Harry Potter e as Relíquias da Morte: Parte 2 (crítica II)

Para Victor Bruno, a última parte da saga de Harry Potter não é nada demais, nem nada de menos. Apenas o suficiente

Harry Potter e as Relíquias da Morte: Parte 2

A saga de Harry, Hermione e Ron chega ao fim e Douglas Braga não gosta nada da sua conclusão

Especial David Fincher: A Rede Social

Na última parte do Especial, relembre o que Victor Bruno escreveu sobre A Rede Social, mais recente filme de David Fincher

Especial David Fincher: O Curioso Caso de Benjamin Button

Victor Bruno faz uma análise de O Curioso Caso de Benjamin Button, no penúltimo filme comentado neste especial

Especial David Fincher: Zodíaco

O nosso especial sobre David Fincher continua com Douglas Braga falando sobre Zodíaco, mais um thriller investigativo do norte-americano

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Galeria - For Your Consideration ads (2010/2011)

Ou, como eu gosto de chamar, quando Holywood destila a sua arrogância.







Por Victor Bruno

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Tropa de Elite 2 é o filme mais visto da história do cinema nacional

Mr. Box Office

Não surpreende ninguém, certo? Pois é, segundo o site G1.com, a obra-prima de José Padilha (foto), tornou-se o filme mais assistido do cinema nacional. Para ser preciso, o filme foi assistido por, nada mais, nada menos, 10.736.995 pessoas. Nada mal, certo? Enfim, o filme foi a primeira obra a desbancar o antigo campeão nacional, o filme Dona Flor e Seus Dois Maridos, do longínquo ano de 1976.

De toda forma isso mostra que tem jeito do cinema brasileiro atrair bilheteria. Infelizmente é da pior maneira possível: com blockbusters. (Ou com filmes que tenham manége à trois.)

Veja o link da notícia original aqui.

Por Victor Bruno

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

A Rede Social

The Social Network, 2010 / Dirigido por David Fincher
Com Jesse Eisenberg, Andrew Garfield, Justin Timberlake, Armie Hammer, Josh Pence, Rooney Mara

Mark Zuckerberg é um sujeito mal? Um vilão? Bom, Balzac dizia que por trás de toda grande fortuna, há um grande crime. Eu desconfio que o escritor francês, autor de "O Pai Goriot" esteja errado. Talvez a afirmativa correta seja que por trás de toda grande fortuna, existem grandes intrigas. Talvez tenha sido isso o que Balzac tenha tentado dizer. Generalizando a palavra "crime" para toda confusão que existe por trás da construção de uma grande fortuna. Vai saber.

Esta tal "fortuna" pode ser 500 milhões de amigos. Como diz a tagline do filme, ninguém faz 500 milhões de amigos sem fazer alguns inimigos. Isto está correto. É exatamente isso o que o fantástico A Rede Social tenta nos desvendar, e, ao meu ver, não poderia ter sido de maneira melhor. O filme é um diamante. Aqui tudo funciona como a precisão de um relojoeiro.

Baseado no livro de Ben Mezrich, e com roteiro de Aaron Sorkin, criador da série The West Wing (quem melhor para escrever um filme como este?), A Rede Social conta a história da criação do Facebook. Só isso dá para entender o filme.

Não. Não dá. O filme é muito maior que isso. O filme é uma tour de force pela mente mais genial do nosso tempo: Mark Zuckerberg. Zuckerberg é um homem frio, egoísta, arrogante, genial, tolo, infantil. Isso nota-se desde o primeiro frame do filme (mas ainda não responde a questão que abre o texto). Após ser chutado pela sua namorada Erica (Rooney Mara), Mark vai descarregar toda sua fúria em seu blog -- Zuckonit.com. Horas depois tem uma idéia que -- em sua mente -- parece fantástica: criar um site cujo objetivo é responder uma simples questão: "Qual destas garotas é a mais gostosa?" O site é um sucesso, tem mais acessos na madrugada que foi criado do que a internet inteira "no intervalo do Superbow".


