Harry Potter e as Relíquias da Morte: Parte 2 (crítica II)

Para Victor Bruno, a última parte da saga de Harry Potter não é nada demais, nem nada de menos. Apenas o suficiente

Harry Potter e as Relíquias da Morte: Parte 2

A saga de Harry, Hermione e Ron chega ao fim e Douglas Braga não gosta nada da sua conclusão

Especial David Fincher: A Rede Social

Na última parte do Especial, relembre o que Victor Bruno escreveu sobre A Rede Social, mais recente filme de David Fincher

Especial David Fincher: O Curioso Caso de Benjamin Button

Victor Bruno faz uma análise de O Curioso Caso de Benjamin Button, no penúltimo filme comentado neste especial

Especial David Fincher: Zodíaco

O nosso especial sobre David Fincher continua com Douglas Braga falando sobre Zodíaco, mais um thriller investigativo do norte-americano

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Liberado novo pôster de The Girl with the Dragon Tattoo

E junto com isso, polêmica

“Eu fiquei oficialmente enraivecida quando vi o último pôster de The Girl with the Dragon Tattoo a aparecer na internet”. É com essa frase que o texto-protesto de Melissa Silverstein tem início. E junto com essa frase, surge uma polêmica: Estaria David Fincher indo longe demais em seu novo filme?

O texto, apropriadamente intitulado como “The Pornification of Lisbeth Salander” (A Pornificação de Lisbeth Salander), discute o novo pôster liberado da versão americana do livro Os Homens que Não Amavam as Mulheres. Neste bendito pôster (abaixo), a atriz americana Rooney Mara, aparece com o mamilo direito totalmente exposto. Sem nenhum rodeio.

E para Silverstein, é esse o problema: “Lisbeth não deveria ser gostosa. E é exatamente por isso que eu gosto dela”, a autora aponta.

Melissa, autora da coluna “Women and Hollywood” no site IndeWire, vai além. Ela compara o pôster da versão de Fincher com o pôster da versão original, filmada e lançada na Suécia. Vejamos o que ela disse:

“Veja o pôster do filme sueco. Isto foi criado para um filme europeu (onde eles supostamente são mais liberais com a sua sexualidade, o que parece ser uma razão para que a versão internacional do pôster do filme americano tenha nudez), mas veja, Lisbeth está totalmente vestida (e sem Mikael [Blomkvist, parceiro de Salander no livro e no filme original]).”

Silverstone vai além, e diz que os marqueteiros do filme (que será distribuído pela Columbia Pictures) quiseram incluir Craig no pôster “só por que ele é o James Bond e Rooney, afinal, foi só uma garota obliterada por Jesse Eisenberg numa cena notável de A Rede Social”.

The Girl with the Dragon Tattoo estréia em dezembro nos Estados Unidos.

Por Victor Bruno

08/06/2011

terça-feira, 7 de junho de 2011

Pixar lança teaser pôster de La Luna

O novo curta da empresa de John Lasseter faz premiere nesta semana na França

Chegou hoje na internet três imagens do novo curta da Pixar, La Luna: A logo do filme (acima), um still (abaixo) e o teaser poster (clique aqui).

Ainda não se sabe quando a Pixar lançará comercialmente o filme, mas já sabemos que não pode ser em Carros 2 – que estréia no fim do ano –, já que o curta Hawaiian Vacation, que se passa no mundo de Toy Story.

A sinopse oficial, divulgada em maio, é a seguinte:

La Luna é a fábula atemporal de um garoto que está entra na adolescência na mais peculiar das circunstâncias. À noite será a primeira vez que seu pai e avô lhe falarão sobre trabalho. Num velho barco de madeira os três vão para alto-mar, e sem nenhuma terra a vista, eles param e ficam à deriva. Uma grande surpresa está a espera do garoto, no momento em que ele descobre que a sua família tem a mais estranha das linhas de trabalho. Deveria ele seguir o exemplo de seu pai, ou o do seu avô? Estará ele apto a encontrar o seu caminho no meio de seus conflitos de opinião e das antigas tradições da família?

É. Desse jeito parece que seria algo que Wes Anderson ou Charlie Kaufman dirigiriam.

