo visual. Repare também como o Prefeito, apesar de estar em sua cadeira de rodas, ainda exala poder por todos os seus poros, tal qual Morton em Era Uma Vez no Oeste (Once Upon a Time in the West, 1968). E, claro, não podemos nos esquecer do Espírito do Oeste, personagem que Rango encontra num sonho, que não é nada mais do que uma versão digital de Clint Eastwood no seu traje de Homem Sem Nome, ou o próprio Jake Cascavel, que guarda enormes semelhanças com Lee Van Cleef em Três Homens em Conflito (Il bono, il bruto, il cattivo, 1966).

Apesar de contar com um visual simplesmente sensacional, desenvolvido pelo master Roger Deakins, que ano passado também desenvolveu o soberbo visual de Como Treinar Seu Dragão (How to Train Your Dragon, 2010), que flerta principalmente com uma paleta de cores pastéis, bem amareladas, para enfatizar a falta de água escandalosa daquela cidade; e de ter uma trilha sonora soberba, composta com Hans Zimmer (me flagrei fazendo batidas ritmadas durante a sequência da “metáfora”), Rango apresenta buracos enormes de desenvolvimento. Qual a função da raposa que chama Feijão (Isla Fischer) de “vaca”? Ou mesmo, por que insistir em colocar um affair amoroso entre Feijão e Rango? Algumas falhas de execução que estragam o resultado final.

Mas, de todo modo, Rango prova-se um filme inteligentíssimo, extremamente esperto. Rango é, para nós, assim como a água é para poeira: uma bênção. Uma pepita de ouro nesses dias de pobreza.

Por Victor Bruno

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