Obviamente as garotas de Harvard ficam ofendidas -- entre elas, Erica -- e Zuckerberg pega seis meses de suspensão. Contudo, o talento de Zuckerberg como programador chama a atenção de dois homens, os gêmeos Winklevoss (Armie Hammer e Josh Pence). Os dois têm a idéia, junto com um outro homem, Dyvia Narendra (Max Minghella, filho do diretor Anthony Minghella), de formar uma rede social chamada The Harvard Connection, onde todos os alunos possam se contatar na internet, trocar fotos e experiências. Zuckerberg topa, mas rouba a idéia, e vai fundar, junto com seu amigo Eduardo Saverin (Andrew Garfield), o TheFacebook, que, mais tarde, viraria o Facebook.

O mais interessante de tudo é que isso toda essa sinopse serve apenas como pano de fundo para a real intenção do filme: explorar Zuckerberg. O filme quer saber como um sujeito tão genial, o próximo Bill Gates, pode tomar atitudes tão idiotas como, só para dar uma pitada de sal para você, esnobar seu melhor, e único, amigo -- Saverin. Só por isso o filme já seria genial. Mas, infelizmente, não é só disso que um ou qualquer filme sobrevive.

A construção da personagem de Jesse Eisenberg soberba. Podemos dizer, sem exitar, que Mark Zuckerberg é o Charles Foster Kane do nosso tempo. É importante frisar que todo o filme, roteiro, direção gravitam ao redor da personagem, e como suas ações respingam aos que estão em volta, e como respingam, principalmente, em Eduardo Saverin. Para isso, precisa-se de um diretor de pulso forte e que saiba estudar as personagens de forma inteligente. Quem melhor que David Fincher?

O diretor utiliza-se do bom roteiro de Sorkind a melhor forma possível. Seus cacoetes fílmicos (iluminação escura, bom trabalho de câmera, etc) são todos utilizados aqui, e de forma perfeita. Para dar um exemplo do quão bom é o trabalho de Fincher: ele é o único diretor que consegue nos deixar apreensivos com uma sequência que se passa, basicamente, em frente a um computador. Isso não é tarefa fácil.


Fincher também se emprega de outros artifícios para deixar a história mais cativante. Observe como o diretor trata o mundo dos Winklevoss. Os dois são ricos, vêm de família rica. Fincher os despreza, utiliza-se do tilt-shift para mostrar seu mundo como uma mera maquete. Talvez nem seja Fincher, talvez sejam os olhos de Zuckerberg, já que o filme gira ao seu redor.

Agora vamos à cereja no topo do bolo: as atuações. De longe, elas são as melhores do ano. Esqueça Leonardo Di Caprio em Ilha do Medo e A Origem, esqueça Michael Cera em Scott Pilgrim Contra o Mundo. Esqueça qualquer coisa que você tenha visto este ano. O elenco todo está simplesmente perfeito. No melhor sentido da expressão. Jesse Eisenberg arrasa como Zuckerberg. O jovem ator que alguns poucos anos atrás havia estrelado A Lula e a Baleia e neste mesmo ano estrelou Zumbilândia está maravilhoso. E não é mérito só de Eisenberg, o roteiro de Sorkin leva-o a esse a essa qualidade. E se leva um, leva todos, já que Andrew Garfield, que nunca havia atuado bem na vida, e Justin Timberlake, para uma surpresa que me estarreceu, estão ótimos com seus Saverin e Sean Parker (um canalha), respectivamente.

Por que eu disse que o roteiro de Aaron Sorkin os levam a atuações boas? Simples; os diálogos nos são apresentados à velocidade da luz, filho. O pensamento rápido impera neste filme. As tiradas cômicas (que não são poucas, diga-se de passagem, fazendo o filme levar perfeitamente o rótulo de "dramédia") têm um timing perfeito, e necessitam dos atores para funcionarem. Ponto para Fincher e Sorkin.