La Luna estréia esta semana, no Annecy International Animation Festival, que acontece do dia 6 ao dia 11 na França.

Por Victor Bruno, com informações do /Film

Disney Studios planeja grande corte de pessoal

Corte atingirá principalmente setor de distribuição

Para qualquer um que esteja familiarizado com a história recente do lendário estúdio norte-americano de animação que já trouxe tantas obras-primas do Cinema, como A Bela e a Fera e O Rei Leão, não é nenhuma surpresa escutar que a Disney está em apuros, mas agora o caso parece ser outro.

Conforme apontado pelo Los Angeles Times, o chefão Robert A. Iger vem, nos últimos anos, fazendo uma grande reestruturação: Iger vem diminuindo cada vez mais o número de produções, lançamentos e distribuições de filmes e vendeu a rentável Miramax dos irmãos Weinstein, só para citar alguns exemplos. Mas agora a banda passou a tocar de forma diferente: A Disney planeja um corte de cerca de 250 dos seus mais de 5.000 funcionários ao redor do mundo. Segundo uma fonte anônima, os cortes são uma tentativa para cobrir o recente prejuízo que a empresa vem tomando devida a fraca venda de DVDs e “as mudanças nos hábitos do consumidor”, ainda segundo o L.A. Times.

Segundo a Fox Business, os cortes deverão acontecer no próximo dia 13.

Por Victor Bruno

07/06/2011

domingo, 5 de junho de 2011

Luzes da Ribalta

Limelight, 1952/ Dirigido por Charles Chaplin
Com Charles Chaplin, Claire Bloom, Sydney Chaplin e Buster Keaton


(5/5)

O cinema de Chaplin sempre contou com uma fórmula infalível que abrangia elementos distintos, mas que misteriosamente funcionavam em perfeita sintonia quanto juntos, como humor, melancolia, otimismo, sátira e arte. Claro que, aos olhos dos mais desatentos, o que sempre se sobressaiu nesse meio foi a comédia. De fato, a comédia é o ingrediente principal dessa fórmula, mas não funcionaria tão bem sem os elementos secundários. Com o passar dos anos e com a banalização de muitos diante de seu cinema, Chaplin foi perdendo aos poucos seu apurado senso de humor para dar lugar à melancolia. No fim de sua carreira, portanto, só conseguimos notar filmes focados em premissas deprimentes e amargas. Em Luzes da Ribalta, o mais lírico e também mais triste filme de sua filmografia, Chaplin se rende depois de anos lutando por seus ideais.

Deixando um pouco de lado as óbvias coincidências, nos concentremos apenas no enredo, que gira em torno de Calvero, um palhaço decadente. Há muitos anos sem experimentar a glória de ser aplaudido por um público, Calvero agora vive de tocar instrumentos musicais na rua em troco de algumas esmolas, como um verdadeiro vagabundo. Sua vida ganha outro rumo quando salva a jovem bailarina Terry, sua vizinha, do suicídio. Depressiva e melodramática, Terry não consegue mais andar depois de um colapso nervoso, o que a impede de seguir em frente com sua carreira. Com o suporte e encorajamento de Calvero, Terry voltará a andar e atingirá o estrelado, ao mesmo tempo em que seu amigo palhaço afunda cada vez mais no esquecimento.

A vida dos dois personagens é tão miserável que fica impossível não se sentir incomodado. A princípio os dois parecem apenas desapontados com suas carreiras, mas aos poucos veremos que o que realmente os aflige é a vida. Cansados de viver e de lutar por um reconhecimento que talvez nunca chegue, os dois são verdadeiros artistas que perdem o rumo quando percebem que o mundo ao redor é fútil e indiferente às coisas que realmente valem a pena. Calvero experimentou a fama e sabe o que é ser reconhecido, mas também sabe o que é envelhecer e não se adaptar às mudanças do público. Terry ainda é jovem e tem muito pela frente, mas é tão precoce e sofrida que sabe que, mesmo que um dia faça sucesso, acabará sozinha e esquecida assim como Calvero. Ambos amam a arte e vivem por ela, mesmo sabendo que se trata mesmo, no fim das contas, de pura ingratidão.