A Rede Social têm um time de personagens incrível. A galeria de David Fincher foi toda montada com um propósito só: nos mostrar como Zuckerberg os derrubou com seu egoísmo, e sua tolice. Fincher, assim como nós, como eu e você, como todos, se surpreende e se pergunta, como um gênio pode ter desprezado seu único amigo, em virtude de um canalha, um déspota, como Sean Parker. O que acontece no filme não é caricaturado, é real, e é mostrado cru. Winklevoss, Saverin, até mesmo o apagado Dustin Moskovitz dançou na ciranda de Zuckerberg. Não é à toa que o final de A Rede Social seja extremamente deprimente. Agora Jesse Eisenberg duela com Michael Cera o título de rei dos nerds. Eu vou precisar discutir isso? Creio que não.

O mais interessante para mim foi que eu me vi em Zuckerberg. Isso é bom ou mal? Já que Zuckerberg não é um vilão ou um mocinho, nem um dos dois. Mark Zuckerberg é um só: Mark Zuckerberg.

Nota: 5 estrelas em 5.

Por Victor Bruno

domingo, 5 de dezembro de 2010

Bootleg trailer de The Tree of Life

A jornada em busca de The Tree of Life, do lendário Terrence Malick continua. A pesar do diretor tentar controlar as informações sobre o filme com mãos de ferro, é impossível não deixar algo vazar.

Durante a exibição de um filme, um corajoso homem conseguiu sacar sua câmera e teve a habilidade de filmar o trailer do tal filme tão escondido pero seu misantropo realizador.

As impressões que o trailer passa é de que será uma das obras mais sensacionais já criadas pelo homem. Fotografia divina, atuações impecáveis... enfim. Puro Malick.



Por Victor Bruno

sábado, 4 de dezembro de 2010

Zelig

Zelig, 1983 / Dirigido por Woody Allen
Com Woody Allen, Mia Farrow

O camaleão. Todos nós conhecemos o camaleão, certo? Todos nós sabemos que o camaleão é aquele réptil que, quando necessário, muda sua cor para se adaptar ao ambiente. Porquê ele faz isso? Para se adequar ao ambiente ao seu redor e passar despercebido pelo seus inimigos. É uma função natural, biológica, que demorou milênios para ser desenvolvida, no camaleão. O camaleão é um animal que nasceu para passar-se despercebido na natureza.

Não é à toa que Leonard Zelig foi chamado em vida de “O Homem Camaleão”. O sujeito era um grande camaleão humano. Aliás, na descrição do camaleção, no parágrafo acima, eu usei palavras e termos que são utilizados durante os 74 minutos do ótimo documentário de Woody Allen, Zelig. Documentário não – mockumentary. Explicarei esta ratificação mais tarde.

Leonar Zelig é um homem que vive a vida querendo ser todo mundo, menos ele mesmo. Se está perto de chineses, assume a aparência de um, se está perto de negros, muda de cor (!) e se está perto de obesos, fica gordo imediatamente. Suas metamorfoses são impressionantes, e chamam a atenção de pessoas notórias, como, por exemplo o escritor F. Scott Fitzgerald (o símbolo máximo da Era do Jazz). Zelig é mandado para um hospital onde, sob os cuidados da Dra. Eudora Nesbitt Fletcher, será investigado e tentará ser curado do seu “mal”. A partir daí o mockumentary narra a história deste homem... multifacetado, digamos assim.

Zelig é brilhante desde a sua concepção. Para começa, o tal Leonard Zelig nunca existiu. Nem a tal Dra. Eudora Fletcher. Tudo não é mais que um produto genial, por sinal da mente – até então – brilhante de Woody Allen. Só por isso o filme mereceria palmas de pé. Quem mais teve essa ideia? Ninguém, é claro, mas nós não paramos por aí. Zelig é um interessante tour de force pela mente do personagem-título. A obra quer investigar porquê Zelig vive a vida sem personalidade, fingindo ser todo mundo. Aceitação social? Insegurança? Sim. De tudo um pouco. Mas, acima de tudo, o filme é uma análise crítica sobre a farsa. Para começar, o próprio filme é uma farsa. Zelig, o filme, é uma ficção travestida de realidade. Uma escolha de mestre por parte de Woody Allen, que planejou cada frame do filme para ficar o mais fiel possível de um documentário.