É então que as semelhanças já mencionadas com a vida de Chaplin vêm à tona. Chaplin também era um comediante em decadência e via todo seu legado ir pelo ralo com o surgimento do cinema falado, que matou seu personagem mais famoso, o Vagabundo (inclusive Calvero, em alguns momentos, imita alguns trejeitos do personagem e até se autodenomina de vagabundo). O mundo tinha acabado de se recuperar dos destroços da Segunda Guerra Mundial e parecia não ter aprendido nada. A América o exilou do país e o obrigou a se refugiar na Europa e, de repente, tudo o que ele havia batalhado para construir no cinema estava ficando para trás. O humor dele estava caindo em repetição e já não agradava a nova geração, que só queria saber da "novidade" dos filmes falados e coloridos. Chaplin já não era o maior nome do cinema e o mundo lhe tinha dado as costas.

A coisa não é diferente para a personagem de Claire Bloom, Terry. Para construir a personagem, Chaplin se baseou na vida de sua mãe, que era uma famosa cantora e atriz, mas que perdeu tudo depois de contrair uma doença na laringe e perder sua voz, sendo rapidamente substituída e esquecida, assim como aconteceu com Terry depois perder funcionamento de suas pernas. No caso da mãe de Chaplin, ela enlouqueceu e foi mandada para um asilo. Para Terry, Chaplin inventou Calvero, uma salvação que ele gostaria de ter sido para sua mãe.

Luzes da Ribalta também foi o filme responsável em dar à Chaplin seu único Oscar, de trilha sonora (que só foi entregue anos depois e desbancou a trilha de O Poderoso Chefão). Marca também uma inesperada parceria entre Chaplin e Buster Keaton, considerado o grande rival do cineasta na época dos filmes mudos. Keaton interpreta um parceiro de Calvero nas apresentações em um teatro. Ver esses dois gênios da comédia em um real número de humor é uma experiência única e inestimável.

Repleto de um tipo de beleza triste, Luzes da Ribalta é um tipo de despedida de Chaplin ao mundo, embora tenha ainda realizado outros filmes depois. Trata-se de uma cinebiografia disfarçada, onde o cineasta expõe tudo o de mais importante que já passou por sua vida, assim como expõe sua visão do mundo, sempre esperançosa apesar das oposições. Mais do que isso, é um legado que ele deixa a todos os artistas, que sabem como é difícil seguir esse rumo, mas que não podem escapar de sua sina. Não vale a pena ser visto por aqueles que procuram aquele Chaplin mais engraçado e atrapalhado, mas sim para aqueles que desejam ver por detrás daquela maquiagem de Carlitos, que sempre marcou sua imagem, o verdadeiro homem que nunca conseguiu superar em sua vida um eterno sentimento de abandono e solidão.

Por Heitor Romero

05/06/2011

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Ordens de Malick

Cineasta escreve carta à mão para o San Diego Reader dando instruções sobre como seu A Árvore da Vida deve ser apresentado

Se os projecionistas são montadores finais dos filmes eu não sei dizer, mas com toda certeza posso afirmar que ultimamente eles vêm matando a Sétima Arte.

É um fato que os projecionistas, outrora os guardiões das bobinas e rolos de celulóide, nossos guias para o mundo mágico do Cinema, andam – parafraseando Roger Ebert –matando a luz. Num interessantíssimo artigo escrito na semana passada, o crítico americano metralha os espertinhos que, por exemplo, baixam a intensidade da luz, numa estúpida tentativa para poupar dinheiro, protelando o máximo possível a troca da luz do projetor. Se formos para os projetores digitais a situação fica ainda pior: Os projecionistas deixam de trocar as lentes para a projeção de filmes em 3D, pelo simples fato de que isso levaria muito tempo. Os resultados são catastróficos: A imagem torna-se mais escura (existem até mesmo casos de filmes que simplesmente ficaram pretos quando projetados dessa forma).

Com toda a razão, o cineasta Terrence Malick (Terra de Ninguém, O Novo Mundo) está preocupado. Passar quase uma década polindo um filme para ser mutilado dessa maneira tão triste, deprimente e gananciosa é demais. Portanto, o San Diego Reader recebeu (mas quem diria!) uma carta escrita à mão pelo recluso mestre do Cinema, dando instruções sobre como o seu novo filme, A Árvore da Vida, deve ser projetado quando chegar às telas norte-americanas neste fim de semana.