Allen, e seu diretor de fotografia, o mestre Gordon Willis, filmaram com todo equipamento possível: Super8, câmeras de TV, câmeras de 35mm, tudo. Depois, para ficar o mais envelhecido possível, pisaram em cima dos negativos, jogaram-nos na água, colocaram na geladeira. Enfim, eles repetiram exatamente o mesmo processo que Orson Welles fez 42 anos antes em Cidadão Kane (que tem cenas de um pseudo-documentarismo também).

Mas é óbvio que Zelig não sobrevive só só das suas qualidades técnicas. A direção e o roteiro de Allen são “puro ouro. O diretor conduz o projeto com maestria. Apesar de ser um “documentário”, a película consegue passar emoções, coisa que documentários convencionais não conseguem fazer, em virtude da frieza com que os temas são tratados. Aqui Allen consegue estabelecer momentos hilariantes (a cena da hipinose com Leonard falando sobre as panquecas da Dra. Fletcher é de rachar de tanto rir), com momentos de pura tensão (a gravação da voz de Leonard contando quando começou seu medo de não ser aceito na sociedade é uma delas, por exemplo).

Como se não bastasse, Zelig ainda é uma ode de Allen para os anos 20, uma época que, certamente, Woody queria ter nascido. O jazz estourava nas caixas de som das boates americanas, era o tempo da Lei Seca, e era um tempo onde Leonard Zelig (ou Woody Allen?) poderia ter sido rei. Em dado momento do filme nós conhecemos que a popularidade da personagem principal era tão grande que músicas foram compostas em sua homenagem (como a dançante “Leonard the Lizard”, a simpática “Doin' the Chamaleon”, interpretada por Mae Questel, que fazia a voz da espevitada Betty Boop, ou ainda a romântica “You May Be Six People, But I Love You”), danças foram feitas inspiradas em Zelig, bonecos, etc. Eu cheguei a pensar que Allen estaria aí criticando a utilização de pessoas em momentos determinados de sua vida para fins lucrativos. Mas não creio que seja esta a intenção do diretor. Acho que Allen só queria mesmo mostrar como as coisas eram no tempo do jazz.

O filme conta ainda com as interpretações fantásticas de Woody como a personagem título, brilhante. Sua interpretação como Zelig está tão boa que ele encontra lugar para interpretar a si mesmo (a gagueira, a fala apressada de um bom nova-iorquino, etc). Mia Farrow como a Dra. Fletcher está irreconhecível, e toda uma enorme galeria de intelectuais, psicólogos, e pessoas que teriam conhecido o “real” Leonard Zelig povoam os coadjuvantes do filme.

Agora que terminamos, por favor, levantem-se para dançar “Doin' the Chamaleon”. Mas antes:

Leonard, quando você começou a ser outras pessoas?

Eu entrei num bar irlandês num dia de São Patrício. Eu não estava vestido de verde. Daí comecei a agir como um irlandês... nasceram cabelos vermelhos... e eu comecei a falar da falta de batatas e de duendes.

Agora, com vocês; Mae Questel!

Nota: 5 estrelas em 5

Por Victor Bruno


quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Videocast Ornitorrinco Cinéfilo - Videocrítica: O Americano Tranquilo



Da Redação

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Através de um Espelho

Såsom i en spegel, 1961 / Dirigido por Ingmar Bergman
Com Lars Passgård, Harriet Andersson, Gunnar Björnstrand e Max von Sydow

Para começar, um trecho da Bíblia:
"No presente vemos por um espelho e obscuridade; então veremos face a face. No presente conheço só em parte; então conhecerei como sou conhecido."
O trecho reproduzido acima está presente na primeira epístola aos coríntios, no capítulo 13. Mas por que eu reproduzi um trecho da Bíblia nesta crítica? Ora, por que este é um trecho de fundamental importância para a compreensão da obra-prima de Ingmar Bergman, Através de um Espelho.

Mais uma vez o cineasta suéco volta ao tema da família, no seu típico cinema humanístico. Através de um Espelho é uma desconstrução sentimental de uma família desestruturada psicológica e espiritualmente (como tantas outras no cinema bergmaniano, vide Fanny & Alexander). Gente egoista, racionalista e desesperada povoa a tela de Ingmar Bergman neste filme. Esta "gente" sofre como nunca e precisa de carinho.