Segundo o jornal, após dar suas “saudações fraternas”, ele aponta o óbvio: “O projecionismo nos cinemas é uma arte que está se tornando rapidamente esquecida.” Em seguida, o cineasta texano parte para o que é mais importante: Suas instruções. Elas são quatro:

  1. O filme deve ser apresentado no formato de proporção 1.85:1
  2. O fader do cinema deve está ajustado em DTS e Dolby em 7.5 ou em 7.7, apesar do recomendado ser 7. (Fader é o equipamento que controla os efeitos de fade in e fade out.)
  3. Como o filme não tem créditos de abertura, o controlador de luz do cinema deve manter as luzes apagadas muito antes do primeiro quadro do rolo um ser mostrado.
  4. A luz do projetor deve estar com a intensidade correta: 5400 Kelvin, e o nível foot-Lambert em 14. (Foot-Lambert é uma medida de intensidade de luz comum nos Estados Unidos.

E quem diria que a profissão que foi mostrada de forma tão poética, malickiana (não, não pude perder a oportunidade), em Cinema Paradiso pudesse precisar de um puxão de orelha como esse?

A Árvore da Vida, com Brad Pitt, Jessica Chastain e Sean Penn estréia no próximo dia 24 no Brasil.

Por Victor Bruno

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Martin Scorsese dirigirá filme sobre Elizabeth Taylor e Richard Burton

O cineasta acerta detalhes com a Paramount Pictures




Enquanto ainda estamos aguardando detalhes sobre seu novo filme, Hugo Cabret, que deve estrear pelo fim do ano, o premiado cineasta norte-americano Martin Scorsese (Ilha do Medo, Os Infiltrados) já está preparando um novo projeto. Segundo o jornal Los Angeles Times e o Deadline, o Scorsese dirigirá uma adaptação do romance “Furious Love”, de Sam Kashner e Nancy Schoenberger, que conta a (turbulenta) história de amor vivida por Elizabeth Taylor (que morreu no início deste ano) e Richard Burton.

Burton e Taylor se conheceram primeiramente durante as filmagens de Cleópatra, em 1963. Casaram-se em 1964 e – após uma notória relação extremamente perturbada – separaram-se em 1974. Reuniram-se novamente no ano seguinte, mas separaram-se em 1976. Segundo o casal, suas brigas e desafetos serviram de base para a construção das personagens Martha e George em Quem tem Medo de Virginia Woolf? (Who’s Afraid of Virginia Woolf?, 1966), estrelado pelos próprios Richard Burton e Elizabeth Taylor.

O filme já foi autorizado pela família Burton. A produção ainda negocia a compra dos direitos da história de Elizabeth Taylor.

Seria interessante ver esse projeto ser feito por diversos motivos. Romances turbulentos são, de uma maneira ou de outra alvo de interesse do cineasta (como pode ser provado em A Época da Inocência, estrelado por Daniel Day-Lewis); e depois, Scorsese é um historiador do Cinema. Ver a história de Elizabeth Taylor e Richard Burton sob a luz dos seus olhos seria fantástico.

O cineasta ainda está envolvido na produção dos longas I Heard You Paint Houses, Silence e Sinatra.

Por Victor Bruno

quarta-feira, 1 de junho de 2011

"Vacuum with nipples" uma ova, Preminger

Quem, por Deus, poderia imaginar que Marilyn Monroe, um dos maiores símbolos sexuais da história do Cinema, era uma ávida leitora?

A idéia soa absurda para você? Se não, deveria. A princípio ninguém poderia adivinhar que a loura que estrelou o clássico Quanto Mais Quente Melhor, de Billy Wilder, apreciava os escritos de Freud, James Joyce, Camus, Tchekhov, Bertrand Russell e, até mesmo, os do físico Oppenheimer, o pai da bomba atômica! Aliás, até há uma coletânea de contos e poemas de sua autoria – chamada “Fragments” – publicada nos Estados Unidos (e ainda inédita no Brasil).

A sua vasta biblioteca, com cerca de 261 livros, está disponível no site LibraryThing. Clique aqui para acessá-la.

Por Victor Bruno

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