Neste filme esta "gente" são David (Gunnar Björnstrand, o egoísta racionalista), Minus (Lars Passgård, o filho desesperado que busca atenção), Karin (Harriet Andersson, a filha louca) e Martin (Max von Sydow, o único sensato do filme). Num dia de verão eles resolvem viajar para a casa de praia, afim de comorar a saída recente de Karin do hospital. A cena inicial, cruelmente irônica, não é nem reflexo do que veremos pelos próximos 90 minutos. Eles estão felizes, tomando banho no mar. Mas logo veremos que nada daquilo é real, é tudo fachada para o sofrimento que cerca aquelas quatro pessoas.


Agora, vamos analisar um pouco a obra. O título Através de um Espelho vem diretamente do trecho da Bíblia citado no início da crítica. O significado que os estudiosos teólogos aplicam a esta passagem é que não se pode compreender a vida em sua integridade enquanto estamos neste mundo (aos olhos da filosofia cristã, é claro). É preciso passar para o outro plano -- ou, para o outro lado do espelho, se quiseres algo mais poético -- para compreender tudo. Observe o trecho final: "No presente só conheço em parte; então conhecerei como sou conhecido." Isso é a justificativa para o título certo? Errado. Isso é a justificativa para todo o Através de um Espelho. Bergman, neste filme, faz uma viagem de conhecimento interior.

A personagem mais interessante do filme é, sem dúvidas Karin, numa interpretação inspirada de Harriet Andersson. Ela vive entre dois mundos, o real e o das suas alucinações. Mas este mundo alternativo, se bem analisado, pode ser o outro lado do espelho do trecho citado na epístola aos coríntios. Dentro da cabeça de Karin uma voz (que pode ser a de Deus, talvez) guia suas ações. E são estas ações que acendem a pólvora da trama.

O estudo das personagens continua, mas sempre gravitando ao redor. A viagem de conhecimento interior guiada por Bergman continua na persona desgastada e sofredora do escritor David, interpretado magistralmente por Gunnar Björnstrand. O olhar perdido, às vezes perplexo, de Björnstrand condiz perfeitamente com a sua personagem. Suas ações são egoístas (ele chega ao ponto de dizer que gostaria de se matar pelo simples fato de não aguentar o sofrimento, revelando aí uma personalidade misantrópica) e condescendentes, não importa se é com o seu filho. Aliás, seu filho Minus é, pelo menos para mim, a verdadeira personagem principal deste filme. O Minus de Lars Passgård é quem leva toda a carga dramática do filme. Todas as ações das personagens vão influir diretamente na personagem de Passgård. Isso fica bem claro no seu olhar perplexo ao final do filme -- talvez um dos melhores finais já filmados pelo ser humano. Além disso sua última fala não é nada menos do que sensacional.


Para sustentar toda essa parafernalha sentimental e filosófica, Bergman utiliza-se da fotografia tradicionalmente genial de Sven Nykvist (você nunca irá falar de Bergman sem falar de Sven Nykvist). Os planos são excelentes. A fotografia de Nykvist é inspirada, leve, quase flutuante. Nas cenas do quarto onde Karin tem suas alucinações "com o outro mundo", a câmera fica estratégicamente posicionada em plano aberto, como se nós fossemos as pessoas que são citadas por Karin.

Através de um Espelho é o primeiro filme da "Trilogia do Silêncio", que é seguida de Luz de Inverno e O Silêncio. O tal silêncio, neste filme, não são um, mas vários. O de Deus, por aparentemente só se comunicar com a menina esquizofrênica (em um conceito mais filosófico, talvez ela nem esteja louca, como se pensa). Pode também ser um silêncio mais claro, como o de David para Minus. Enfim, o silêncio no filme de Bergman é torturante. E o modo, a leveza como o diretor conduz sua obra é fascinante. Em resumo, Através de um Espelho é soberbo, perfeito, genial. Mas, claro, se tratando de Bergman, você já sabia disso.

Nota: 5 estrelas em 5

Por Victor Bruno

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